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Archive for junho \26\-03:00 2011

Post Drummond_Resíduo

Resíduo

Carlos Drummond de Andrade

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco
Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).
Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.
Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
– vazio – de cigarros, ficou um pouco.
Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?
Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil…
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver… de aspirina.
De tudo ficou um pouco.
E de tudo fica um pouco.
Oh! abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.

Às vezes um botão. Às vezes um rato.

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Post_Raquel Queiroz_último desejo

Talvez o último desejo

Raquel de Queiroz*

 Pergunta-me com muita seriedade uma moça jornalista qual é o meu maior desejo para o ano de 1950. E a resposta natural é dizer-lhe que desejo muita paz, prosperidade pública e particular para todos, saúde e dinheiro aqui em casa. Que mais há para dizer?

Mas a verdade, a verdade verdadeira que eu falar não posso, aquilo que representa o real desejo do meu coração, seria abrir os braços para o mundo, olhar para ele bem de frente e lhe dizer na cara: Te dana!

Sim te dana, mundo velho. Ao planeta com todos os seus homens e bichos, ao continente, ao país, ao Estado, à cidade, à população, aos parentes, amigos e conhecidos: danem-se! Danem-se que eu não ligo, vou pra longe me esquecer de tudo, vou a Pasárgada ou a qualquer outro lugar, vou-me embora, mudo de nome e paradeiro, quero ver quem é que me acha.

Isso que eu queria. Chegar junto do homem que eu amo e dizer para ele: Te dana, meu bem! Dora em vante pode fazer o que entender, pode ir, pode voltar, pode pagar dançarinas, pode fazer serenatas, rolar de borco pelas calçadas, pode jogar futebol, entrar na linha de Quimbanda, pode amar e desamar, pode tudo, que eu não ligo!

Chegar junto ao respeitável público e comunicar-lhe: Danai-vos, respeitável público. Acabou-se a adulação, não me importo mais com as vossas reações, do que gostais e do que não gostais; nutro a maior indiferença pelos vossos apupos e os vossos aplausos e sou incapaz de estirar um dedo para acariciar os vossos sentimentos. Ide baixar noutro centro, respeitável público, e não amoleis o escriba que de vós se libertou!

Chegar junto da pátria e dizer o mesmo: o doce, o suavíssimo, o libérrimo te dana. Que me importo contigo, pátria? Que cresças ou aumentes, que sofras de inundação ou de seca, que vendas café ou compres ervilhas de lata, que simules eleições ou engulas golpes? Elege quem tu quiseres, o voto é teu, o lombo é teu. Queres de novo a espora e o chicote do peão gordo que se fez teu ginete? Ou queres o manhoso mineiro ou o paulista de olho fundo? Escolhe à vontade – que me importa o comandante se o navio não é meu? A casa é tua, serve-te, pátria, que pátria não tenho mais.

Dizer te dana ao dinheiro, ao bom nome, ao respeito, à amizade e ao amor. Desprezar parentela, irmãos, tios, primos e cunhados, desprezar o sangue e os laços afins, me sentir como filho de oco de pau, sem compromissos nem afetos.

Me deitar numa rede branca armada debaixo da jaqueira, ficar balançando devagar para espantar o calor, roer castanha de caju confeitada sem receio de engordar, e ouvir na vitrolinha portátil todos os discos de Noel Rosa, com Araci e Marília Batista. Depois abrir sobre o rosto o último romance policial de Agatha Christie e dormir docemente ao mormaço.

Mas não faço. Queria tanto, mas não faço. O inquieto coração que ama e se assusta e se acha responsável pelo céu e pela terra, o insolente coração não deixa. De que serve, pois, aspirar à liberdade? O miserável coração nasceu cativo e só no cativeiro pode viver. O que ele deseja é mesmo servidão e intranquilidade: quer reverenciar, quer ajudar, quer vigiar, quer se romper todo. Tem que espreitar os desejos do amado, e lhe fazer as quatro vontades, e atormentá-lo com cuidados e bendizer os seus caprichos; e dessa submissão e cegueira tira a sua única felicidade.

Tem que cuidar do mundo e vigiar o mundo, e gritar os seus brados de alarme que ninguém escuta e chorar com antecedência as desgraças previsíveis e carpir junto com os demais as desgraças acontecidas; não que o mundo lhe agradeça nem saiba sequer que esse estúpido coração existe. Mas essa é a outra servidão do amor em que ele se compraz – o misterioso sentimento de fraternidade que não acha nenhuma China demasiado longe, nenhum negro demasiado negro, nenhum ente demasiado estranho para o seu lado sentir e gemer e se saber seu irmão.

E tem o pai morto e a mãe viva, tão poderosos ambos, cada um na sua solidão estranha, tão longe dos nossos braços.

E tem a pátria que é coisa que ninguém explica, e tem o Ceará, valha-me Nossa Senhora, tem o velho pedaço de chão sertanejo que é meu, pois meu pai o deixou para mim como o seu pai já lho deixara e várias gerações antes de nós, passaram assim de pai a filho.

E tem a casa feita pela nossa mão, toda caiada de branco e com janelas azuis, tem os cachorros e as roseiras.

E tem o sangue que é mais grosso que a água e ata laços que ninguém desata, e não adianta pensar nem dizer que o sangue não importa, porque importa mesmo. E tem os amigos que são os irmãos adotivos, tão amados uns quanto os outros.

E tem o respeitável público que há vinte anos nos atura e lê, e em geral entende e aceita, e escreve e pede providências e colabora no que pode. E tem que se ganhar o dinheiro, e tem que se pagar imposto para possuir a terra e a casa e os bichos e as plantas; e tem que se cumprir os horários, e aceitar o trabalho, e cuidar da comida e da cama. E há que se ter medo dos soldados, e respeito pela autoridade, e paciência em dia de eleição. Há que ter coragem para continuar vivendo, tem que se pensar no dia de amanhã, embora uma coisa obscura nos diga teimosamente lá dentro que o dia de amanhã, se a gente o deixasse em paz, se cuidaria sozinho, tal como o de ontem se cuidou.

E assim, em vez da bela liberdade, da solidão e da música, a triste alma tem mesmo é que se debater nos cuidados, vigiar e amar, e acompanhar medrosa e impotente a loucura geral, o suicídio geral. E adular o público e os amigos e mentir sempre que for preciso e jamais se dedicar a si própria e aos seus desejos secretos.

Prisão de sete portas, cada uma com sete fechaduras, trancadas com sete chaves, por que lutar contra as tuas grades?

O único desabafo é descobrir o mísero coração dentro do peito, sacudi-lo um pouco e botar na boca toda a amargura do cativeiro sem remédio, antes de o apostrofar: Te dana, coração, te dana!

Texto extraído do livro:
Um alpendre, uma rede, um açude – 100 crônicas escolhidas. Rachel de Queiroz. Editora Siciliano. São Paulo. 1993 p. 101-103.

*Rachel de Queiroz

17/11/1910, Fortaleza (CE)
4/11/2003, Rio de Janeiro (RJ)

Autora de destaque na ficção social nordestina. Tradutora, romancista, escritora, jornalista e importante dramaturga brasileira. Foi primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Em 1993, foi a primeira mulher galardoada com o Prêmio Camões, equivalente ao Nobel, na língua portuguesa. É considerada por muitos como a maior escritora brasileira.

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Post_Palavras

Palavras

Maria Alice Estrella

Se você solicitou alvará de soltura, “habeas corpus” para sair de uma prisão que enclausurou sonhos e envelheceu emoções…

Se você se incendiou de paixão e lhe jogaram a água fria da indiferença, reduzindo tudo a cinzas e só lhe sobrou o rescaldo…

Se teve a coragem de encarar a realidade sem camuflagens, sem varrer a poeira do desagradável para baixo do tapete…

Se você alugou sentimentos por prazo indeterminado, mas rompeu algumas cláusulas contratuais por inadimplência, má administração, descuido e sofreu, consequentemente, ordem de despejo…

Se dispersou carinhos e foi pego em flagrante, engarrafado no tráfego de braços alheios, sem direito a perdão, nem pedido de desculpa…

Se você foi convidado a retirar-se da festa porque se excedeu em cobranças e bebeu demais da taça do afeto e acabou “sobrando”no contexto…

Se você deixou de ser imprescindível, passando a pertencer ao catálogo de móveis e utensílios, a exercício findo, dado por perdido…

Se pediu concordata, não escapou dos prazos e caiu em falência no campo do bem-querer…

Se você perdeu a bússola e quer, a todo o custo, manter o leme na direção certa em meio a raios, trovoadas e vendavais…

Se desligou o piloto automático, perdeu o contato com a torre de controle e está voando por instrumentos…

Se você está se sentindo abandonado numa praia deserta, mesmo hospedado num hotel cinco estrelas com tudo do bom e do melhor…

Se você se identifica com qualquer uma das citações acima e se solidariza com a “liberdade” de estar avulso e descompromissado no seu grupo de adultos…

Você é um dos tantos que sobreviveram ao terremoto que se desencadeia quando têm fim as relações amorosas. E, mesmo não querendo acreditar, você busca; não desejando errar, tropeça; evitando repetir histórias, reincide; fugindo do envolvimento, compartilha.
Na verdade, o que você não consegue é lidar com o término de um “viver a dois” porque colocou um ponto final na frase errada. 

O que acabou não foi o afeto; foi a vida em comum.   Impossível apagar, deletar um sentimento que ainda existe respirando na memória.  As lembranças são o sinal claro que lateja independente da nossa decisão de não mais desejá-lo.  Tudo que ficou impresso em você tem a marca do indelével.
Acontece que a relação interpessoal ficou fora de foco, desfigurou-se.  Desapareceu a sintonia fina, o ponto de equilíbrio, a identificação.

Você é um maior carente, apertando o botão do “tracking” para tentar acertar, dentro do seu visor interior, o semblante sem fantasmas, nem chuviscos.   Você deseja a nitidez de imagem.

Você emancipou o carinho, a ternura, a atenção, o cuidado por si próprio no cartório da experiência e com a carta de alforria, se entrega ao sabor do tempo do vir a ser.

Feliz?  Não sei.  Mas, com certeza, está tentando…

**********************

Palavras_VictorHugo

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Post de Chamalú

DECLARO – ME VIVO

LUIZ ESPINOSA*  ( Chamalú)

Saboreio cada momento.

Antigamente me preocupava

quando os outros falavam mal de mim.

Então fazia o que os outros queriam,

e a minha consciência me censurava.

Entretanto, apesar do meu esforço

para ser bem educado,

alguém sempre me difamava.

Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram

que a vida é apenas um cenário.

Desse momento em diante, atrevo-me a ser como sou.

A árvore anciã me ensinou que somos todos iguais.

Sou guerreiro:

A minha espada é o amor,

o meu escudo é o humor,

    o meu espaço é a coerência,

o meu texto é a liberdade.

Perdoem-me, se a minha felicidade é insuportável,

mas não escolhi o bom senso comum.

Prefiro a imaginação dos índios, que têm embutida a inocência.

É possível que tenhamos que ser apenas humanos.

Sem Amor nada tem sentido,

Sem Amor estamos perdidos,

Sem Amor corremos de novo o risco de estarmos

caminhando de costas para a luz.

Por esta razão é muito importante que

apenas o Amor inspire as nossas ações.

Anseio que descubras a mensagem por detrás das palavras,

não sou um sábio, sou apenas um ser apaixonado pela vida.

A melhor forma de despertar é deixando de questionar

se nossas ações incomodam aqueles que dormem ao nosso lado.

A chegada não importa, o caminho e a meta são a mesma coisa.

Não precisamos correr para algum lugar,

apenas dar cada passo com plena consciência.

Quando somos maiores que aquilo que fazemos,

nada pode nos desequilibrar.

Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores do que nós,

o nosso desequilíbrio está garantido.

É possível que sejamos apenas água fluindo;

o caminho terá que ser feito por nós.

Porém, não permitas que o leito escravize o rio,

ou então, em vez de um caminho, terás um cárcere.

Amo a minha loucura que me vacina contra a estupidez.

Amo o amor que me imuniza contra a infelicidade

que prolifera, infectando almas e atrofiando corações.

As pessoas estão acostumadas com a infelicidade,

que a sensação de felicidade lhes parece estranha.

As pessoas estão tão reprimidas que a ternura espontânea

as incomoda, e o amor lhes inspira desconfiança.

A vida é um cântico à beleza, uma chamada à transparência.

Peço-lhes perdão, mas…

DECLARO – ME  VIVO

* * ** * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

“Soy guerrero:
mi espada es el amor, mi escudo el humor,
mi hogar la coherencia, mi texto la libertad.
Si mi felicidad resulta insoportable, discúlpenme,
no hice de la cordura mi opción.
Prefiero la imaginación a lo indio,
es decir, inocencia incluida”
Chamalú

* * ** * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

*Luis Ernesto Espinoza, índio ”Chamalú” da tribo Quéchua. Esta tribo formava, com os aymarás e os Yuncas, o império Inca. Este texto aplica-se a qualquer campo de reflexão, de qualquer cultura, crença ou religião. Encantador e atual, nos desperta para a essência do verdadeiro, da harmonia e da importância do ser. “Chamalú” é o nome espiritual de Espinoza – nasceu na Bolívia e é considerado educador e terapeuta da alma. Deu mais de 5.000 conferências em 260 cidades pelo mundo e é autor de 39 livros traduzidos em vários idiomas. É o criador da “Comunidade Janajpacha” – Escola de Xamanismo – onde se cultiva o respeito à Terra e se ensina a prática da medicina natural.

Nota:

A cultura quíchua é descendente da inca e habita principalmente a região andina (Equador, Peru e Bolívia). Cerca de 15 milhões de pessoas em sete países (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador e Peru) falam esta língua, das quais quase a metade vive em seis departamentos do Peru, país onde o quíchua é um dos três idiomas oficiais junto com o castelhano e o aimara.
Os quíchuas (também chamado de Quechua ou Quéchua) destacam a comunidade como forma de vida. Em matéria religiosa mantêm um sincretismo entre a tradição inca e o cristianismo. Os aimaras compartilham território com os quíchuas, mas sua maior concentração fica na Bolívia, no Peru, no norte do Chile e na Argentina.

Originalmente, os Incas eram um clã específico entre o povo Quíchua (ou Quéchua), que habitava os Andes. Estes eram uma civilização, de fato, na medida em que construíam e viviam em cidades (diferentemente dos indígenas da Amazônia e do Atlântico). Baseados em Cuzco, eles ascenderam ao poder e formaram um exército poderoso o suficiente para subjugar outras tribos e povos vizinhos, como os aimarás, os chibcha, os moche e os chavín, entre outros.
O Quíchua (Qhichwa Simi ou Runa Simi), também chamado de Quechua ou Quéchua, é uma importante língua indígena da América do Sul, ainda hoje falada por cerca de dez milhões de pessoas de diversos grupos étnicos da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru ao longo dos Andes. Possui vários dialetos inteligíveis entre si. É uma das línguas oficiais de Bolívia, Peru e Equador.

Palavras de Chamalú:

“Aprendí desde joven que principios fundamentales para lãs culturas indígenas son el respeto a la vida, la solidaridad y la reciprocidad y ellas pasaron a ser, parte fundamental de mi vida. Nací en una familia pobre, sin embargo, mis ganas de ayudar a mejorar la calidad de vida de la gente y darse cuenta que la vida, es mucho mas de lo que nos dijeron. Precisaba salir de la pobreza para poder ayudar a los pobres y eso hice. Organicé mi tiempo y energía de tal manera que pudiera tener lo necesario para vivir como quería.

Yo quería vivir viajando, aprendiendo, disfrutando. Quería conocer todo el mundo, escribir libros y compartir vía conferencias, lo que iba aprendiendo. Creo que ayudar a la gente es lo que mas acrecienta mi felicidad. Con esa mentalidad hice varias comunidades ecológicas con recursos propios. Intentamos hacer esto mismo en otros países junto con otra persona soñadora, la realidad nos mostró que el mundo esta peor de lo que imaginábamos y terminamos reciclando sueños y redireccionando voluntades y vocación de servicio.

Todos los recursos que generaba en todos esos años, los compartía y entregaba para hacer las comunidades. Viví para compartir y ayudar al punto de darme cuenta, a mis 50 años, que no tenia casi nada, que todo lo que fui logrando lo iba entregando, creo que descubrí una otra forma de prosperidad en la cual, el capital fundamental es mi felicidad, en especial, mi capacidad de disfrutar la vida con libertad y sin temor a lo que la gente diga.

Casi la totalidad de las cosas que hice en Bolivia, desde infraestructura ecológica traducida en varias casas hasta seminarios y actividad educativa, las hice gratuitamente y a cambio de nada mas, que la felicidad de la gente. Nunca recibí dinero de instituciones o personas para hacer lo que hacía, mi tiempo fue entregado a lo que consideré una misión, tuve miles de alumnos pero nunca dependí de ellos, a diferencia de otros que hacen labor parecida, a mi no me mantenían mis alumnos, yo los mantenía a ellos.

A la fecha he donado casi todo lo que tuve y así soy feliz, creo que la mejor manera de prosperidad, no pasa por cuanto dinero tenemos sino por cuanta calidad tiene nuestra vida y  por la capacidad de ser felices hemos desarrollado.

COMPARTO LUEGO EXISTO.”

SEJAMOSAPÓSTOLOSDAPAZ

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