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Archive for maio \28\-03:00 2011

Post Rúbia__Vítima e buscador

Troque a vítima pelo buscador…

Rúbia A. Dantés

Estava pensando como o momento que estamos passando é tão decisivo para cada um de nós e para o planeta como um todo, que deveríamos aproveitar todas as oportunidades de crescimento com profunda gratidão, quando me veio na memória a lembrança de um tempo que passou onde a atitude de uma pessoa querida me magoou…

Na verdade eu me deixei magoar porque nós é que decidimos o que vamos fazer com as coisas que nos acontecem…
Naquela época eu não tinha essa clareza e lembro que fiquei um bom tempo triste, me lamentando… julgando o acontecimento a partir da minha visão limitada. E aquilo ao invés de me aliviar só aumentava a dor… Confesso que fiquei na posição de vítima indefesa… Mas isso de nada adiantou…

Depois de muito insistir na mesma tecla e não ver nenhum resultado a não ser ficar cada vez mais triste e sem motivação, resolvi mudar a minha visão e buscar o que mais poderia haver naquele acontecimento que tinha feito com que me magoasse tanto…

Afastei-me um pouco de tudo, tentando olhar de uma forma mais ampla… e foi aí que entendi o que aquela situação toda estava querendo me mostrar… Ficou claro que culpando o outro e me colocando como vítima eu estava tentando me proteger de entrar em contato com o que o Universo estava me dando com tanta perfeição. Uma oportunidade de liberar um medo antigo e até então, inconsciente.
A partir dessa nova perspectiva, pude perceber que aquela experiência continha inúmeras oportunidades de aprendizado… e me indicavam um caminho que fez grande diferença, um caminho onde passei por mortes e renascimentos… de onde saí mais inteira… mais próxima de mim e do Todo…

Neste momento tão especial que o planeta está passando, onde cada um… na sua história pessoal, também está passando por grandes transformações… é importante lembrar que todas as situações que trazem dor ou algum incômodo também trazem a chave da nossa transformação….

Muitas vezes culpar o outro e ficar na posição de vítima indefesa são mecanismos que usamos para não entrar em contato com as nossas dores, medos, culpas… etc.

Hoje eu sempre procuro o outro lado da história… antes de culpar a Deus e o mundo pelas coisas, busco o que aquela situação está me trazendo em oportunidades de crescer e de me transformar em alguém melhor e mais feliz… o que conseqüentemente beneficia ao Todo.

Vamos perceber que esse é o melhor caminho quando, ao liberamos o que quer que seja que estava nos impedindo de caminhar ou limitando a nossa vida, as coisas começam a fluir com muito mais facilidade, porque ganhamos uma dose extra de energia que estava bloqueada por aquelas situações…

Essa postura aparentemente simples tem um poder enorme de mudar tudo… parece milagre quando trocamos o papel de vítimas sem ação pelo papel de buscadores de oportunidades de crescimento.

Uma coisa que também tem um efeito grande para nos tirar da posição de vítimas é lembrar que tudo o que passamos fomos nós que criamos através dos nossos pensamentos, palavras e atos e que ninguém é vítima inocente de nada… Estamos apenas colhendo o que plantamos nessa e em outras vidas… e isso faz com que escolhamos com mais cuidado o que estamos semeando no presente.
Penso que o Universo em sua infinita sabedoria e compaixão nos traz sempre, nesses rebates do tempo, o retorno das nossas ações, como uma nova oportunidade para que nos tornemos seres mais inteiros ao resgatarmos partes nossas que estavam presas nessas histórias antigas…

Nos liberamos… liberamos energia, que pode então ser usada com mais consciência… Luz e Amor.

O amor__Brian Weiss

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Post_viagemaoamanhã__E_Jacomelli

Viagem ao amanhã

Edvaldo Jacomelli*

 

Viajei ao amanhã.

É assustador enxergar o hoje estando no futuro.
Angustia saber o drama que vivemos de observar a ação errada
que estamos prestes a executar.

Voltei correndo para o hoje.

O interessante nessa confusão é que não consigo mais enxergar o erro de hoje que vi no amanhã.

Passei a visualizar as possibilidades da vida.

Pessoas passam ao redor de nosso cotidiano somatizando frases, acontecimentos, situações, momentos e decepções.

Nossa memória vai deletando coisas importantes durante o espaço do tempo. Rostos conhecidos se perdem na espuma da distância, pessoas que conhecemos se mudaram, morreram, casaram, fugiram do nosso instantâneo.

Essa situação toda não significa que a convivência um dia deixou de ser real. Ficou incorporada em nossa capacidade de apreensão dos bons momentos, até mesmo na retenção involuntária dos momentos ruins.

A certa altura de nossa existência no planeta Terra começamos a vasculhar a mente, em suas reentrâncias mais profundas, em busca do filme de nossa vida. Incorporamos no mosaico dessa tela mental a primeira professora, tentamos decifrar o rosto de alguém que não conseguimos mais a lembrança, pescamos as frases que consignamos como importantes.

Resgatamos as ações de pessoas que nos ajudaram com palavras, no momento em que a dor da alma foi de um corte cirúrgico de precisão milimétrica.
O sorriso que um dia recebemos da pessoa que achamos não ser simpática.

O lance de um jogo emocionante que as retinas cravaram na medula.

A maravilha do primeiro beijo.

A descoberta das primeiras letras, das primeiras contas efetuadas, do filme que esculpiu em nós a razão da piedade e do amor ao próximo.

Ainda bem que a humanidade possui a ferramenta do

amadurecimento na vida.

Podemos deixar fermentar o perdão em nossas entranhas para que cresça o pão do amor.

Conseguimos escavar o arrependimento em busca do tesouro de novas ações mais preciosas.

Possuímos o dom de ouvir o que nos dizem os mais experientes.

Sempre chega até nós a essência humana, em forma de aprendizado cósmico, dissolvendo as pedras do caminho em joias da sapiência.

Existe a possibilidade de podermos escolher um bom caminho, apesar de árduo; sem que nos percamos na sedução duvidosa da trilha mais fácil. Um abano de mão, ao longe, consegue acender nosso apagão momentâneo. Ressuscitamos da inércia quando pessoas sorriem devidamente suficientes em seus cotidianos, agradecidas em suas necessidades.

A flor eclode e nossa esperança se ilumina em sua beleza.
Depois de um determinado tempo pessoas se reencontram como se estivessem viajando no futuro.

Uns se olham e não se reconhecem.

Depois de alguns comentários ressurge a célula da amizade, nos confins da memória que se renova a cada segundo, repleta de novos momentos.

É neste instante que se instala na lógica de nossa alma a importância que teve o fato de, lá atrás, qualificarmos nossas relações,  no estado de suas instâncias, na saudável extração dos fluidos benéficos.

Ressaltando o fato de que aperfeiçoando nossas ações atuais, colheremos amanhã o fruto da lembrança sadia.

 

*Escritor; São José do Rio Preto, 5 de Março, 2011

 

 Boa vontade

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Post__Facundo Cabral_deprimido_distraído

Uma reflexão extraordinária

escrita por Facundo Cabral*

“NÃO ESTÁS DEPRIMIDO, ESTÁS DISTRAÍDO”

Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche. Distraído em relação à vida que te rodeia: golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.

Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que é algo fundamental para viver.

Não caias no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada.  Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Alivia-te para que voe mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições. Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, é o amor, segue em teu coração.

Quem poderia dizer que Jesus está morto? Não existe a morte: existe mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Faz apenas o que amas e serás feliz e aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser será, e chegará naturalmente. Não faças nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível. E sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a que me levantou quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus te tornou responsável por um ser humano, e és tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te de Jesus: “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.

Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas… e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,… como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Aliás, o serviço é uma felicidade segura como gozar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida e te darão sem medida.  Ama até que te tornes o ser amado, mais ainda converte-te no mesmíssimo Amor. E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas, o bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso, uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.

 

EM ESPANHOL

No estás deprimido, estás distraído, distraído de la vida que puebla. Distraído de la vida que te rodea: delfines, bosques, mares, montañas, ríos.

No caigas en lo que cayó tu hermano, que sufre por un ser humano cuando en el mundo hay 5,600 millones. Además no es tan malo vivir solo. Yo la paso bien, decidiendo a cada instante lo que quiero hacer, y gracias a la soledad me conozco, algo fundamental para vivir.

No caigas en lo que cayó tu padre, que se siente viejo porque tiene 70 años, olvidando que Moisés dirigía el éxodo a los 80 y Rubinstein interpretaba como nadie Chopin a los 90. Solo por citar dos casos conocidos.

No estás deprimido, estás distraído, por eso crees que perdiste algo, lo que es imposible, porque todo te fue dado. No hiciste ni un solo pelo de tu cabeza por lo tanto no puedes ser dueño de nada. Además, la vida no te quita cosas, te libera de cosas. Te aliviana para que vueles mas alto, para que alcances la plenitud. De la cuna a la tumba es una escuela, por eso lo que llamas problemas son lecciones. No perdiste a nadie, el que murió simplemente, se nos adelantó, porque para allá vamos todos. Además lo mejor de él, el amor, sigue en tu corazón.

Quién podría decir que Jesús está muerto? No hay muerte: hay mudanza. Y del otro lado te espera gente maravillosa: Gandhi, Michelangelo, Whitman, San Agustín, la Madre Teresa, tu abuela y mi madre, que creía que la pobreza está más cerca del amor, porque el dinero nos distrae con demasiadas cosas, y nos aleja por que nos hace desconfiados.

Haz sólo lo que amas y serás feliz, y el que hace lo que ama, está benditamente condenado al éxito, que llegará cuando deba llegar, porque lo que debe ser será, y llegará naturalmente. No hagas nada por obligación ni por compromiso, sino por amor. Entonces habrá plenitud, y en esa plenitud todo es posible. Y sin esfuerzo porque te mueve la fuerza natural de la vida, la que me levantó cuando se cayó el avión con mi mujer y mi hija; la que me mantuvo vivo cuando los médicos me diagnosticaban 3 ó 4 meses de vida.

Dios te puso un ser humano a cargo, y eres tú mismo. A ti debes hacerte libre y feliz, después podrás compartir la vida verdadera con los demás. Recuerda a Jesús: “Amarás al prójimo como a ti mismo”. Reconcíliate contigo, ponte frente al espejo y piensa que esa criatura que estás viendo es obra de Dios; y decide ahora mismo ser feliz porque la felicidad es una adquisición.

Además, la felicidad no es un derecho sino un deber, porque si no eres feliz, estás amargando a todos los que te aman. Un solo hombre que no tuvo ni talento ni valor para vivir, mandó a matar seis millones de hermanos judíos.

Hay tantas cosas para gozar y nuestro paso por la tierra es tan corto, que sufrir es una pérdida de tiempo. Tenemos para gozar la nieve del invierno y las flores de la primavera, el chocolate de la Perugia, la baguette francesa, los tacos mexicanos, el vino chileno, los mares y los ríos, el fútbol de los brasileiros, Las Mil y Una Noches, la Divina Comedia, el Quijote, el Pedro Páramo, los boleros de Manzanero y las poesías de Whitman, Mahler, Mozart, Chopin, Bethoven, Caravaggio, Rembrant, Velásquez, Picasso y Tamayo entre tantas maravillas.

Y si tienes cáncer o sida, pueden pasar dos cosas y las dos son buenas; si te gana, te libera del cuerpo que es tan molesto: tengo hambre, tengo frío, tengo sueño, tengo ganas, tengo razón, tengo dudas….y si le ganas, serás humilde, más agradecido, por lo tanto fácilmente feliz. Libre del tremendo peso de la culpa, la responsabilidad, y la vanidad, dispuesto a vivir cada instante profundamente como debe ser.

No estás deprimido, estás desocupado. Ayuda al niño que te necesita, ese niño será socio de tu hijo. Además, el servicio es una felicidad segura, como gozar a la naturaleza y cuidarla para el que vendrá. Da sin medida y te darán sin medidas. Ama hasta convertirte en lo amado, más aún hasta convertirte en el mismísimo amor. Y que no te confundan unos pocos homicidas y suicidas, el bien es mayoría pero no se nota porque es silencioso, una bomba hace más ruido que una caricia, pero por cada bomba que le destruya hay millones de caricias que alimenta a la vida.

 

*Facundo Cabral é um cantor Argentino, nascido em 22 de maio de 1937 na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, Argentina. Em tenra idade seu pai deixou a casa e a mãe com três filhos que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina. Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado em um reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão.

Em 1970, ele gravou “No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá” e seu nome fica conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros.

Influenciado, no lado espiritual, por Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, na literatura por Borges e Walt Whitman, sua vida toma um rumo espiritual de observação constante em tudo o que acontece em seu redor, não se conformando o que vê, durante sua carreira como um cantor de Música Popular e, toma o caminho da crítica social, sem abandonar o seu habitual senso de humor.

Em reconhecimento do seu constante apelo à paz e amor, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) o declarou “Mensageiro mundial da Paz”.

Fonte: Facundo Cabral na Wikipedia/Prof. Calixto S.Neto/http://www.facundocabral.org/outros…

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O BOUQUET DE CRAVOS & CONCHAVOS HOMENAGEIA AS MÃES NESTE

08 DE MAIO DE 2011 – ‘DIA DAS MÃES’

Post A bisavó

A bisavó

 

Minhas netas:hoje é o dia das mães. Vou falar sobre a minha mãe, sua bisavó, que vocês não chegaram a conhecer. Ela morreu antes de vocês nascerem.

Para falar sobre a minha mãe eu vou dar uma explicação inicial. Gosto de escrever. Especialmente para crianças. Tanto para crianças como vocês quanto para as crianças que moram, escondidas, dentro dos adultos. Se eles deixassem as crianças que moram neles sair do lugar onde estão presas, eles poderiam brincar e ficar mais bonitos.

Escrevendo, eu uso sempre “metáforas“. O nome é difícil mas é fácil explicar. Metáfora é quando, olhando para uma coisa, a gente vê outra. Neruda, poeta, olhou para uma cebola e viu que ela se parecia com uma “rosa de água com escamas de cristal!“. Ora, cebola é cebola. Não é rosa. Mas o poeta viu, na cebola, uma rosa. Cecília Meireles pensou sobre a vida dela e viu um barco navegando por um mar sem fim. Ora, a vida não é um barco navegando. Mas a poeta viu, na própria vida, um barco a navegar no mar azul…

Pois eu vou usar uma metáfora que vocês, a princípio, não entenderão – mas entenderão, porque toda criança tem olhos e imaginação de poeta: no tempo da minha mãe, sua bisavó, as mulheres eram como árvores. Agora, elas se parecem com pássaros…

As mulheres, nos tempos antigos, nos tempos da minha infância, eram árvores.

No meu sítio, lá em Pocinhos do Rio Verde, tenho árvores plantadas para todos os meus amigos que morreram.

Para o meu pai, escolhi uma laranjeira. Meu pai adorava chupar laranjas. Ele ia descascando as laranjas com incrível técnica, sem jamais ferir a laranja. Laranja com casca ferida é ruim de chupar. As cascas inteiras, ele ia pendurando no braço esquerdo. Cascas de laranja, secas, são um combustível maravilhoso.

Para minha mãe plantei um pé de camélia. Camélias são flores lindas – tão perfeitas, algumas brancas, outras vermelhas.

Disse que antigamente as mulheres se pareciam com árvores. As árvores não saem do lugar. Crescem onde plantamos. Indefesas. Não reagem, não fogem, não gemem – nem mesmo quando são cortadas a machado.

Pois assim eram as mulheres: nasciam e pelo resto de suas vidas teriam de obedecer aos homens. Primeiro, tinham de obedecer as ordens do pai. Depois, tinham de obedecer as ordens do marido.

Na verdade, nem antes de casar elas estavam livres. Estavam à mercê da vontade dos pais. Era o pai que decidia se ela devia se casar, quando e com quem. E nem tinham a liberdade de se decidir por uma profissão. Lugar de mulher era na casa, no fogão, na máquina de costura. As mulheres não eram donas do seu corpo, não mandavam no seu destino. Árvores à mercê da vontade do jardineiro, sem poder fugir… Como gostariam de ser pássaros, e voar para longe, longe…

Não podendo ser pássaros, as árvores dão flores. Flores são os pássaros das árvores. Flores são voos que não conseguiram voar e se cristalizaram em beleza e perfume. Quem dá uma flor a alguém está lhe dando um desejo de voar.

Minha mãe era uma árvore que queria voar e não podia. Aí, como a camélia, ela começou a dar flores. As flores que minha mãe dava apareciam sob a forma de música. Menino, eu a ouvia estudando piano horas seguidas. Enquanto tocava piano ela voava pelo mundo da beleza que nem pai e nem marido podiam impedir: a alma é livre.

Minha mãe era uma camélia mansa cujas flores eram a música.

Outro jeito que as mulheres-árvores tinham de florir eram os filhos. Se elas não podiam voar de verdade, voavam imaginando os filhos voando. Viviam uma vida simples, modesta, sempre plantadas no chão – e eram sempre uma sombra e um colo onde os filhos tristes encontravam conforto. Especialmente nas coisas gostosas que só as mães sabiam fazer na cozinha. Fazer o prato predileto do filho: era o jeito que elas tinham de dizer às noras: “Você nunca tomará o meu lugar!“

Claro, havia umas mulheres revoltadas por não poder voar. Viravam cactos, só espinho. E os filhos sofriam. Minha avó era assim – que Deus a tenha. Mas não minha mãe, que aprendeu ternura com uma velha escrava chamada Iáiá. Por vezes as mães verdadeiras não são as mães de barriga – são as mães de coração.

As mulheres, hoje, se cansaram de viver para fazer vontade de pai e de marido. Estão se transformando em pássaros: querem voar – determinar o seu destino, ser donas de suas vidas. Liberdade: esse é um direito de todo ser humano.

Quando vocês tiverem a minha idade e forem escrever sobre suas mães, ao invés de dizer que elas eram árvores, vocês dirão que elas eram pássaros! E como os pássaros são belos no seu voo! Podem ser suaves como as gaivotas ou terríveis como os gaviões… Mas mesmo os pássaros precisam de uma árvore onde descansar e fazer os seus ninhos…

Dicas:

Hoje, dia das mães, brinque de ser poeta.

Dê, como presente à sua mãe, uma metáfora poética.

De todas as flores e plantas que você conhece,

qual é aquela que mais se parece com ela?

Que flor ou árvore você plantaria para que nela

venha a morar, um dia?

Há uma grande variedade que vai dos delicados

jasmins do imperador até os cactos…

Mas pode ser que sua mãe seja um pássaro!

Rubem Alves

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(camélia)

Texto na íntegra: http://www.rubemalves.com.br/abisavo.htm

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