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Archive for outubro \25\UTC 2011

Post Canção dos homens_Talba Phanem

A CANÇÃO DOS HOMENS

Tolba Phanem*

 

Quando uma mulher de certa tribo da África sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres, e juntas rezam e meditam até que aparece ” A canção da criança”.

Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe canta a sua canção.

Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.

Quando chega o momento de seu casamento, a pessoa escuta sua canção.

Finalmente, quando a sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, como em seu nascimento, cantam sua canção para acompanhá-la na “viagem”.

Nesta tribo da África, tem outra ocasião na qual os homens cantam a canção.

Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então lhe cantam “sua canção.”

A tribo reconhece que a correção para as condutas antisociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção, já não temos desejo nem necessidade de prejudicar ninguém.

Teus amigos conhecem a “tua canção”. E a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes, ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quanto te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado, tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.

 

*Poeta africana

LA CANCIÓN DE TU ALMA

Tolba Phanem

Cuando una mujer de cierta tribu de África sabe que está embarazada, se interna en la selva con otras mujeres y juntas rezan y meditan hasta que aparece la canción del niño.

Ellas saben que cada alma tiene su propia vibración que expresa su particularidad, unicidad y propósito. Las mujeres encuentran la canción, la entonan y cantan en voz alta. Luego retornan a la tribu y se la enseñan a todos los demás.

Cuando nace el niño, la comunidad se junta y le canta su canción.

Luego, cuando el niño va a comenzar su educación, el pueblo se junta y le canta su canción.

Cuando se inicia como adulto, nuevamente se juntan todos y le cantan.

Cuando llega el momento de su casamiento, la persona escucha su canción en voz de su pueblo.

Finalmente, cuando el alma va a irse de este mundo, la familia y amigos se acercan a su cama y del mismo modo que hicieron en su nacimiento, le cantan su canción para acompañarle en el viaje.

En esta tribu, hay una ocasión más en la que los pobladores cantan la canción.

Si en algún momento durante su vida la persona comete un crimen o un acto social aberrante, se le lleva al centro del poblado y toda la gente de la comunidad forma un círculo a su alrededor. Entonces… le cantan su canción.

La tribu sabe que la corrección para las conductas antisociales no es el castigo, sino el amor y el recuerdo de su verdadera identidad. Cuando reconocemos nuestra propia canción ya no tenemos deseos ni necesidad de hacer nada que pudiera dañar a otros.

Tus amigos conocen tu canción, y te la cantan cuando la olvidaste. Aquellos que te aman no pueden ser engañados por los errores que cometes o las oscuras imágenes que a veces muestras a los demás. Ellos recuerdan tu belleza cuando te sientes feo, tu totalidad cuando estás quebrado, tu inocencia cuando te sientes culpable, tu propósito cuando estás confundido.

Tolba Phanem2
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Post_GanheiCoragem_RubemAlves_ 1

Ganhei coragem

Rubem Alves

“Mesmo o mais corajoso entre nós só raramente tem coragem para aquilo que ele realmente conhece“, observou Nietzsche. É o meu caso. Muitos pensamentos meus, eu guardei em segredo. Por medo. Albert Camus, ledor de Nietzsche, acrescentou um detalhe acerca da hora quando a coragem chega: “Só tardiamente ganhamos a coragem de assumir aquilo que sabemos“. Tardiamente. Na velhice. Como estou velho, ganhei coragem. Vou dizer aquilo sobre que me calei: “O povo unido jamais será vencido“: é disso que eu tenho medo.

Em tempos passados invocava-se o nome de Deus como fundamento da ordem política. Mas Deus foi exilado e o “povo“ tomou o seu lugar: a democracia é o governo do povo… Não sei se foi bom negócio: o fato é que a vontade do povo, além de não ser confiável, é de uma imensa mediocridade. Basta ver os programas de televisão que o povo prefere.

A Teologia da Libertação sacralizou o povo como instrumento de libertação histórica. Nada mais distante dos textos bíblicos. Na Bíblia o povo e Deus andam sempre em direções opostas. Bastou que Moisés, líder, se distraísse na montanha, para que o povo, na planície, se entregasse à adoração de um bezerro de ouro. Voltando das alturas Moisés ficou tão furioso que quebrou as tábuas com os 10 mandamentos.

E há estória do profeta Oséias, homem apaixonado! Seu coração se derretia ao contemplar o rosto da mulher que amava! Mas ela tinha outras idéias. Amava a prostituição. Pulava de amante a amante enquanto o amor de Oséias pulava de perdão a perdão. Até que ela o abandonou… Passado muito tempo Oséias perambulava solitário pelo mercado de escravos… E que foi que viu? Viu a sua amada sendo vendida como escrava. Oséias não teve dúvidas. Comprou-a e disse: “Agora você será minha para sempre…“

Pois o profeta transformou a sua desdita amorosa numa parábola do amor de Deus. Deus era o amante apaixonado. O povo era a prostituta. Ele amava a prostituta. Mas sabia que ela não era confiável. O povo sempre preferia os falsos profetas aos verdadeiros, porque os falsos profetas lhes contavam mentiras.

As mentiras são doces. A verdade é amarga. Os políticos romanos sabiam que o povo se enrola com pão e circo. No tempo dos romanos o circo era os cristãos sendo devorados pelos leões. E como o povo gostava de ver o sangue e ouvir os gritos!

As coisas mudaram. Os cristãos, de comida para os leões, se transformaram em donos do circo. O circo cristão era diferente: judeus, bruxas e hereges sendo queimados em praças públicas. As praças ficavam apinhadas com o povo em festa, se alegrando com o cheiro de churrasco e os gritos. Reinhold Niebuhr, teólogo moral protestante, no seu livro O homem moral e a sociedade imoral observa que os indivíduos, isolados, têm consciência. São seres morais. Sentem-se “responsáveis“ por aquilo que fazem. Mas quando passam a pertencer a um grupo, a razão é silenciada pelas emoções coletivas. Indivíduos que, isoladamente, são incapazes de fazer mal a uma borboleta, se incorporados a um grupo, tornam-se capazes dos atos mais cruéis. Participam de linchamentos, são capazes de pôr fogo num índio adormecido e de jogar uma bomba no meio da torcida do time rival. Indivíduos são seres morais. Mas o povo não é moral. O povo é uma prostituta que se vende a preço baixo.

Meu amigo Lisâneas Maciel, no meio de uma campanha eleitoral, me dizia que estava difícil porque o outro candidato a deputado comprava os votos do povo por franguinhos da Sadia. E a democracia se faz com os votos do povo… Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade. É sobre esse pressuposto que se constrói o ideal da democracia. Mas uma das características do povo é a facilidade com que ele é enganado. O povo é movido pelo poder das imagens e não pelo poder da razão. Quem decide as eleições – e a democracia – são os produtores de imagens. Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista que produz as imagens mais sedutoras.

O povo não pensa. Somente os indivíduos pensam. Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam a ser assimilados à coletividade. Uma coisa é o ideal democrático, que eu amo. Outra coisa são as práticas de engano pelas quais o povo é seduzido. O povo é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham. Nem Freud, nem Nietzsche e nem Jesus Cristo confiavam no povo. Jesus Cristo foi crucificado pelo voto popular, que elegeu Barrabás. Durante a Revolução Cultural na China de Mao-Tse-Tung, o povo queimava violinos em nome da verdade proletária. Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar. O nazismo era um movimento popular. O povo alemão amava o Führer. O mais famoso dos automóveis foi criado pelo governo alemão para o povo: o Volkswagen. Volk, em alemão, quer dizer “povo“…

O povo unido jamais será vencido! Tenho vários gostos que não são populares. Alguns já me acusaram de gostos aristocráticos… Mas, que posso fazer? Gosto de Bach, de Brahms, de Fernando Pessoa, de Nietzsche, de Saramago, de silêncio, não gosto de churrasco, não gosto de rock, não gosto de música sertaneja, não gosto de futebol (tive a desgraça de viajar por duas vezes, de avião, com um time de futebol…). Tenho medo de que, num eventual triunfo do gosto do povo, eu venha a ser obrigado a queimar os meus gostos e engolir sapos e a brincar de “boca de forno“, à semelhança do que aconteceu na China.

De vez em quando, raramente, o povo fica bonito. Mas, para que esse acontecimento raro aconteça é preciso que um poeta entoe uma canção e o povo escute: “Caminhando e cantando e seguindo a canção…“ Isso é tarefa para os artistas e educadores: O povo que amo não é uma realidade.

É uma esperança.

(Folha de S. Paulo, 05/05/2002)
Fonte: http://www.rubemalves.com.br/ganheicoragem.htm

Gandhi_esperança

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Post_Lêda Mello_Mudar os outros

MUDAR OS OUTROS

Lêda Mello*

 

Cada pessoa é um universo único e particular. Deus, na sua infinita sabedoria, quis que não houvessem dois seres iguais, nem mesmo os filhos que são gerados dentro de nós. É nisto que reside uma das maravilhas do viver: nesta diversidade. Somos todos diferentes uns dos outros e cada um de nós tem potencial para enriquecer a vida do outro. E o que nós fazemos com esta maravilha? Queremos que os outros sejam conforme o nosso molde, que sejam uma cópia nossa. Ora, se nem Deus, na sua infinita sabedoria, quis assim, como poderemos querer que o outro seja de acordo com a nossa vontade? Não conseguiremos. Por conta disto é que um grande número de pessoas tem problemas de relacionamentos.

A sugestão é começar por você mesmo. Observe as suas impressões digitais. Não existe outra pessoa, na Terra inteira, que tenha digitais iguais as suas. Você já verá a primeira grande diferença. Depois, pense na fenômeno da sua geração. Você não tem, apenas, os genes oriundos da sua mãe ou apenas os do seu pai. Tem muito mais! Os genes de cada um deles já são uma combinação dos genes dos pais deles, e os pais deles já vêm com uma outra combinação… e assim a cadeia genética foi se formando, até chegar a você. O seu filho é diferente de você e da outra pessoa que o gerou, ainda que seja filho de vocês dois, porque já trouxe as informações genéticas do pai combinadas com as suas.

Percebe esta individualidade?

De forma semelhante às combinações genéticas acontece com as combinações comportamentais. É um processo semelhante, voltado para os comportamentos. Ou seja, você aprendeu ou decidiu este ou aquele comportamento a partir das suas figuras parentais que, por sua vez, aprenderam ou decidiram a partir das figuras parentais deles e segue a sequencia, cada um deles contribuindo com comportamentos oriundos de meios diferentes, de tal forma que ninguém sabe onde começou este ou aquele comportamento.

Mas eles estão aí.

Portanto, não há como conseguir que duas pessoas sejam iguais ou que sejam conforme a nossa vontade. Cada um tem o seu universo próprio. Ir contra isto é como bater com a cabeça contra a parede: só irá se ferir. Faça uma experiência. Na próxima vez em que você quiser mudanças de outra pessoa, comece por você mesmo. A verdade é que tudo começa a partir de nós mesmos. Comece aceitando que da mesma maneira que você se reserva o direito de ser como é, o outro também tem este mesmo direito. 

O primeiro grande passo para relacionamentos harmoniosos é aceitar o outro como é.

Esta diversidade é ruim? De jeito nenhum! Pelo contrário, é maravilhosa! É uma fonte inesgotável de aprendizagem, de amadurecimento, de enriquecimento espiritual e emocional.

Quando compreendemos o significado das pessoas serem diferentes é como se abrisse um mundo novo, com infinitos recursos para nos conhecermos e nos tornarmos melhores. E os recursos estão aí, por toda parte, sem qualquer ônus, desde não lhes cobremos ônus.

*Lêda Mello: Arapiraca (AL), Terapeuta Holística, poeta, pedagoga.
ledayara@terapeutaholistica.com.br

Ser poeta_LêdaMello

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Post Aldo Novak_Quem decide pode errar

“Quem decide pode errar. Quem não decide, já errou”

Aldo Novak*

Tomar uma decisão, por menor que seja, é como colocar em movimento um enorme relógio, daqueles antigos que ainda hoje estão instalados no topo de igrejas.

Você decide algo e, imediatamente, uma pequena roldana começa a girar. Os dentes da engrenagem se encaixam em outros dentes, movendo-os e empurrando novos dentes de outras engrenagens.

I-n-d-e-f-i-n-i-d-a-m-e-n-t-e.

Pouco a pouco, engrenagens um pouco maiores começam a rodar também, pressionadas pelas “irmãs” menores. Conforme a “dança das alavancas” continua, mais e mais pequenas engrenagens se unem para mover engrenagens cada vez maiores.

O que parece magia, não passa de um princípio descoberto por Arquimedes, que viveu entre 287 e 212 antes de Cristo: “dê-me uma alavanca e um ponto de apoio, e sozinho moverei o mundo“. Não é exagero. É ciência. É um Princípio Natural. Uma engrenagem, por sua vez, não passa de centenas de pequenas alavancas, empurrando alavancas maiores, que por sua vez também empurram alavancas ainda maiores, multiplicando enormemente a força do conjunto.

Isso explica porque pessoas parecidas, que estudaram juntas, aprenderam as mesmas coisas e tiveram oportunidades originais semelhantes, conseguem ter resultados tão diferentes, no curso do tempo. Elas colocaram engrenagens diferentes para funcionar, quase sem notar isso. Algumas das primeiras engrenagens são tão pequenas, tão desprezíveis, que somente muitos anos depois fica claro, para todos, como tudo começou.

Seja em relógios, em caixinhas de música, no movimento das galáxias ou na sua vida, as regras são exatamente as mesmas. Pequenas alavancas, pequenas engrenagens, pequenas forças, todas unidas, fazem girar todo o nosso Universo e, em grande parte, fazem surgir nosso destino.

Muitas engrenagens podem criar pequenos movimentos positivos que, com o tempo, se tornam enormes. Um olhar, entre dois enamorados, pode ser uma pequena engrenagem positiva que mudará destinos e futuros; um livro, pode ser uma pequena engrenagem positiva que abrirá portas ilimitadas; um sorriso verdadeiro, pode ser uma pequena engrenagem positiva que mudará o dia e a vida de pessoas que você nem mesmo sabe que existem;

Por outro lado, muitas engrenagens podem criar pequenos movimentos negativos. Álcool, drogas e violência sempre começam como pequenas engrenagens (ironicamente, aceitas socialmente) e crescem, ao ponto de transformarem vidas. Para pior, muito pior.

Coloque em movimento as engrenagens que potencializarão seu sucesso e sua felicidade. O importante, realmente, é começar. É colocar as pequenas engrenagens para funcionar na direção certa. AGORA.

Uma decisão tem o poder de iniciar o movimento do Universo a seu favor.

Decida estar ao lado da pessoa certa na sua vida; decida ser a pessoa certa de se estar ao lado; decida desligar a televisão e ler algo que possa chacoalhar sua mente; decida fazer o curso, ou o workshop, que tornará você mais capaz, mais hábil, mais completo como pessoa ou como profissional; decida não entrar no jogo dos perdedores, dos maria-vai-com-as-outras, dos que não entendem como funciona a natureza. Decida mandar na sua vida e no seu destino.

Decida o que você diz para as outras pessoas; decida o silêncio; decida o que você come; decida o que você bebe; decida o que você vê; decida o que você pensa; decida rapidamente e, se as engrenagens erradas estiverem rodando, decida mudar imediatamente. Não fique parado. Como disse o maestro Herbert von Karajan, “Quem decide pode errar. Quem não decide, já errou.”

Decida. Por menor que seja a decisão. Decida e vá corrigindo curso de sua vida, com base em suas decisões e nos resultados que forem surgindo. Quem decide pode errar. Quem não decide, já errou.

*Aldo Novak, autor do texto, é coach & conferencista.
Diretor da Academia Novak do Brasil (http://www.academianovak.com.br)

Frase Aldo Novak

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