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Archive for outubro \25\-03:00 2009

Post tartaruga marinha

Tartaruga Marinha

(Rosangela Trajano – Literatura Infantil)

Eu quero ser uma tartaruga

Eu quero ser uma tartaruga

Pra não ter pressa de chegar

Pra viver no meio do oceano

Pra não ter vida dura.

Eu quero ser uma tartaruga

Pra passear na areia da praia

E ver o por do sol, sem pressa

E ver a lua cheia, sem pressa.

Eu quero ser uma tartaruga

Só porque ela é diferente

De toda gente que já conheci

Ela é calma, é paciente.

O homem que caça tartarugas

É um desumano covarde

Quem come carne de tartaruga

É um bicho selvagem, não é homem.

Eu pensei que tartaruga não tinha pressa…

Mas ela tem pressa de viver

E uma placa na praia me apressa:

“Salvem as tartarugas.”

Ufa! Ufa! Ufa!

Será que eu, ainda, quero ser uma tartaruga?

TARTARUGAS MARINHAS

As espécies de tartarugas presentes nos oceanos são 7, sendo que 5 delas ocorrem em águas brasileiras: todas estão ameaçadas de extinção.

  • Tartaruga verde – Quelonia mydas
    Tartaruga olivácea – Lepidochelys olivacea
    Tartaruga de pente – Eretmochelys imbricata
    Tartaruga careta – Caretta caretta
    Tartaruga de couro – Dermochelys coriacea

Fonte: http://www.etall.hpg.ig.com.br

AMEAÇAS NATURAIS BIÓTICAS

Doenças e parasitas: As Tartarugas Verdes podem ter uma doença cutânea (tumor) que pode causar sua morte indiretamente; tartarugas que têm a visão bloqueada pelos tumores não conseguem se alimentar corretamente; Espiroquidíase resulta em anemia e enterite fazendo com que as tartarugas morram ou se tornem mais suscetíveis a se estressarem. Infecções bacterianas ou por fungos em ovos pode ser a maior causa de mortalidade.

Outras tartarugas desovando: Quando há muitas fêmeas desovando em um mesmo local, como nas arribadas, várias delas podem fazer seu ninho sobre outro podendo quebrar os ovos ou impedir que os filhotes consigam chegar à superfície.

Predação: Os ovos e filhotes na praia são predados por coiotes, quatis, caranguejos, falcões e raposas. Já nos filhotes na água, os predadores passam a ser uma grande variedade de pássaros e peixes juvenis e adultos que são comidos por tubarões e outros grandes peixes, bem como a baleia Orca. Se na água, depois de uma certa idade, elas praticamente não têm predadores naturais, ao contrário em terra, encontram seus piores inimigos: o homem. Quando vêm à praia para depositarem seus ovos, podem ser mortas e virar sopa, uma iguaria apreciada em várias regiões. E não é só: os ovos, de gosto muito forte, podem se transformar em omeletes com altos poderes afrodisíacos.

Também são caçadas pelas propriedades de sua carapaça, armações de óculos feitas com o casco da tartaruga-de-pente, por exemplo, chegam a valer de 3 a 4 mil dólares.

No caso de fêmeas desovando na praia, não há evidência de predação natural, sem ser por seres humanos.

Vegetação: É a menor causa de mortalidade natural, raízes de plantas podem invadir os ninhos das tartarugas e causar mortes. As plantas podem também prender as tartarugas; filhotes podem ficar emaranhados quando estão indo para o mar e fêmeas desovantes podem ficar fatalmente presas na vegetação da praia

E mesmo em alto mar elas não estão a salvo. A tartaruga gigante,por exemplo, é vítima da poluição. Muitas confundem sacos plásticos com água-viva, sua refeição predileta, e acabam engolindo a embalagem e morrendo sufocadas. Outras são vítimas das redes de pesca, principalmente de camarão. Presas, não conseguem subir à tona para respirar, e se afogam. Por tudo isso, o homem conseguiu a proeza de colocar as 8 espécies de tartarugas marinhas existentes, na lista dos animais em extinção.

Fonte: O Projeto Tamar/IBAMA)
Fauna e Flora_preserve_as

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Planeta à míngua

Alceu Sebastião Costa

(In: O melhor da Poesia Brasileira 1997-2007; p.33)

Minguante não só a lua,

Que pouco clareia minha rua;

Minguante também a Paz,

Quase fora de cartaz.

Minguante o alimento na Terra,

Em vez do arado, armas de guerra;

Minguante o respeito pelo semelhante,

O homem cada vez mais arrogante.

Minguante o calor da Amizade,

Prevalece o culto da Vaidade;

Minguante a chama do Amor,

Ofuscada pelas trevas do Terror.

Minguante o brilho do romantismo,

Que deu lugar ao opaco materialismo;

Minguante até a nossa paciência,

Diante de tanta irreverência.

Minguada, Senhor, seja essa força minguante;

Salvar o Planeta é nossa missão mais importante.

Preservação

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O   M I S T É R I O   D E   D E U S

Frei Claudio Van Balem

Se Deus existe ou não existe

– à luz da razão humana –

isto permanece

sob densa neblina.

Pela razão, não se pode “afirmar”,
e tampouco “negar”, que Deus exista.
Crente autêntico carece de uma dose de “ateísmo”;
pois, há de superar-se
todo conceito “fixo” relativo a Deus.
Ou Deus é essência e sustento de cada ser
ou se transforma em uma grandeza exterior
– C r i a d o r.
Na Bíblia,
o “Deus-conosco”
– dimensão interiorizada –
passou a ser
uma verdade “racional”,
cristalizada.
O Deus, solidário na caminhada do povo,
foi objetivado como um ser “transcendente”.
O “divino” a irromper
do “cotidiano” foi expatriado
da realidade “terrestre”
para uma realidade “celeste”.
“Onipotência” em Deus parece um equívoco.
É libertador crer em um Deus a depender da criação.
Deus “em tudo e todos”, “Deus-relação”,
essência da realidade;
mais que constatação, prova,
é amigo, enlevo, poesia.
“Pai” em presença, “Filho” em serviço,
“Espírito” em criatividade,
à luz da “encarnação”, Deus tem seu espaço
em nossa realidade.
Tudo que faz parte de nosso viver e experimentar
é herança divina. E, nisso, Jesus fez ecoar
o “silêncio” de Deus.

Quando Deus pousa…

é para levantar vôo…

Na cruz, o não intervencionismo de Deus
com a história humana.
Sua autoridade é a humana fragilidade
– autêntica libertação.
Deus é o que é pela criação
a emanar de seu mistério.
O poder de Deus é respiração: nada aprisiona.
Em todo o humano, em todo fazer na história,
Deus sempre “está no pedaço”.
Em Jesus, Deus insere
a humanidade na divindade,
o finito no eterno,
a derrota na vitória,
a morte na vida.
Mas isto é objeto de fé,
até mesmo a ressurreição de Jesus
e nosso desdobramento na vida eterna.
Essa riqueza nem é para ser provada.
Basta que seja
degustada
em confiante entrega.
Deus se aninha nas entrelinhas do existir,
dramáticas que sejam.
É isto: o tempo messiânico é todo “agora”.
Jesus não veio revelar a grandeza de Deus
e, sim, sua benevolência.
Segue tua natureza, teu caminho,
respira o tempo presente.

Deus-conosco. Caminho garantido.

DEUS EM NÓS

O Todo em um ‘fragmento”,
este também um ‘todo’,
– em corpo e espírito.
Corpo insere espírito
no cotidiano,
espírito eleva corpo
em matéria configurada.
Espírito aprisionado – rebelde;
corpo proibido – prostrado.
Espírito sufocado,
corpo desprezado.
Corpo e espírito conjugados
– recipiente do divino.
Ambos: servidor – devedor,
um do outro.
Corpo sem poder aquietar-se,
espírito impelido a transbordar.
Com poder enriquecido,
espírito eleva corpo.
Do espírito, corpo se faz templo.
Ambos divinizados, em mística união
a revelar dignidade
em mútua relação.
Em clima de harmonia,
com peculiar identidade.
Para ambos, Deus como Deus;
neles, revela-se o Outro.
Quem ganha é o ser humano.
Quem se autentica é Deus.
Sobriedade na abundância,
compaixão na humildade.
Humanização divinizada,
divinização humanizada.
Deus, morador na terra.
Ser humano, habitante do Céu.
Isso como possibilidade,
existe em forma de conta-gotas.
É o Reinado de Deus,
em meio a ensaios e intervalos,
com tropeços e acertos,
lágrimas e risos.
No lusco-fusco de nossa fé,
resta o sonho feito promessa
a dirigir nossos passos
Deus em nós,
cada um próximo do outro.

E torna a pousar

onde menos se espera

(Apresentação do autor por Maria do Carmo Junqueira Caetano – Carminha)
Frei Claudio Van Balem, holandês e carmelita nasceu em 26-9-33. Veio  da Holanda em outubro de 1950 com 17 anos, se instalando na cidade de Santos. Em 1966 veio  para Belo. Horizonte onde está há 43 anos. Aqui armou sua barraca e ajudou na construção do espírito que anima a vida na Paróquia Nossa  Senhora do Carmo. E nós, da comunidade, lhe devemos muito. Sem medo, poeta, corajoso e livre é um jeito gostoso de Deus sorrir pra este mundo velho sem porteira. Hoje, mais mineiro que holandês, é uma estrela a brilhar e iluminar a caminhada de tanta gente.
Deus conserve!

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ESCUTATÓRIA

de Rubem Alves
mineiro das Minas Gerais

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.

Diz Alberto Caeiro que… não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade…

A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor… Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração…..
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor…

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos…

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Vejam a semelhança…

Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio… Abrindo vazios de silêncio… Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos….. Pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.

Se eu falar logo a seguir… São duas as possibilidades.
Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.
Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo.
O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência… E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras… No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia… Que de tão linda nos faz chorar…

Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

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Projeto Bom Dia Coração
Se a gente cresce com os golpes duros da vida,
também pode crescer com os toques suaves na alma…
Nada faz sentido neste mundo
se não tocamos o coração de uma pessoa.
Tenha um lindo dia, com pequenas e constantes alegrias.

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Rubem Alves nasceu no dia 15 de setembro de 1933, em Boa Esperança, sul de Minas Gerais, naquele tempo chamada de Dores da Boa Esperança. A cidade é conhecida pela serra imortalizada por Lamartine Babo e Francisco Alves na música “Serra da Boa Esperança”.

O autor é membro da Academia Campinense de Letras, professor-emérito da Unicamp e cidadão-honorário de Campinas, onde recebeu a medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

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NSdoSilêncio
… Rogai por nós, mundo que muito fala, pouco faz e nada ouve.

Amém.

Michèle

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