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Archive for janeiro \29\UTC 2010

Post pipoca

PIPOCAS DA VIDA

Rubem Alves

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice  e uma dureza assombrosa.Só que elas não percebem e acham  que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor.
Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe,  perder  o emprego ou ficar pobre.

Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!

Sem fogo o sofrimento diminui.

Com isso, a possibilidade da grande transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si.

Não pode imaginar a transformação  que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.

Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!
E ela aparece como outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar.

Elas acham que não pode existir  coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
A presunção e o medo são a dura casca do milho  que não estoura.

No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca,  macia e nutritiva.

Não vão dar alegria para ninguém.

Frase Eduardo Caleano

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saudade1

SINTO  SAUDADES

“(…)Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos

ao longo da nossa existência…”

(Clarice Lispector)

Bouquet de Cravos & Conchavos

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Back_Alceu S_Costa5

Atitude

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Quando eu era ainda pequeno,

Não há engano, bem me lembro,

Meus pais me ensinaram a rezar,

Agradecer por nascer num bom lar,

Ter o pão para dividir com os irmãos,

Primeiras lições dos princípios cristãos.

Hoje, fazendo parte da ala dos veteranos,

Pode ser que até cometa muitos enganos,

Mas acho que, no mundo atual, competitivo,

Fazem falta pais como os meus, assim o digo,

Cujos valores sagrados derivavam do respeito,

Diferente do agora, que toma o avesso pelo direito,

Desvairado, rédeas soltas, a galope, cabelos ao vento,

Trancafia Deus no céu e não vê este Planeta morrendo.

Alceu Sebastião Costa

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NOTA: esta publicação tem uma história: o poeta distribuiu o desenho de um arame farpado com a frase: “Por que algumas pessoas insistem em transformar pássaros em arame farpado?”, com a intenção de que pudesse ser aproveitado em alguma ocasião, fosse ela qual fosse.  Comentou à época o sentido grande e valioso da imagem. Então aproveitei o arame farpado à minha maneira, incluindo-o numa formatação imaginativa e devolvi ao poeta  para que colocasse  palavras dele quais  quisesse. Retribuiu com este belo poema, muito atual às necessidades do mundo atual que incluo junto aos trabalhos de  ECOLOGIA – PLANETA TERRA do Bouquet de Cravos & Conchavos. Posteriormente será atualizada na página de Poesias em Textos.
Poeta Alceu, com gratidão,  agradeço a sua bondade.  Michèle

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Post_Luz e Sombra - Ana Melo

Economia

Giuseppe Ghiaroni

“Dá de ti. Dá de ti quanto puderes:
o talento, a energia, o coração.
Dá de ti para os homens e as mulheres
como as árvores dão e as fontes dão.
Não somente os sapatos que não queres
e a capa que não usas no verão.
Darás tudo o que fores e tiveres:
o talento, a energia, o coração.
Darás sem refletir, sem ser notado,
de modo que ninguém diga obrigado
nem te deva dinheiro ou gratidão.
E com que espanto notarás, um dia,
que viveste fazendo economia
de talento, energia e coração!”…

Que 2010 seja o ano da fraternidade e da harmonia de todos para todos.

(Bouquet de Cravos & Conchavos)

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