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Archive for março \28\UTC 2010

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Eu acredito em Deus!
Mas não sei se o Deus em que eu acredito, é o mesmo Deus em que  acredita o balconista, a professora, o porteiro, o bispo ou pastor…
O Deus em que acredito não foi globalizado.
O Deus com quem converso não é uma pessoa, não é pai de ninguém.
É uma idéia, uma energia, uma eminência.
Não tem rosto, portanto não tem barba.
Não caminha, portanto não carrega um cajado.
Não está cansado, portanto não está sempre no trono.
O Deus que me acompanha vai muito além do que me mostra a Bíblia.
Jamais se deixaria resumir por dez mandamentos, algumas parábolas e um
pensamento que não se renova. O meu Deus é tão superior quanto o Deus dos outros, mas sua superioridade está na compreensão das diferenças, na aceitação das fraquezas e no estímulo à felicidade.
O Deus em que acredito me ensina a guerrear conforme as armas que tenho e detecta em mim a honestidade dos atos.
Não distribui culpas a granel: as minhas são umas, as do vizinho são outras.
Nossa penitência é a reflexão.
Para o Deus em que acredito, só vale o que se está sentindo.
O Deus em que acredito não condena o prazer.
O Deus em que acredito não me abandona, mas me exige mais do que uma flexão de joelhos e uma doação aos pobres: cobra caro pelos meus erros e não aceita promessas performáticas, como carregar uma cruz gigante nos ombros.
A cruz pesa onde tem que pesar: dentro.
É onde tudo acontece e este é o Deus que me acompanha:
Um Deus simples. Deus que é Deus não precisa ser difícil e distante, sabe
tudo e vê tudo. Meu Deus é discreto e otimista.
Não se esconde, ao contrário, aparece principalmente nas horas boas para
incentivar, para me fazer sentir o quanto vale um pequeno momento grandioso: de um abraço numa amizade, uma música na hora certa, um silêncio.
O Deus que eu acredito também não inventou o pecado, ou a segregação de credo. E como ele me deu o Livre-Arbítrio, sou eu apenas que respondo e responderei pelos meus atos.
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Nesta Páscoa, rastreando o girassol que simboliza a busca

do homem pela luz, o “Bouquet de Cravos & Conchavos” lhe deseja:

Feliz recomeçar!

Feliz libertar-se!

Feliz Páscoa

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Post Um jeito que é só meu

De um jeito que é só seu

Fátima Irene Pinto[1]

Há um jeito que é só seu de semear o bem.Se tem sabedoria para falar, fale!

Há pessoas precisando de quem lhes rasque novos horizontes.

Se tem o dom de ouvir, ouça!Há pessoas precisando falar para reorganizar os pensamentos e sentimentos.
Se tem o dom de enxergar os talentos alheios, enalteça-os!Há pessoas que desabrocham por conta de alguém que lhes reconheça um dom.
Se tem discernimento o bastante para fazer uma observação construtiva, faça-a!Há pessoas persistindo no mesmo erro por falta de alguém que as alerte com carinho e firmeza.
Se não tem vocação para engajar-se em movimentos filantrópicos de grande alcance, tenha em mente que o maior bem a ser semeado começa dentro do seu lar.
Oferte a sua canção, a sua poesia, a sua hospitalidade, aquele prato que ninguém sabe fazer igual.
Oferte a sua diplomacia, a sua liderança ou a sua capacidade de atuar em segundo plano para o bem comum.
Oferte o seu talento para contar piadas e fazer rir.
A sua ternura natural no trato com crianças, idosos ou animais.
A sua capacidade de manter o sangue frio nas horas de crise, quando todos em sua volta desabam.
A sua santa paciência de permanecer num hospital ao lado de um enfermo terminal ou de varar a noite num velório, naquela hora crítica em que todos vão embora.
Há um jeito que é só seu e todo seu, mesmo que seja ofertar uma flor sem ser dia de nada.
Mesmo que seja afagar as folhas de uma árvore, cantar junto com o seu canarinho, alisar o pelo de seu bichinho de estimação, aquele que você salvou da enxurrada.
Mesmo que seja uma prece sincera feita no silêncio do seu quarto.
Na contabilidade divina pouco importa se o seu dom de semear o bem alcançar uma criatura ou milhões de criaturas.Você está fazendo a sua parte, de um jeito que é só seu.

É só isto que realmente importa!


[1] Poeta brasileira

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MURMÚRIO D’ÁGUA

Murmúrio D’Água é tão suave aos meus ouvidos…
Faz tanto bem à minha dor teu refrigério!
Nem sei passar sem teu murmúrio aos meus ouvidos,
Sem teu suave, teu afável refrigério.
Água da fonte…água do oceano…água de pranto…
Água de rio…
Água de chuva, água cantante das lavadas…
Têm para mim, todas, consolos de acalanto,
A que sorrio…
A que sorri minha cínica descrença.
A que sorri o meu opróbrio de viver.
A que  sorri o mais profundo desencanto
Do mais profundo e mais recôndito do meu ser!
Sorriem como  aqueles cegos de nascença
Aos quais Jesus de súbito fazia ver…
A minha mãe ouvi dizer que era minha ama
Tranquila e mansa.
Talvez ouvi, quando criança,
Cantigas tristes que cantou à minha cama.
Talvez por isso eu me comova  àquela mágoa.
Talvez por isso eu me comova tanto à mágoa
Do teu rumor, murmúrio d’água…
A meiga e triste rapariga
Punha talvez nessa cantiga
A sua dor e mais a dor de sua raça..
Pobre mulher, sombria filha da desgraça!
—  Murmúrio d’água, és a cantiga de minh’ama.
Manuel Bandeira

dia-mundial-da-agua

 

“…Não há vida sem água. A água é um bem precioso indispensável a todas as atividades humanas.
Alterar a qualidade da água é prejudicar a vida do homem e dos outros seres vivos que dela dependem.
A água é um patrimônio comum, cujo valor deve ser reconhecido por todos.
Cada um tem o dever de a economizar e de a utilizar com cuidado.
A água não tem fronteiras. É um bem comum que impõe uma cooperação internacional…”
(in Carta Européia da Água, 1968)
Bouquet de Cravos & Conchavos em 22/03/2010 lembrando o “Dia Mundial da Água”

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Catando versos__post
PROJETO DE PREFÁCIO
Sábias agudezas… refinamentos…
– não!
Nada disso encontrarás aqui.
Um poema não é para te distraíres
como com essas imagens mutantes de caleidoscópios.
Um poema não é quando te deténs para apreciar um detalhe
Um poema não é também quando paras no fim,
porque um verdadeiro poema continua sempre…
Um poema que não te ajude a viver e não saiba preparar-te para a morte
não tem sentido: é um pobre chocalho de palavras.
(Mário Quintana)
Alceu S Costa Cecília Meireles
Clarice Lispector Drummond
Emília Possídio Geraldo Eustáquio de Sousa
Gilka Machado Gui Oliva
Guimarães Rosa Lya Luft
Margaret Pelicano Marilda Ternura
Mercília Rodrigues Moacir Sader2
Silvia Schmidt Sonia Pallone
Sylvia Cohin Vera Mussi
Vinicius de Moraes Michèle

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Às mulheres, quais forem, este blog leva um abraço através dos versos do poeta Nilo Entholzer Ferreira (in memoriam) que transbordam paixão e sensibilidade.
post mulher
Devaneio
Nilo Entholzer Ferreira

(in memoriam)

 
Não quero a virgindade tola das  mulheres

que não gostam de amar, nem mesmo se admiram

com folguedos de amor, serenos ou brutais…

Envoltas em tristeza,  entoando misereres.

Seus homens, saciados rindo já partiram

para terras bem longe, perto do jamais…

Talvez, eu queira mais…

Talvez, eu queira mais…

Também não me apetece o amor das inocentes,

no fulgor da  beleza estéril e  infeliz.

Trazem no corpo adulto traços espectrais

e a beleza imatura dos adolescentes,

sem rugas…sem sinais …sem qualquer cicatriz…

pobres meninas verdes para os esponsais…

Por certo, eu quero mais…

Por certo, eu quero mais…

Muito menos desejo a figura devassa

dessa louca das ruas e do mundaréu,

a saciar os velhos e os colegiais…

Triste lírio do lodo, caçadora e caça,

vendendo-se em retalhos, vai vivendo ao léu,

rainha dos grotões, dos becos e do cais…

Perdão, eu quero mais

Perdão, eu quero mais…

Que dizer da mulher formosa, atriz, bacante,

com porte de princesa, bela e aliciente,

na sugestão febril de gestos sensuais?

Não quero a perfeição! Nem confio na amante

que logo assume a forma e o gesto da serpente

no rastejar sombrio das traições banais…

Eu quero muito mais…

Eu quero muito mais…

Eu quero essa mulher, delicada na forma,

a mais doce e sutil, que jamais se conforma

em deixar de trazer o amante entre seus braços…

Essa mulher que, em suma, é um traço de ternura,

uma louca e vestal, sempre ardente e tão pura

a seguir junto a mim…Até o fim dos meus passos…

E nada quero mais!…

E nada quero mais!…

 

Bouquet de Cravos & Conchavos
 
 
 

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