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Archive for novembro \30\UTC 2011

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                     LIBERTE (-SE)!

                Lêda Mello

Era o meu aniversário e, entre os presentes que recebi, havia um livro* da escritora americana Sue Bender. Um livro simples, não volumoso, mas que me trouxe, entre muitas outras, uma mensagem de vida que levo comigo para onde eu for. Na ocasião, escrevi essa mensagem em um cartão para que a pudesse reler tantas vezes quantas sentisse necessidade. Com o tempo, não mais precisei reler, porque havia decorado o que estava escrito. Mais do que decorado, eu havia colocado na minha vida aquelas regras de ouro. São regras básicas que funcionaram como um ponto de partida para a minha libertação interior. É uma experiência de muitos anos que quero compartilhar com você.

Estava escrito naquele cartão:
“Dê a si mesma a liberdade de ficar desapontada.”
“Dê aos outros a liberdade de não se interessarem pelo que
você está fazendo.

“Dê-lhes a liberdade de não a amarem.”
“Dê-se a si mesma a liberdade para ser quem é em todas
as oitavas, não apenas nas notas mais altas – em toda a     escala de você mesma.”

Quantas vezes nós nos sentimos prisioneiros! Não há grades visíveis, mas elas estão ali, no nosso interior, supostamente intransponíveis, de forma a não sabermos como sair da prisão. Da mesma forma que as grades, na nossa mente existem Mandatos, que também não vemos, em razão de estarem no modo “automático”.  “Em Análise Transacional (AT), as mensagens parentais, chamadas Mandatos, são as responsáveis pela formação do Argumento ou Script de Vida de cada indivíduo. As condutas verbais ou não verbais carregam em seu bojo as condutas gravadas dentro de cada pessoa. Isso significa que cada Mandato gravado corresponde a uma ação em potencial pronta a ser disparada, direcionando o estilo de vida de cada pessoa.” (Dr. José Silveira). A boa notícia é que o que foi escrito pode ser reescrito de outra forma.

“Dê a si mesma a liberdade de ficar desapontada.” – A verdade é que não aceitamos ficar desapontados. Ora, a surpresa, o sucesso desagradável e a decepção fazem parte do processo da vida e quase sempre nos sentimos presos para processar essas experiências. Não obstante isto, surpresas, decepções e acontecimentos desagradáveis acontecerão ao longo da nossa vida e nada, a não ser nós mesmos, nos impede de manifestarmos o nosso desagrado. Assuma o seu desapontamento, resolva-o e aproveite a oportunidade para encontrar dentro de si mesmo quanto você contribuiu para a situação. São excelentes momentos para praticar o autoconhecimento. Esta prática atua como importante exercício de bem estar, ocasionando resoluções produtivas e conscientes acerca de seus variados problemas.

“Dê aos outros a liberdade de não se interessarem pelo que você está fazendo.” – Você há de convir que seja o que for que você fizer está no âmbito do seu interesse. Portanto, é importante para você e não, necessariamente, para os outros. Você é livre para fazer o que quiser, desde que assuma a respectiva responsabilidade. Da mesma forma, as outras pessoas, próximas ou não, são livres para não se interessarem pelo que você faz. Minha filha, quando tinha a idade de 5 anos, deu-me uma lição que muito me tem servido. Certa ocasião, reclamei de algo que ela fizera e, como resposta, com a sabedoria própria das crianças, escutei-a dizer-me, calmamente: “Mãe, cada qual, cada qual.” Ao longo da vida, tenho constatado a utilidade desse raciocínio para muitas situações, inclusive para me libertar da necessidade de receber atenção para tudo o que eu fizer.

“Dê-lhes a liberdade de não a amarem.” – No período da infância, uma das primeiras coisas que aprendemos é a encontrar segurança pessoal no que interpretamos por “ser amado”. No mundo mágico da criança, o amor tem ligação com o sentimento de aprovação, o que a leva a estabelecer valorações e validações de si mesma. Uma correção expressa de forma inadequada, por exemplo, vinda de uma figura parental, pode levar a criança a não se sentir amada. Seus conceitos “Sou bom” e “Não sou bom” estão intimamente ligados a sentir-se aprovada, o que, para ela, significa ser ou não ser amada.

Inserido neste contexto está o sentimento de rejeição. Não é ensinado à criança, por exemplo, que quando ela escuta um “não”, a negativa não é para ela, pessoalmente, mas para o que ela fez ou disse. À medida que os “nãos” sem explicações adequadas vão se sucedendo, o sentimento de inadequação vai aumentando e, a uma certa altura, a criança começa a conhecer o sentimento de rejeição.

Levamos para a vida adulta as experiências vividas na infância e é assim que, sem sabermos como, nos sentimos péssimos quando percebemos que não somos amados por alguém. Levando em conta que as pessoas não estão obrigadas a nos amar, liberte-as desse hipotético compromisso. O que você precisa é se amar muito e bem. Libertando o outro é você quem será livre. Se acontecer de se sentir rejeitado, lembre-se disto: “Se você quer me amar, legal!!! Se você quer me desvalorizar, o problema é seu. Aprendi que somente eu posso me desqualificar.” (Dr. Roberto Shinyashiki)

“Dê-se a si mesma a liberdade para ser quem é em todas as oitavas, não apenas nas notas mais altas – em toda a escala de você mesma.”  – Você é, como todos nós o somos, cheio de virtudes e defeitos, e não precisa ficar o tempo todo querendo criar uma situação ilusória para o que você é. Ser você mesmo é conhecer as suas notas altas e baixas, e cuidar para ser – para você mesmo e não para os outros – o melhor que você puder ser. A aprovação e a amizade reais e verdadeiras são encontradas naqueles que nos aceitam e nos amam como nós somos.

Permita-se ser livre. Liberte o que existe no seu universo. Quanto mais você libertar pessoas, conceitos e coisas, mais livre você será. Liberte-se!

Lêda Yara Motta Mello
Psicoterapeuta Holística
CRT- 41601
Arapiraca (AL) – Brasil
ledayara@terapeutaholistica.com.br
http://ledayara.terapiaholistica.net
* * SOU BEM MAIOR DO QUE ISSO (Sue Bender) – Ed. Sextante
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Post_Jardim_RubemAlves

Jardim

Rubem Alves

Um amigo me disse que o poeta Mallarmé tinha o sonho de escrever um poema de uma palavra só. Ele buscava uma única palavra que contivesse o mundo. T.S. Eliot no seu poema O Rochedo tem um verso que diz que temos “conhecimento de palavras e ignorância da Palavra”. A poesia é uma busca da Palavra essencial, a mais profunda, aquela da qual nasce o universo. Eu acho que Deus, ao criar o universo, pensava numa única palavra: Jardim! Jardim é a imagem de beleza, harmonia, amor, felicidade. Se me fosse dado dizer uma última palavra, uma única palavra, Jardim seria a palavra que eu diria.”

Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma… Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas… São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.

O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.

Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.

Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. Mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: “São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu – constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim da Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada… Um dia você terá saudades… Vocês, então, saberão…” É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constroem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas… O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante… E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido… Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: “Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma…” Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos…

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera… Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios… E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas… Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio… E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius:

Se, no teu centro
um Paraíso não puderes encontrar,
não existe chance alguma de, algum dia,
nele entrar.

Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:

“No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta.”

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: “O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso.” (O retorno eterno, p 65).

fonte: http://www.rubemalves.com.br/jardim.htm; Foto da rosa: Michèle Christine (Pça. da Liberdade, Belo Horizonte, MG

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La Orquesta Sinfónica Nacional, bajo la dirección de Carlos Miguel Prieto, presentó en la Alhóndiga la "Gala Gerschwin".

O PRINCÍPIO 90 / 10

Stephen Covey*

Que princípio é este? Os 10% da vida estão relacionados com o que se passa com você, os outros 90% da vida estão relacionados com a forma como você reage ao que se passa com você.

O que isto quer dizer? Realmente, nós não temos controle sobre 10% do que nos sucede.

Não podemos evitar que o carro enguice, que o avião atrase, que o semáforo fique no vermelho. Mas, você é quem determinará os outros 90%.

Como? Com sua reação.

Exemplo: você está tomando o café da manhã com sua família.

Sua filha, ao pegar a xícara, deixa o café cair na sua camisa branca de trabalho.

Você não tem controle sobre isto. O que acontecerá em seguida será determinado por sua reação.

Então, você se irrita. Repreende severamente sua filha e ela começa a chorar.

Você censura sua esposa por ter colocado a xícara muito na beirada da mesa. E tem prosseguimento uma batalha verbal.

Contrariado e resmungando, você vai mudar de camisa. Quando volta, encontra sua filha chorando mais ainda e ela acaba perdendo o ônibus para a escola.

Sua esposa vai para o trabalho também contrariada. Você tem de levar sua filha, de carro, pra escola. Como está atrasado, dirige em alta velocidade e é multado. Depois de 15 min. de atraso, uma discussão com o guarda de trânsito e uma multa, vocês chegam à escola, onde sua filha entra sem se despedir de você. Ao chegar atrasado ao escritório, você percebe que se esqueceu de sua maleta.

Seu dia começou mal e parece que ficará pior. Você fica ansioso para o dia acabar e quando chega em casa, sua esposa e filha estão de cara fechada, em silêncio e frias com você. Por quê? Por causa de sua reação ao acontecido no café da manhã.

Pense: por que seu dia foi péssimo?

A) por causa do café?
B) por causa de sua filha?
C) por causa de sua esposa?
D) por causa da multa de trânsito?
E) por sua causa?

A resposta correta é a E.

Você não teve controle sobre o que aconteceu com o café, mas o modo como você reagiu naqueles 5 minutos foi o que deixou seu dia ruim.

O café cai na sua camisa. Sua filha começa a chorar. Então, você diz a ela, gentilmente: “Está bem, querida, você só precisa ter mais cuidado”.

Depois de pegar outra camisa e a pasta executiva, você volta, olha pela janela e vê sua filha pegando o ônibus.

Dá um sorriso e ela retribui, dando adeus com a mão.

Notou a diferença? Duas situações iguais, que terminam muito diferentes. Por quê? Porque os outros 90% são determinados por sua reação.

Aqui temos um exemplo de como aplicar o Princípio 90/10. Se alguém diz algo negativo sobre você, não leve a sério, não deixe que os comentários negativos te afetem. Reaja apropriadamente e seu dia não ficará arruinado.

Como reagir a alguém que te atrapalha no trânsito? Você fica transtornado?

Golpeia o volante? Xinga? Sua pressão sobe? O que acontece se você perder o emprego? Por que perder o sono e ficar tão chateado? Isto não funcionará. Use a energia da preocupação para procurar outro trabalho.

Seu voo está atrasado, vai atrapalhar a sua programação do dia. Por que manifestar frustração com o funcionário do aeroporto? Ele não pode fazer nada.

Use seu tempo para estudar, conhecer os outros passageiros. Estressar-se só piora as coisas.

Agora que você já conhece o Princípio 90/10, utilize-o. Você se surpreenderá com os resultados e não se arrependerá de usá-lo.
Milhares de pessoas estão sofrendo de um stress que não vale a pena, sofrimentos, problemas e dores de cabeça.
Todos devemos conhecer e praticar o Princípio 90/10.

Pode mudar a sua vida!

Para complementar o texto, segue uma historinha…

O colunista Sydney Harris acompanhava um amigo à banca de jornal. O amigo cumprimentou o jornaleiro amavelmente, mas como retorno recebeu um tratamento rude e grosseiro. Pegando o jornal que foi atirado em sua direção, o amigo de Sydney sorriu atenciosamente e desejou ao jornaleiro um bom final de semana. Quando os dois amigos desciam pela rua, o colunista perguntou:

– Ele sempre te trata com tanta grosseria?
– Sim, infelizmente é sempre assim.
– E você é sempre tão atencioso e amável com ele?
– Sim, sou.
– Por que você é tão educado, já que ele é tão rude com você?
– “Porque não quero que ele decida como eu devo agir. Nós somos nossos próprios donos”.

Não devemos nos curvar diante de qualquer vento que sopra, nem estar à mercê do mau humor, da mesquinharia, da impaciência e da raiva dos outros.

Não são os ambientes que nos transformam, e sim nós que transformamos os ambientes.

NINGUÉM PODE ESTRAGAR O SEU DIA, A MENOS QUE VOCÊ PERMITA!

 

*Stephen R. Covey (Nascido em 24 de Outubro de 1932 em Salt Lake City, Utah) é autor do best-seller administrativo (classificado por alguns como livro de autoajuda) Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes, publicado pela primeira vez em 1989, como também do livro (Primeiro o Mais Importante), dentre outros. Ele é fundador da Covey Leadership Center em Salt Lake City, Utah, e da “Covey” de FranklinCovey Corporation, que ensina a como fazer planejamentos nas organizações.
Stephen Covey_o princípio 90_10

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