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Archive for novembro \30\UTC 2014

Post_Reencarnações

REENCARNAÇÕES

Jenny Londoño*

*15 de Março de 2012 – Reencarnações – América Latina no Feminino

Em 1952, em Guayaquil, Equador, nasceu Jenny Londoño, hoje professora, socióloga, ativista na luta pelos direitos e igualdade entre homens e mulheres. Em 1992, o poema Reencarnações, que aqui se transcreve, obteve o primeiro prêmio no concurso de poesia “Gabriela Mistral”, realizado em Quito, Equador.

Venho desde ontem, do passado obscuro,
com as mãos atadas pelo tempo,
com a boca selada desde épocas remotas.

Venho carregada de dores antigas
recolhidas por séculos,
arrastando correntes longas e indestrutíveis.

Venho do fundo do poço do esquecimento,
com o silêncio às costas,
com o medo ancestral que tem corroído a minha alma
desde o princípio dos tempos.

Venho de ser escrava por milênios.
Submetida ao desejo do meu raptor na Pérsia,
escravizada na Grécia pelo poder romano,
convertida em vestal nas terras do Egito,
oferecida aos deuses em ritos milenares,
vendida no deserto
ou avaliada como uma mercadoria.

Venho de ser apedrejada por adúltera
nas ruas de Jerusalém,
por uma turba de hipócritas,
pecadores de todas as espécies
que clamavam aos céus o meu castigo.

Fui mutilada em muitos povos
para privar o meu corpo de prazeres
e convertida em animal de carga,
trabalhadora e parideira da espécie.

Violaram-me sem limites
em todos os cantos do planeta,
sem que conte a minha idade madura ou tenra
ou importe a minha cor ou estatura.

Tive que servir ontem aos senhores,
submeter-me aos seus desejos,
entregar-me, doar-me, destruir-me
esquecer-me de ser uma entre milhares.

Fui barregã de um senhor de Castela,
esposa de um marquês
e concubina de um comerciante grego,
prostituta em Bombaim e nas Filipinas
e sempre foi igual o meu tratamento.

De uns e de outros, sempre escrava,
de uns e de outros, dependente.
Menor de idade em todos os assuntos.
Invisível na história mais longínqua,
esquecida na história mais recente.

Eu não tive a luz do alfabeto
durante muitos séculos.
Adubei com as minhas lágrimas a terra
que devia cultivar desde a infância.

Percorri o mundo em milhares de vidas
que me foram entregues uma a uma
e conheci todos os homens do planeta:
os grandes e pequenos, os bravos e covardes,
os vis, os honestos, os bons, os terríveis.

Mas quase todos levam a marca dos tempos.
Uns manejam vidas como amos e senhores,
asfixiam, aprisionam, sugam e aniquilam;
outros manejam almas, negociam com ideias
assustam ou seduzem, manipulam e oprimem.

Uns contam as horas com o fio da fome
atravessado no meio da angústia.
Outros viajam nus pelo seu próprio deserto
e dormem com a morte metade do dia.

Conheço-os a todos.
Estive perto de uns e de outros,
servindo cada dia, recolhendo migalhas,
baixando a cabeça a cada passo, cumprindo o meu carma.

Percorri todos os caminhos.
Arranhei paredes e ensaiei silêncios,
tratando de cumprir as ordens
de ser como eles querem,
mas não o consegui.

Jamais se permitiu que eu escolhesse
o rumo da minha vida
e caminhei sempre numa alternativa:
ser santa ou prostituta.

Conheci o ódio dos inquisidores,
que em nome da “santa madre Igreja”
condenaram o meu corpo ao seu serviço
ou às infames chamas da fogueira.

Chamaram-me de múltiplas maneiras:
bruxa, louca, adivinha, pervertida,
aliada de Satanás,
escrava da carne,
sedutora, ninfomaníaca,
culpada de todos os males da terra.

Mas continuei vivendo,
arando, colhendo, costurando,
construindo, cozinhando, tecendo,
curando, protegendo, parindo,
criando, amamentando, cuidando
e, sobretudo, amando.

Povoei a terra de senhores e de escravos,
de ricos e mendigos, de gênios e de idiotas,
mas todos tiveram o calor do meu ventre,
o meu sangue e o seu alimento
e levaram com eles um pouco da minha vida.

Consegui sobreviver à conquista
brutal e desapiedada de Castela
nas terras da América,
mas perdi os meus deuses e a minha terra
e o meu ventre pariu gente mestiça
depois do castelhano me tomar à força.

E neste continente manchado
prossegui a minha existência,
carregada de dores quotidianas.
Negra e escrava no meio da fazenda
vi-me obrigada a receber o amo
quantas vezes ele quisesse,
sem poder expressar nenhuma queixa

Depois fui costureira,
camponesa, servente, lavradora,
mãe de muitos filhos miseráveis,
vendedora ambulante, curandeira,
cuidadora de meninos ou anciãos,
artesã de mãos prodigiosas,
tecelã, bordadeira, operária,
professora, secretária, enfermeira.

Sempre servindo todos,
convertida em abelha ou sementeira,
cumprindo as tarefas mais ingratas,
moldada como um cântaro por mãos alheias.

E um dia doí-me das minhas angústias,
um dia cansei-me das minhas azáfamas,
abandonei o deserto e o oceano,
desci da montanha,
atravessei as selvas e as fronteiras
e converti a minha voz doce e tranquila
em sopro de vento
em grito universal e enlouquecido.

E convoquei a viúva, a casada,
a mulher do povo, a solteira,
a mãe angustiada,
a feia, a recém-parida,
a violada, a triste, a calada,
a formosa, a pobre, a aflita,
a ignorante, a fiel, a enganada,
a prostituída.

Vieram milhares de mulheres juntas
escutarem a minhas arengas.
Falou-se de dores milenares,
de longos grilhões
que os séculos nos fizeram carregar às costas.

E formamos com todas as nossas queixas
um caudaloso rio que começou a percorrer o universo,
afogando a injustiça e o esquecimento.
O mundo ficou paralisado
‘Os homens sem mulheres não caminham!’

Pararam as máquinas, os tornos,
os grandes edifícios e as fábricas,
ministérios e hotéis, oficinas e escritórios,
hospitais e lojas, lares e cozinhas.

As mulheres – por fim, descobrimo-lo
‘Somos tão poderosas como eles
e somos muitas mais sobre a terra!
Mais que o silêncio, mais que o sofrimento!
Mais que a infâmia e mais que a miséria!’

Que este cântico ressoe
nas longínquas terras da Indochina,
nas areias cálidas de África,
no Alasca ou na América Latina.

Que o homem e a mulher se apropriem
da noite e do dia,
que se juntem os sonhos e os gozos
e se aniquile o tempo da fome e da seca.

Que se quebrem os dogmas e o amor brote novo.
Homem e mulher, lançando a semente,
mulher e homem de mãos dadas,
dois seres únicos, diferentes, mas iguais.

[Tradução do Espanhol: Maria E. Catela]

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Post_ManoelBarros_Pássaros e lírios

Gratuidade das aves e dos lírios

Manoel de Barros*

Campo Grande, 27 de outubro de 1999

Sempre que a gratuidade pousa em minhas palavras,
elas são abençoadas por pássaros e por lírios.

Os pássaros conduzem o homem para o azul,
para as águas,para as árvores e para o amor.

Ser escolhido por um pássaro para ser a árvore dele:
eis o orgulho de uma árvore.

Ser ferido de silêncio pelo voo dos pássaros:
eis o esplendor do silêncio.

Ser escolhido pelas garças para ser o rio delas:
eis a vaidade dos rios.

Por outro lado, o orgulho dos brejos
é o de serem escolhidos por lírios
que lhes entregarão a inocência.

(Sei entrementes que a ciência faz cópia de ovelhas
Que a ciência produz seres em vidros
Louvo a ciência por seus benefícios à humanidade
Mas não concordo que a ciência
não se aplique em reproduzir encantamentos).

Por quê não medir, por exemplo,
a extensão do exílio das cigarras?

Por quê não medir a relação de amor
que os pássaros têm com as brisas da manhã?

Por quê não medir a amorosa penetração
das chuvas no centro da terra?

Eu queria aprofundar o que não sei,
como fazem os cientistas,
mas só na área de encantamentos.

Queria que um ferrolho fechasse o meu silêncio,
para eu sentir melhor as coisas increadas.

Queria poder ouvir as conchas
quando elas se desprendem da existência.

Queria descobrir por quê os pássaros escolhem
a amplidão para viver enquanto os homens
escolhem ficar encerrados em suas paredes?

Sou leso em tratagem com máquina;
mas inventei, para meu gasto,
um Aferidor de Encantamentos.

Queria medir os encantos
que existem nas coisas sem importância.

Eu descobri que o sol, o mar, as árvores e os arrebóis
são mais enriquecidos pelos pássaros do que pelos homens.

Eu descobri, com o meu Aferidor de Encantamentos,
que as violetas e as rosas e as acácias são mais filiadas
dos pássaros do que os cientistas.

Porque eu entendo, desde a minha pobre percepção,
que o vencedor, no fim das contas, é aquele que atinge
o inútil dos pássaros e dos lírios do campo.

Ah, que estas palavras gratuitas
possam agora servir de abrigo para todos os pássaros do mundo!

*Faleceu, aos 97 anos, no dia 13 de novembro de 2014, o poeta Manoel de Barros em Campo Grande. Filho de João Venceslau Barros, capataz na região, Manoel se mudou para Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense, onde passou a infância. Nos últimos anos, o poeta morou em Campo Grande e levou uma vida reclusa ao lado da esposa. Manoel Wenceslau Leite de Barros era advogado, fazendeiro e poeta. Nasceu em Cuiabá, no Beco da Marinha, às margens do rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916.

Obs.: Este texto foi uma sugestão do poeta Alceu que homenageou Manoel de Barros com o repasse do mesmo. Obrigada, poeta! Fiz a mesma coisa, afinal ideias boas a gente as segue.

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Post__Martha Medeiros___FELICIDADE REALISTA

“FELICIDADE REALISTA”
( Martha Medeiros )

A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.  Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor… não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma bênção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se.

Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Frase_mude sempre_final de texto_blog

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Post_Plenitude_Chopra

Plenitude

(Deepak Chopra)

  • 1. Reconheça que existe um poder superior no universo, maior do que a pequena existência humana.
    Plenitude – Você se torna mais humilde.
  • 2. Aproveite as oportunidades de colocar mais amor no mundo.
    Plenitude – Você se torna mais adorável.
  • 3. Reserve alguns minutos do dia para refletir ou contemplar algo belo.
    Plenitude – Você se torna mais forte.
  • 4. Seja mais receptivo.
    Plenitude – Você se torna mais gracioso.
  • 5. Perdoe alguém que você não perdoaria.
    Plenitude – Você se torna mais generoso.
  • 6. Reconheça seus erros.
    Plenitude – Você se torna mais responsável.
  • 7. Tente enxergar o lado bom dos outros.
    Plenitude – Você se torna mais positivo.
  • 8. Reflita sobre o seu modo de pensar e de agir.
    Plenitude – Você se torna mais centrado.
  • 9. Abençoe o mundo.
    Plenitude – Você se torna uma bênção.
  • 10. Dê o melhor de si em cada relação.
    Plenitude – Você se torna mais amoroso e próximo de Deus.

Deepak_Chopra_Relacionamento

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