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Archive for agosto \27\-03:00 2014

Post_Aldo_Novak_Silencio_dos_lobos

 

O silêncio dos lobos

(Aldo Novak )

Pense em alguém que seja poderoso…Essa pessoa briga e grita como uma galinha, ou olha e silencia como um lobo?

Lobos não gritam. Eles têm a aura de força e poder. Observam em silêncio.

Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio. Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas. Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.

Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.

Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.

Olhe. Sorria. Silencie. Vá em frente.

Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar. Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.

Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) ideia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques. Não é verdade!

Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir. Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal. Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça. Você pode escolher o silêncio.

Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenócrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: “Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio”.

Responda com o silêncio, quando for necessário.

Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.

Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos.

Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.

E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.

Casimiro_de_Brito_O_Silêncio

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Post_José_Luiz_Tejon_Pai e Filho
Na foto: meu avô, meu pai, meu irmão  (pais) — Godefroid

Pai e filho, filho e pai.

José Luiz Tejon*

11/08/2014 – Revista Exame

Uma coisa fundamental de um pai para um filho é ensinar a ele coragem, porque sem coragem nós vamos ficar debilitados em quase tudo na vida. Meu pai Antonio, meu pai adotivo, me levava na praia de Santos, onde eu nasci, e me ensinou a nadar e um dia me levou numa rocha no mar, em que as ondas batiam e me disse assim: “filho, a única forma de você não morrer em uma pedra onde as ondas batem é você aprender a mergulhar nelas, antes que elas cheguem em você em cima da pedra. Meu pai me ensinou coragem.

E uma outra coisa muito importante que um pai precisa ensinar a uma criança é que ela guarde e preserve dentro de si, eternamente, aquela mesma criança que ela foi um dia.

O pai que fica é o pai invisível. Quando meu pai morreu, trabalhando como cobrador da portuguesa santista, com sua bicicleta no centro da cidade de Santos, a força de seus valores como nunca, dentro de mim, viveu. O meu choro era o de ficar sem o meu melhor e o maior amigo.

Meu pai Antonio era o meu amigo Nº1. E senti a saudade do grande amigo. As lembranças eternas das conversas sobre a 2ª Guerra Mundial, do futebol, do cantar ao desafio como nas aldeias portuguesas. Senti saudades dos seus ensinamentos sobre as lutas de pau, e o saber se defender nas ruas.

Essa força eterna da vida de um homem fica para o infinito, pois quanto mais o tempo passa, e hoje eu já avô, os legítimos valores e a essência da presença dele seguem cada vez mais vivas, em mim. E guardo a sensação e a esperança de que na hora do meu desenlace, quando a finitude da nossa vida for se conectar à infinitude do plasma universal, lá possa estar com os braços abertos, esse meu querido pai adotivo.

E quem é o legítimo pai? Aquele que acolhe. O poder do acolhimento, o esforço da educação, a orientação para nossa convivência e inserção na sociedade e a libertação. Isso faz o pai.

Nobre missão: preparar para libertar. Pais que amam filhos, libertam. Pais que amam a si mesmos, aprisionam. Portanto, pai e filho e filho e pai, coragem e a preservação eterna da criança que precisa viver dentro de nós para todo o sempre.

Nota: Minha homenagem ao Dia dos Pais

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