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Archive for março \27\UTC 2011

Post_intolerância_Thompson

A (in)tolerância

© Letícia Thompson

As flores toleram as abelhas, mesmo se estas lhes tiram o néctar, mesmo se, por vezes, por acidente, uma pétala se machuca.

A natureza tolera os ventos que arrastam folhas e quebram os galhos, tolera as torrentes e correntes que não perguntam o que carregam na sua passagem.

A própria lua tolera as mudanças e acolhe serenamente cada fase com dignidade.

Só nós, humanos e racionais, somos assim intolerantes com a vida, com o próximo, com o que nos acontece, com o que deixa de nos acontecer, com as diferenças e os diferentes que mal suportamos.

Damos de nós e queremos ficar inteiros; recebemos e queremos continuar os mesmos, abastados do nosso eu, sem as máculas dos pecados que nos deixariam iguais a todo mundo.

Queremos amar o que nos é próximo, pois que nos disseram “ama a teu próximo” sendo que esse outro deve ser uma correspondência daquilo que somos. O que é diferente nos decepciona e nos faz sofrer.

Por isso cobramos tanto dos outros e permitimos que essa negra nuvem encha nossa alma de tristeza ao depararmos com ações e reações diferentes das que esperamos.

Mas não é amar tolerar que o outro seja outro e aceitar com resignação e alegria até que, mesmo nos possíveis deslizes, esse encha nossa vida de  novos ares e novas flores?!

A tolerância é uma incontestável prova de amor e de humildade; é o eu que se inclina para se reerguer mais rico, mais pleno, mais aberto, mais solto e mais livre.

Mais livre!!! E por isso mesmo mais feliz!

Ser flexível na vida não é se curvar. É simplesmente abrir-se como abrem-se nossas janelas para que o sol entre e ilumine nosso recinto. É um ceder que nos enobrece, pois nos permite degustar da vida nos seus mínimos detalhes.

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Post_agrandezadomar_Gaefke

A GRANDEZA DO MAR

Paulo Roberto Gaefke

(No livro “Quando é preciso Viver” página 29)

Você sabe por que o mar é tão grande?

Tão imenso?

Tão poderoso?

É porque teve a humildade de colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios.

Sabendo receber, tornou-se grande.

Se quisesse ser o primeiro, centímetros acima de todos os rios, não seria mar, mas sim uma ilha.

Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.

A perda faz parte.

A queda faz parte.

A morte faz parte.

É impossível vivermos satisfatoriamente.

Precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer.

Impossível ganhar sem saber perder.

Impossível andar sem saber cair.

Impossível acertar sem saber errar.

Impossível viver sem saber viver.

Se aprenderes a perder, a cair, a errar,

ninguém mais o controlará.

Porque o máximo que poderá acontecer a você é cair, errar e perder.

E isto você já sabe.

Bem aventurado aquele que já consegue receber com a mesma naturalidade o ganho e a perda, o acerto e o erro, o triunfo e a queda, a vida e a morte.
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post de partilha de viageiro

Partilha de um viageiro

Eugênia Pickina*

Esta é uma estratégia do medo: distanciar-nos do melhor de nós mesmos, encerrando o esplendor da transparência humana.

“Aonde tens que ir é só a ti”, conta o poeta Jimenez. Então, de forma sensível e única, permitir-se imaginar e transbordar, dar-se e confiar na idade da luz a nos esperar no final da sombra, quando integraremos um nível de consciência (ética e amorosa) mais ampla e profunda.

Assim, o desabrochar evolutivo confirma que, como aprendizes da vida, o imperativo é a aventura do caminho para tornar-se o que se é. Logo, dar escuta a voz interior e procurar ser até que possamos fazê-lo vasta e totalmente… Não seria esse o desejo do coração?

Não ter vergonha de um momento de fraqueza, perdoar-se, porque os equívocos compõem grande parte de nossa humanidade em construção e, como ressonância, nem sempre estamos no melhor de nós mesmos, pois não somos perfeitos e em nós (ainda) há as facetas do absurdo.

Cumprir nosso destino, mas ciente de que ele comporta atos e preces, ação e contemplação…

Para não abrir mão da saúde e da plenitude, agir de acordo com a bússola da alma, e aceitando os próprios limites – a imagem da escada, uma vez que evoluímos segundo o Sopro da Vida que habita no núcleo aceso da nossa existência que passa…

Ainda.

Por mais pesada que seja a rotina, rígida muitas vezes por encargos e tarefas insossas, sempre haverá ocasiões em que seremos tocados por alguém ou por algum evento inesperado e, desse modo, convidados  a nos transformar positivamente, pois o caminho é caminhar, como sugere o poeta Antônio Machado.

*Mestre em Direito Político (Mackenzie-SP) e imersa em processo de contar estórias e compor eventos. Prelúdios. (Londrina : Paraná)
Luciano Luppi_possibilidade de sonhar

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Dia inter_ da mulher_8_março_2011

ESTRANHA MAGIA

8 de Março – Dia Internacional da Mulher

No silêncio que ora me rodeia, nesse instante em que reflito sobre o significado mágico da palavra mulher, uma onda de impressões se alvoroça e se ergue no mar dos meus pensamentos.
Afora a qualificação gramatical: substantivo singular feminino, uma enormidade de adjetivos começa a surgir e muitos se acotovelam para juntarem-se ao nome.

Singular, sublime, especial, valente, frágil, contestadora, apaziguadora, transparente, versátil, acomodada, compreensiva, prática, sensível, misteriosa e por aí se estende um sem número de qualidades e defeitos.

Pois apesar de ser a obra mestra da Criação (que me perdoem a presunção), a mulher tem lá seus pormenores dentre os seus méritos.
Mas pensar sobre a figura feminina em sua essência é fazer uma viagem de aventura por terras desconhecidas e pitorescas. Tudo é possível de acontecer nessa travessia fascinante.

A mulher singular, porque se distingue em meio à raça humana como única e inconfundível.
A mulher sublime, que supera a limitação da própria humanidade e transcende ao comum.
A mulher especial, que cada uma consegue ser a sua maneira e circunstâncias.
A mulher valente, que encara a vida no cotidiano como se fosse o recomeço constante do exercício de ser feliz sem medo de enfrentar o reverso da moeda.
A mulher frágil, que assume as contingências naturais que lhe acompanham e treme de medo de ser rejeitada.
A mulher contestadora, que indaga, interroga, perscruta, e não se conforma com respostas curtas e tolas.
A mulher apaziguadora, que transborda mel por entre os dedos, entre as palavras, entre os gestos e neutraliza as guerras, as contendas, as discussões.
A mulher transparente, que transpira, inspira e respira sentimentos sem mascarar o olhar.
A mulher versátil, capaz de ser muitas e tantas numa só imagem, num só momento.
A mulher acomodada, que depõe as armas e se instala num pacifico repouso até a próxima batalha.
A mulher compreensiva, que entende os silêncios e lê nas entrelinhas.
A mulher prática, que separa o joio do trigo e é capaz de organizar o caos.
A mulher sensível, com todos os sentidos em alerta e mais alguns: sexto, sétimo e o que for surgindo, dependendo da necessidade da situação.
A mulher misteriosa, essência das essências extraordinárias da natureza. Essa translúcida presença, cuja estranha magia envolve, fascina e encanta aos homens, completa um círculo invisível e ata todos os laços, desfazendo os nós.

Cada mulher traz em si o incógnito, o secreto segredo, a fórmula de alquimia(¹) que cria a possibilidade de realizar desejos, de concretizar vontades, de vivenciar sonhos. Bem-aventurados são os homens, seus parceiros.

(¹)Alquimia é uma tradição antiga que combina elementos de química, física, astrologia, arte, metalurgia, medicina, misticismo, e religião.
® Maria Alice Estrella*
*Maria Alice de Carvalho Estrella, é bacharel diplomada pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas, poeta, escritora, correspondente de jornais culturais, cronista colaboradora do Diário Popular (Pelotas/RS)

Mulhar_SimonedeBouvoir

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