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Archive for agosto \28\-03:00 2011

Posto texto_Matando um leão por dia

MATANDO UM LEÃO POR DIA

Pierre Schurmann*

Em vez de matar um leão por dia, aprenda a amar o seu.

Outro dia, tive o privilégio de fazer algo que adoro: fui almoçar com um amigo, hoje chegando perto de seus 70 anos. Gosto disso. São raras as chances que temos de escutar suas histórias e absorver um pouco de sabedoria das pessoas que já passaram por grandes experiências nesta vida. Depois de um almoço longo, no qual falamos bem pouco de negócios, mas muito sobre a vida, ele me perguntou sobre meus negócios.

Contei um pouco do que estava fazendo e, meio sem querer, disse a ele: – Pois é. Empresário, hoje, tem de matar um leão por dia.
Sua resposta, rápida e afiada, foi:  – Não mate seu leão. Você deveria mesmo era cuidar dele.
Fiquei surpreso com a resposta e ele provavelmente deve ter notado minha surpresa, pois me disse:
– Deixe-me lhe contar uma história que quero compartilhar com você. Existe um ditado popular antigo que diz que temos de “matar um leão por dia”. E por muitos anos, eu acreditei nisso, e acordava todos os dias querendo encontrar o tal leão. A vida foi passando e muitas vezes me vi repetindo essa frase. Quando cheguei aos 50 anos, meus negócios já tinham crescido e precisava trabalhar um pouco menos, mas sempre me lembrava do tal leão Afinal, quem não se preocupa quando tem de matar um deles por dia?

Pois bem. Cheguei aos meus 60 e decidi que era hora de meus filhos começarem a tocar a firma. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que nenhum dos três estava preparado! A cada desafio que enfrentavam, parecia que iam desmoronar emocionalmente. Para minha tristeza, tive de voltar à frente dos negócios, até conseguir contratar alguém, que hoje é nosso diretor-geral. Este “fracasso” me fez pensar muito. O que fiz de errado no meu plano de sucessão? Hoje, do alto dos meus quase 70 anos, eu tenho uma suspeita: a culpa foi do leão.
Novamente, eu fiz cara de surpreso. O que o leão tinha a ver com a história?
Ele, olhando para o horizonte, como que tentando buscar um passado distante, me disse:
– É. Pode ser que a culpa não seja cem por cento do leão, mas fica mais fácil justificar dessa forma. Porque, desde quando meus filhos eram pequenos, dei tudo para eles. Uma educação excelente, oportunidade de morar no exterior, estágio em empresas de amigos. Mas, ao dar tudo a eles, esqueci-me de dar um leão para cada, que era o mais importante. Meu jovem, aprendi que somos o resultado de nossos desafios. Com grandes desafios, nos tornamos grandes. Com pequenos desafios, nos tornamos pequenos. Aprendi que, quanto mais bravo o leão, mais gratos temos de ser.

Por isso, aprendi a não só respeitar o leão, mas a admirá-lo e a gostar dele. Que a metáfora é importante, mas errônea: não devemos matar um leão por dia, mas sim cuidar do nosso. Porque o dia em que o leão em nossas vidas morre, começamos a morrer junto com ele.
– Depois daquele dia, decidi aprender a amar o meu leão. E o que eram desafios se tornaram oportunidades para crescer, ser mais forte, e “me virar” nesta selva em que vivemos.

 

“A CAPACIDADE DE LUTA QUE HÁ EM VOCÊ, PRECISA DE ADVERSIDADES PARA REVELAR-SE.”

*A Família Schürmann é composta por Vilfredo Schürmann e Heloísa Schürmann, e seus filhos Pierre Schürmann, David Schürmann e Wilhelm Schürmann.
Pierre Schürmann:
Pierre Schürmann nasceu em 1968, no Rio de Janeiro e sempre teve um espírito empreendedor. Embarcou com os pais para a sua primeira volta ao mundo ainda adolescente, com 15 anos. Cursou Administração de Empresas nos Estados Unidos e iniciou sua carreira profissional em 1989 na corretora de valores americana Salomon Smith Barney. Desde 2004 vem se dedicando a projetos na area de marketing e midia.
Como velejar faz parte do seu estilo de vida, sempre que pode participa das aventuras com a família.

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Post texto Lêda Mello__Aceite

    ACEITE A SUA REALIDADE

             Lêda Mello

 

     Embora não pareça, há uma grande dificuldade para se distinguir entre o que é pura imaginação e o que existe, de fato, ou seja, aquilo que se pode sentir, pegar, ver e viver. Como resultado, tenho presenciado muito sofrimento causado pela dificuldade de aceitação da realidade. Pais que não aceitam que os seus filhos cresceram, filhos que não aceitam a indiferença dos pais, casais que não aceitam o fim de um relacionamento e, principalmente, pessoas que não aceitam a realidade de que a vida é dinâmica e que, desta forma, estamos dentro de um processo de contínuas mudanças.
Quando se está fora da realidade, vive-se uma ilusão.

     É preciso saber a diferença entre o que é sonho e o que é ilusão. O sonho é a imaginação trabalhando a partir do que é real, fundamentado no que existe no universo de cada pessoa. A ilusão é a imaginação trabalhando com o utópico, sem fundamento no que é real. O sonho é criação que nasce do aprofundamento das idéias. A ilusão é uma espécie de desvario.

     É possível perceber a ilusão. O caminho do sonho, por mais trabalhoso que o seja, conta com a cumplicidade do que existe. Por este motivo, chega ao seu destino, realizando-se. O que se chama de “sonho impossível” é, na verdade, uma ilusão. É impossível porque briga com a realidade, desloca-se através do que não é, não chega a lugar algum e estaciona no sofrimento.

     A realidade sempre envia sinais de alerta que, reconhecidos, servem para uma mudança de rumos ou para um  despertar das ideias. Eles nos chegam através das pessoas, dos acontecimentos, da observação da natureza das coisas.  É preciso estarmos prontos para captar esses sinais.

     Por diversas razões (detectar uma ilusão é uma delas), costumo chamar a atenção dos meus clientes para alguns questionamentos. Desta forma, conduzo-os à percepção dos sinais das suas próprias realidades. Sugiro que sempre que algo os incomodar, eles parem, reflitam e façam a si mesmos três perguntas:

– O que está acontecendo?
– Por que estou me sentindo assim?
– O que é necessário que eu faça para resolver isto?

      Aceitar a sua realidade passa pelo conhecimento das suas potencialidades e dos seus limites, isto é, saber o que você pode e até onde pode ir. É uma forma de aprendizado que nos capacita a observar, conhecer e avaliar as potencialidades e limites do que está fora de você. 

     O que está fora de você, está fora do seu  controle. É preciso ficar atento para as variáveis que não são possíveis controlar. Aceite-as. Quando você as aceita tem a verdadeira dimensão da sua realidade e, então, cessará uma luta inglória contra o que é real, um adversário muito mais forte do que você.

     Partindo deste ponto, você tem possibilidades de escolher se quer continuar caminhando sobre o fio de uma navalha, vivendo na ilusão, ou se põe os pés no chão e traça um novo modelo para a sua vida, construindo sonhos dentro dos limites do seu possível. Consciente da sua realidade, você terá diante de si um leque de possibilidades do que poderá explorar, construir e, assim, chegar ao destino almejado.

Lêda Yara Motta Mello
Psicoterapeuta Holística
CRT- 41601
Arapiraca (AL) – Brasil
ledayara@terapeutaholistica.com.br
http://ledayara.terapiaholistica.net

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Post_HubertoR__Adeus alma querida

ADEUS, ALMA QUERIDA

Huberto Rohden

 

Adeus, alma querida “Se você ama alguma coisa, deixe-a livre. Se voltar, é sua. Se não voltar, nunca foi.”

Se, no caminho do teu saara, encontrares uma alma que te queira bem, aceita em silêncio o suave ardor da sua benquerença – mas não lhe peças coisa alguma, não exijas, não reclames nada do ente querido.

Recebe com amor o que com amor te é dado – e continua a servir com perfeita humildade e despretensão. Quanto mais querida te for uma alma, tanto menos a explores, tanto mais lhe serve, sem nada esperar em retribuição.

No dia e na hora em que uma alma impuser a outra alma um dever, uma obrigação, começa a agonia do amor, da amizade. Só num clima de absoluta espontaneidade pode viver esta plantinha delicada. E quando então essa alma que te foi querida se afastar de ti – não a retenhas.

Deixa que se vá em plena liberdade. Faze acompanhá-la dos anjos tutelares das tuas preces e saudades, para que em níveas asas a envolvam e de todo mal a defendam – mas não lhe peças que fique contigo. Mais amiga te será ela, em espontânea liberdade, longe de ti – do que em forçada escravidão, perto de ti.

Deixa que ela siga os seus caminhos – ainda que esses caminhos a conduzam aos confins do Universo, à mais extrema distância do teu habitáculo corpóreo.

Se entre essa alma e a tua existir afinidade espiritual, não há distância, não há em todo Universo espaço bastante grande que de ti possa alhear essa alma. Ainda que ela erguesse voo e fixasse o seu tabernáculo para além das últimas praias do Sírio, para além das derradeiras fosforescências da Via Láctea, para além das mais longínquas nebulosas de mundos em formação – contigo estaria essa alma querida…

Mas, se não vigorar afinidade espiritual entre ti e ela, poderá essa alma viver contigo sob o mesmo teto e contigo sentar-se à mesma mesa – não será tua, nem haverá entre vós verdadeira união e felicidade. Para o espírito a proximidade espiritual é tudo – a distância material não é nada.

Compreende, ó homem/mulher – e vai para onde quiseres! Ama – e estarás sempre perto do ente amado… Em todo o Universo… Dentro de ti mesmo…

(Texto extraído do livro De Alma para Alma, de autoria de Huberto Rohden, publicado pela Editora Martin Claret)

Huberto Rohden

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Post texto__Respostas Precisas

[Respostas Precisas]

Martha Medeiros

 

Quem é você?

Do que gosta?

Em que acredita?

O que deseja?

Dia e noite somos questionados, e as respostas costumam ser inteligentes, espirituosas e decentes.

Tudo para causar a melhor impressão aos nossos inquisidores.

Ora, quem sou eu.

Sou do bem, sou honesto, sou perseverante, sou bem-humorado, sou aberto – não costumamos economizar atributos quando se trata da nossa própria descrição.

Do que gostamos?

De coisas belas.

No que acreditamos?

Em dias melhores.

O que desejamos?

A paz universal.

Enquanto isso, o demônio dentro de nós revira o estômago e faz cara de nojo.

É muita santidade para um pobre-diabo, ninguém é tão imaculado assim.

A despeito do nosso inegável talento como divulgadores de nós mesmos e da nossa falta de modéstia ao descrever nosso perfil no Orkut, a verdade é que o que dizemos não tem tanta importância.

Para saber quem somos, basta que se observe o que fizemos da nossa vida.

Os fatos revelam tudo, as atitudes confirmam.

O que você diz – com todo o respeito – é apenas o que você diz.

Entre a data do nosso nascimento e a desconhecida data da nossa morte, acreditamos ainda estar no meio do percurso, então seguimos nos anunciando como bons partidos, incrementamos nossas façanhas, abusamos da retórica como se ela fosse uma espécie de photoshop que pudesse sumir com nossos defeitos.

Mas é na reta final que nosso passado nos calará e responderá por nós.

Quantos amigos você manteve.

Em que consiste sua trajetória amorosa.

Como educou seus filhos.

Quanto houve de alegria no seu cotidiano.

Qual o grau de intimidade e confiança que preservou com seus pais.

Se ficou devendo dinheiro.

Como lidou com tentativas de corrupção.

Em que circunstâncias mentiu.

Como tratou empregados, balconistas, porteiros, garçons.

Que impressão causou nos outros – não naqueles que o conheceram por cinco dias, mas com quem conviveu por 20 anos ou mais.

Quantas pessoas magoou na vida.

Quantas vezes pediu perdão.

Quem vai sentir sua falta.

Pra valer, vamos lá.

Podemos maquiar algumas respostas ou podemos silenciar sobre o que não queremos que venha à tona. Inútil. A soma dos nossos dias assinará este inventário. Fará um levantamento honesto. Cazuza já nos cutucava: suas ideias correspondem aos fatos? De novo: o que a gente diz é apenas o que a gente diz. Lá no finalzinho, a vida que construímos é que se revelará o mais eficiente detector de nossas mentiras.

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Posto de O tempo - Aldo Novak

O Tempo

Razões para rápidos Natais

Aldo Novak*

 

“O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos”. Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio, você começará a perder a noção do tempo. Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea. Então… quando tempo suficiente houver passado, você perderá completamente a noção das horas, dos dias ou anos.

Estou exagerando para efeito didático, mas em essência é o que ocorreria. Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Se alguém tirar estes sinais sensoriais da nossa vida, simplesmente perdemos a noção da passagem do tempo.

Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar: nosso cérebro é extremamente otimizado. Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho. Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia. Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade. Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia. Para que não fiquemos loucos, o cérebro faz parecer que nós não vimos, não sentimos e não vivenciamos aqueles pensamentos automáticos, repetidos, iguais.

Por isso, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo. É quando você se sente mais vivo. Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e “apagando” as experiências duplicadas.

Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.

Quando começamos a dirigir, tudo parece muito complicado, o câmbio, os espelhos, os outros veículos… Nossa atenção parece ser requisitada ao máximo. Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular (proibido no Brasil), ao mesmo tempo. E você usa apenas uma pequena “área” da atenção para isso.

Como acontece? Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa, no lugar de repetir realmente a experiência). Em outras palavras, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para mente.

Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa… são apagados da sua noção de passagem do tempo… Porque estou explicando isso? Que relação tem isso com a aparente aceleração do tempo? Tudo.

A primeira vez que isso me ocorreu foi quando passei três meses nas florestas de New Hampshire, Estados Unidos, morando em uma cabana. Era tudo tão diferente, as pessoas, a paisagem, a língua, que eu tinha dores de cabeça sempre que viajava em uma estrada, porque meu cérebro ficava lendo todas as placas (eu lia mesmo, pois era tudo novidade, para mim). Foram somente três meses, mas ao final do segundo mês eu já me sentia como se estivesse há um ano longe do Brasil. Foi quando comecei a pesquisar a razão dessa diferença de percepção.

Bastou eu voltar ao Brasil e o tempo voltou a “acelerar”. Pelo menos, assim parecia. Veja, quando você começa a repetir algo exatamente igual,a mente apaga a experiência repetida. Conforme envelhecemos, as coisas começam a se repetir – as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações… enfim… as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo. Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.

Em outras palavras, o que faz o tempo  parecer  que  acelera    é     a

r-o-t-i-n-a.

Não me entenda mal. A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida,seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.”

*Aldo Novak, cujo nome completo é Edwaldo Novak Gomes da Silva Júnior (São Roque, 10 de novembro de 1962) é um jornalista, que iniciou a carreira especializando-se em jornalismo aeroespacial e ficção científica, mas que atualmente é mais conhecido por seus textos de gestão pessoal, administração e equilíbrio de vida. Ele também é conhecido, no Brasil, como conferencista e coach e autor do livro “O Segredo para Realizar Seus Sonhos”, da editora Ediouro e do livro “A Vida Não Tem Segredo”, da editora Dreamland.

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