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Alexis  Valdés__Post__Esperança
 
 

ESPERANÇA

Alexis Valdés

 
 
 

Quando a tempestade passar,

as estradas se amansarem,

E formos sobreviventes

de um naufrágio coletivo,

 
 

Com o coração choroso

e o destino abençoado

Nós nos sentiremos bem-aventurados

Só por estarmos vivos.

 
 

E nós daremos um abraço

ao primeiro desconhecido

E elogiaremos a sorte

de manter um amigo.

 
 

E aí nós vamos lembrar

tudo aquilo que perdemos

e de uma vez aprenderemos

tudo o que não aprendemos.

 
 

Não teremos mais inveja

pois todos teremos sofrido.

o coração não terá endurecido

Seremos todos mais compassivos.

 
 

Valerá mais o que é de todos

do que o que eu nunca consegui.

Seremos mais generosos

E muito mais comprometidos

 
 

Entenderemos a fragilidade,

que significa estarmos vivos!

Vamos sentir empatia

por quem está e por quem tenha ido.

 
 

Sentiremos falta do velho

que pedia esmola no mercado,

e que nós nunca saberemos

o nome de quem sempre esteve ao nosso lado.

 
 

E talvez o velho pobre

fosse Deus disfarçado…

Mas nunca perguntaste o nome

Porque estavas apressado

 
 

E tudo será milagre!

E tudo será um legado

E a vida que ganhamos

será respeitada!

 
 

Quando a tempestade passar

Eu te peço Deus, com tristeza ,

Que você nos torne melhores.

como nos havia sonhado.

 
 
 

NOTA

 
 

Alexis Valdés, é o autor cubano do poema ESPERANZA (Esperança)

Este poema foi erroneamente atribuído à autora K O’Meara, escrito em 1800, época da epidemia da febre amarela na Espanha. Esclarecendo esse equívoco:

“A assinatura poderia estar associada a Kathleen O’Meara, uma escritora do século IX que usava o pseudônimo Grace Ramsay para escrever. Entretanto, Kathleen nasceu em 1839, ou seja, não poderia ter escrito o poema no ano de 1800. Naquele ano, ocorreu ao menos um surto de febre amarela na Espanha, que durou entre 1800 e 1803. (…)

Os versos de “Em tempos de pandemia” eram, na verdade, da escritora Kitty O’Meara, publicados em um blog pessoal em 16 de março deste ano (2020) (…)

O poema de Valdés também foi atribuído erroneamente a outros poetas na América Latina. No Uruguai, por exemplo, os versos de “Esperança” circularam em posts nas redes sociais com referências ao escritor Mario Benedetti. (…)

Na Argentina, por sua vez, a autoria do poema foi atribuída ao ator e humorista Luis Landriscina.”

 
 
 
 
 
 
 
Post_O tempo_Miguel Abrahão

O TEMPO

Miguel  M. Abrahão

Há um juiz chamado TEMPO que coloca tudo em seu devido lugar, sem exceção. Cada rei em seu trono, cada palhaço no seu circo, cada fantasma em seu castelo.Cada um recebe o que semeou…

Tudo o que pensa voltará para você, mesmo que, em alguns casos, isso leve um bom TEMPO para acontecer. Mas, no final, essa verdade prevalece… Precisa apenas ter paciência…

Todo nosso ser gera um tipo de linguagem e tem um impacto em todos que nos rodeiam. Afinal, somos livres para fazermos o que quisermos, mas ninguém poderá se livrar das consequências futuras, porque, mais cedo ou mais tarde, esse juiz, “o TEMPO”, dará razão para os que as têm…
Por isso, faça com que seus atos digam mais que suas palavras; que sua responsabilidade seja um reflexo de sua essência, e que consiga lutar para, depois, os pensamentos nunca duvidarem da capacidade do TEMPO de oferecer o que você merece… Mesmo que não acredite nisso!

O TEMPO é um juiz muito sábio! Jamais dará sua sentença de imediato. Mas ele sempre dará razão à pessoa certa… Ele é tão sábio que apenas não te julgará pelos seus atos, mas também te ensinará que a tristeza passa e que nada dura pra sempre. Ele ensinará que a experiência que você adquire com o passar do TEMPO, irá ajudá-lo a amadurecer e crescer… Mostrará que os amigos de verdade se contam nas linhas das mãos e, apenas, dessa forma!

O TEMPO é um professor cruel…! Primeiro ele te aplica a prova e depois lhe ensina a lição… Ele te mostra quem vale ou não a pena; quem realmente se importa e quem jamais deixou de se importar… quem acredita e quem nunca acreditou.

Valorize, pois, quem permaneceu ao seu lado nos momentos bons, mas, principalmente, naqueles momentos mais difíceis. Afinal, qualquer um poderia ter estado ao seu lado; porém, os que ficaram em ambas as situações são os verdadeiros amigos…

Não perca TEMPO atrás de pessoas que não te valorizam e lembre-se sempre de que o TEMPO acaba um dia. Ele, um recurso valioso para durar eternamente…

Então aproveite a ocasião que se apresenta a você, sem se importar o quão pequena ela seja, mas não deixe que as oportunidades perdidas te atormentem nos anais do TEMPO. E lembre-se! Dê tempo ao tempo! Às vezes, as coisas não acontecem como desejamos, mas acontecem como o TEMPO deseja…

Frase_O tempo__Sêneca
Post_Fávio_Gikovate_Verdadeiramente_Forte
VERDADEIRAMENTE FORTE
Flávio Gikovate

A gente costuma ouvir que uma pessoa é forte, que tem gênio forte, quando ela reage com grande violência em situações que a desagradam. Ou seja, a pessoa de temperamento forte só está bem e calma quando tudo acontece exatamente de acordo com a vontade dela.

Nos outros casos, sua reação é explosiva e o estouro costuma provocar o medo nas pessoas que a cercam. Talvez essas pessoas sejam responsáveis por chamar o estourado de forte, porque acabam se submetendo à vontade dele. Ele é forte porque consegue impor sua vontade, quase sempre por conta do medo que as pessoas têm do seu descontrole agressivo e de sua capacidade para fazer escândalo.

Se pensarmos mais profundamente, perceberemos que as pessoas de “gênio forte” conseguem fazer prevalecer seus desejos apenas nas pequenas coisas do cotidiano. Elas decidirão a que restaurante os outros irão; a que filme o grupo irá assistir; se a família vai para a praia no fim de semana e assim por diante.

As coisas verdadeiramente importantes – a saúde delas e a das pessoas com quem convivem; o sucesso ou fracasso nas atividades profissionais, estudos ou investimentos; as variações climáticas e suas tragédias, como inundações, desabamentos e terremotos; a morte de pessoas queridas – não são decididas por nenhum de nós.

O que leva os de “gênio forte” a comportamentos ridículos: berram, esperneiam e blasfemam diante de acontecimentos inexoráveis, e contra os quais nada podemos fazer. Reagem como crianças mimadas que não podem ser contrariadas! Afinal de contas, isso é ser uma pessoa forte? É claro que não.

Querer mandar nos fatos da vida, querer influir em coisas cujo controle nos escapa, não é sinal de força, como também não é sinal de bom senso, sensatez e de uso adequado da inteligência.

Talvez fosse muito bom se pudéssemos influir sobre muitas coisas que são essenciais. Mas a verdade é que não podemos. Isso nos deixa inseguros, pois coisas desagradáveis e dolorosas podem acontecer a qualquer momento. E não serão nossos berros que impedirão nossos filhos de serem atropelados, nossos pais de morrerem, nossa cidade de ter enchentes ou desabamentos.

O primeiro sinal de força de um ser humano reside na humildade de saber que não tem controle sobre as coisas que lhe são mais essenciais. Sim, porque este indivíduo aceitou a verdade. E isso não é coisa fácil de fazer, especialmente quando a verdade nos deixa impotentes e vulneráveis.

O segundo sinal, e o mais importante, é a pessoa compreender que ela terá que tolerar toda a dor e todo o sofrimento que o destino lhe impuser. E mais – e este é o terceiro sinal -, terá que tolerar com “classe” e sem escândalos.

Não adianta se revoltar. Não adianta blasfemar contra Deus. Ser forte é ter competência para aceitar, administrar e digerir todos os tipos de sofrimento e contrariedade que a vida forçosamente nos determina. É não tentar ser espertinho nas coisas que são de verdade.

As pessoas que não toleram frustrações, dores e contrariedades são as fracas e não as fortes. Fazem muito barulho, gritam, fazem escândalos e ameaçam bater. São barulhentos e não fortes – estas duas palavras não são sinônimos!

O forte é aquele que ousa e se aventura em situações novas, porque tem a convicção íntima de que, se fracassar, terá forças interiores para se recuperar.
Ninguém pode ter certeza de que seu empreendimento – sentimental, profissional, social – será bem-sucedido. Temos medo da novidade justamente por causa disso.

O fraco não ousará, pois a simples ideia do fracasso já lhe provoca uma dor insuportável.

O forte ousará porque tem a sensação íntima de que é capaz de aguentar o revés.

O forte é aquele que monta no cavalo porque sabe que, se cair, terá forças para se levantar.

O fraco encontrará uma desculpa – em geral, acusando uma outra pessoa – para não montar no cavalo. Fará gestos e pose de corajoso, mas, na verdade, é exatamente o contrário. Buscará tantas certezas prévias de que não irá cair do cavalo que, caso chegue a tê-las, o cavalo já terá ido embora há muito tempo.

O forte é o que parece ser o fraco: é quieto, discreto, não grita e é o ousado. Faz o que ninguém esperava que ele fizesse.

Nietzsche_Frase de força
Post_Nietzsche_A Gaia Ciência

Nietzsche em: A gaia ciência

107. Nossa derradeira gratidão para com a arte. — Se não tivéssemos aprovado as artes e inventado essa espécie de culto do não verdadeiro, a percepção da inverdade e mendacidade geral, que agora nos é dada pela ciência — da ilusão e do erro como condições da existência cognoscente e sensível —, seria intolerável para nós.

A retidão teria por consequência a náusea e o suicídio. Mas agora a nossa retidão tem uma força contrária, que nos ajuda a evitar consequências tais: a arte, como a boa vontade de aparência. Não proibimos sempre que os nossos olhos arredondem, terminem o poema, por assim dizer: e então não é mais a eterna imperfeição, que carregamos pelo rio do vir-a-ser — então cremos carregar uma deusa e ficamos orgulhosos e infantis com tal serviço.

Como fenômeno estético a existência ainda nos é suportável, e por meio da arte nos são dados olhos e mãos e, sobretudo, boa consciência, para poder fazer de nós mesmos um tal fenômeno.

Ocasionalmente precisamos descansar de nós mesmos, olhando-nos de cima e de longe e, de uma artística distância, rindo de nós ou chorando por nós; precisamos descobrir o herói e também o tolo que há em nossa paixão do conhecimento, precisamos nos alegrar com a nossa estupidez de vez em quando, para poder continuar nos alegrando com a nossa sabedoria!

E justamente por sermos, no fundo, homens pesados e sérios, e antes pesos do que homens, nada nos faz tanto bem como o chapéu do bobo: necessitamos dele diante de nós mesmos — necessitamos de toda arte exuberante, flutuante, dançante, zombeteira, infantil e venturosa, para não perdermos a liberdade de pairar acima das coisas, que o nosso ideal exige de nós.

Seria para nós um retrocesso cair totalmente na moral, justamente com a nossa suscetível retidão, e, por causa das severas exigências que aí fazemos a nós mesmos, tornarmo-nos virtuosos monstros e espantalhos. Devemos também poder ficar acima da moral: e não só ficar em pé, com a angustiada rigidez de quem receia escorregar e cair a todo instante, mas também flutuar e brincar acima dela!

Como poderíamos então nos privar da arte, assim como do tolo? — E, enquanto vocês tiverem alguma vergonha de si mesmos, não serão ainda um de nós!

Nietzsche_frase - 1
 
 
 
Post_Cris Pizzimenti_Sou feita de retalhosjpg
 
 
 

Sou feita de retalhos.

Cris Pizzimenti

 
 
 
Sou feita de retalhos.

Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma.
Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior…
Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade…
Que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.

E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também.
E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados…
Haverá sempre um retalho novo para adicionar a alma.

Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim.

Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.

E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de “nós”.

 
 
 
Cora_Coralina_frase
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Post_Letícia Thompson_A gravidez da amizade

A gravidez da amizade

Letícia Thompson

 

 

Toda amizade é uma história particular. É uma história de conquista.

Primeiro, descobre-se o outro. Todo mundo parece igual, mas não é. E é justamente essa coisinha diferente em cada um que torna cada pessoa única. E de repente ali está a sementinha da amizade fecundada. A gestação começa.

São pedacinhos de nós que vão ficando nas conversas e pedacinhos do coração do outro que vão caminhando pra dentro da gente. Há os risos e os sorrisos, a partilha de coisas simples ou de coisas importantes. As descobertas, cheias de surpresas muitas vezes. A voz calada que pensa, não diz nada… adivinha!…

Fazemos ideia imediata de uma pessoa ao primeiro contato. Julgamos? Talvez. E só os próximos dias, horas ou instantes vão nos dizer se julgamos certo. Acontece de nos termos enganado em certos pontos e quantas vezes não bendizemos isso! Claro que ninguém gosta de estar enganado. Mas quando descobrimos um palhacinho por detrás de uma pessoa séria e reservada é maravilhoso saber que pudemos nos enganar. Se todos os enganos fossem assim abençoados!…

A sensibilidade do outro nos toca. Dá até vontade de chorar. Não sabemos direito o porquê de nos sentirmos próximos de alguém assim tão longe, tão diferente e tão igual. Mas amizade, como o amor, não se questiona. Vive-se. Dela e pra ela.

É preciso dar tempo ao tempo para se saber cativar e ser cativado. Quando saímos às pressas sempre temos o risco de deixar alguma coisa esquecida. Mas se tomamos o tempo de olhar bem, refletir, conversar, conversar e conversar… e rir e brincar e ficar em silêncio!… Se deixamos que essa flor nasça cuidadosa e docemente… aos poucos ela vai vendo a luz do dia. Maravilhando-se. Contemplando o outro com novos olhos, ou nova maneira de olhar. Tudo vira encanto!

Que o outro ria de mim ou pra mim, mas que ria! Gargalhe, faça festa!… Que eu seja nem que seja por um pouco responsável por esse rosto iluminado, por essa vontade de viver e de ver o que virá depois.

Bendita seja essa gestação amiga! Sem prazo, sem tempo, sem hora marcada! Bendita seja essa amizade, prova de que Deus se faz conhecer através das pessoas que alcançam nosso coração.

Post_Ruth_Borges_Se vc engolir tudo que sente

SE VOCÊ ENGOLIR TUDO QUE SENTE, NO FINAL VOCÊ SE AFOGA’

(Ruth Borges)

 

 

Engole o choro. Engole sapo. Não diga, não quero saber. Cala a boca, cala o peito, cale-se! Mas o corpo fala, e como fala. Fala a ponta dos dedos batendo na mesa, fala o dente acirrado, rangendo estridente. Falam os pés inquietos na cama. Falam os olhos caindo tristonhos. Fala dor de cabeça, dor na alma. Fala gastrite, psoríase, fala ansiedade, fala memória perdida. Fala o corpo curvado, fala o nó na garganta atravessado. Fala angústia, fala ruga. Fala insônia, fala sono demasiado. Falador.

É impossível entrar no tatame da vida sem levar uns tapas dela. Mágoa, tristeza, dor, raiva, são sentimentos que nos atravessam sem pedir licença. A verdade é que enquanto estamos sentados na pedra fitando o abismo em dor, mastigamos as emoções, mas nem sempre as digerimos bem. Emoções engolidas e não digeridas corroem feito ácido. É bicho morando no estômago, mordente, cáustico. É soda! Emoções indigestas são como bruxas trancafiadas no corpo. Medonhas, a carregar sensações malditas e mal ditas. Ninguém quer saber de falar de sentimentos mal cheirosos. Então a gente engole, e esse mal entendido vira coisa que entra no estômago, percorre a garganta, o peito, e se deixarmos, calará nossa boca e nossa paz por uma vida inteira.

E aí, cedo ou tarde, todas as dores do mundo hão de querer vomitar, regurgitar o mal resolvido, e nos contorcer novamente as entranhas. É preciso um pouco de coragem para se fazer falar. Emoção amordaçada nos faz refém dela. Dor tapada, cala necessidade. Mágoa não entendida, enfarta a fé nas pessoas. Raiva carregada, pesada, transita ardente pelas costas. Não dá pra engolir tudo e dizer amém! Eu sei. Também não dá pra cometer sincericídios por aí. Mas dá para expressar. O que se sente cabe tradução.

Freud disse certa vez: “a ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como são umas poucas palavras boas”. É isso, tem hora que o sentimento pede pra ser dito, entendido, descodificado, traduzido. Tudo que ele quer é ser exorcizado pela palavra ou pela via que lhe cabe melhor. Expressar tranquiliza-a-dor. Dor não é pra sentir pra sempre. Dor é vírgula.

Então diz! Diz logo o que quer dizer sua bruxa. Coloca a dor no caldeirão e faz sopa de letrinhas. Faz uma carta, um poema, um livro. Faz uma orquestra tocar. Pega as sapatilhas, sapateia. Faz uma aquarela. Faz uma vida. Faz lá, sol, manda a dó se catar. Faz piada, faz texto, faz quadro, faz encontro com amigo. Faz corrida no parque. Fala pro seu analista, discute com Deus, se pinta de artista. Conversa sozinho, papeia com seu gato, berra aos céus, mas não se cala. Fala, vai. Pois “se você engolir tudo que sente, no final você se afoga”. É que emoções indigestas e encarceradas mergulham no coração mais tarde para explodi-lo.

E aí, me diz, quem será capaz de nos juntar? Jamais a mágoa e toda a lama que ela carrega será melhor do que a nossa paz.

 

 

Will_Garcia_Mudança
Vitor Ávila_Somos de Vidro

Somos de Vidro

Vítor Ávila

 

 

Somos de vidro, também de pedra, água e areia…
Viajantes do tempo. O remetente e o destinatário.
Tudo que jogamos contra o vento vem ao nosso encontro. Somos o próprio reflexo que vemos no espelho e além dele.
Somos a vida e a morte.
O tudo e também o nada.
Somos idealizadores. Sonhadores. Propagadores. Feitos de inocência num mundo de regras.
Maldosos ou bondosos – no tempo exato…
Ora oferecemos riscos, ora somos a mais perfeita das ternuras. O ponto de encontro está em cada um de nós.
Encontrar-se é o desafio.
Entender-se sagrado é o caminho.
Enxergar além de, é o que falta.
Permitir-se acolher o irmão e entender que ele é tão frágil e tão forte como nós é a meta.
Que ninguém é melhor do que ninguém. No final das contas somos pó…
Nem sempre intactos. Nem sempre puros…
O importante é buscar, olhar para dentro de si e observar que o mundo é benção, que somos filhos da Graça – temos a divindade dentro de nós..
“Sejamos gratos às pessoas que nos proporcionam felicidade, são elas os adoráveis jardineiros que nos fazem florir a alma.” (São Tomás de Aquino)