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Archive for maio \29\UTC 2019

Post2_Sònia Hurtado_Fechar Ciclos

“Cerrar Ciclos”  (Fechar Ciclos)*

Sonia Hurtado

 

 

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Sonia Hurtado

Enviado por SBernardelli em 27/12/2008
Reeditado em 13/05/2015
Código do texto: T1355499
Classificação de conteúdo: seguro

Obs:(Autor: Paulo Coelho já admitiu no prefácio de um dos seus livros que não é dele a autoria Encerrando Ciclos)

*A Verdadeira autora da crônica Encerrando Ciclos
Dessa vez quem vos escreve é a jornalista colombiana Sonia Hurtado (brigas autorais à parte), com Paulo Coelho.  O texto fala de fases e de como devemos aprender a aceitar que elas passam. Fala de um sentimento, o de perda, que todos nós temos, mas que ainda não aprendemos a lidar com ele.
Copiado de : http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1355499
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Post_Teilhard de Chardin__A FELICIDADE

A FELICIDADE

Pierre Teilhard de Chardin

 

 

Segundo o jesuíta a felicidade do homem está inscrita na vida do mundo e se harmoniza na sabedoria e no ritmo da criação

Segundo o jesuíta Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), geólogo e paleontólogo, a felicidade do homem está inscrita na vida do mundo e se harmoniza na sabedoria e no ritmo da criação. A felicidade plena pode ser vivida através da criatividade, do amor e da adoração.

Em 1942, quando Teilhard de Chardin era exilado no Oriente, escreveu uma meditação sobre a felicidade, traduzida em italiano pela primeira vez em 1970 no volume: “O Jesuíta proibido – Vida e Obra de Pierre Teilhard de Chardin”, Giancarlo Vigorelli, 1970.

Os homens, segundo o jesuíta, dividem-se em três grupos que partem para escalar uma montanha…

“Alguns não estão irritados pela partida”. O sol brilha, a vista é bela. Mas para que subir mais alto? Não é melhor aproveitar a montanha onde nos encontramos, em meio aos prados e no bosque? E se deitam sobre a grama, ou exploram ao redor, esperando a hora do piquenique. Os últimos, enfim, os verdadeiros alpinistas, não tiram os olhos dos picos que decidiram subir. E seguem adiante.

Os cansados, os brincalhões, os fervorosos. Três tipos de homem, que cada um de nós traz em semente no profundo de si mesmo, e entre os quais, desde sempre, divide-se a humanidade que nos circunda.

Os cansados (ou os pessimistas), para começar.

Para esta categoria de homens, existir é um erro, ou um falimento. Somos mal comprometidos, e por consequência se trata de abandonar o jogo o mais rápido possível. Levado ao extremo e colocado em uma doutrina sábia, esta atitude resulta da sabedoria hindu, pela qual o Universo é uma ilusão e uma cadeia. Mas de modo mais amortecido e comum, a mesma disposição se encontra e se revela em um mar de julgamentos práticos que bem conheceis. ‘Que sentido tem buscar? Por que não deixam os selvagens seu mundo selvagem e os ignorantes a ignorância? O que quer dizer a Ciência? Não se está melhor deitado que em pé? Mortos, ao invés de mentir?’ Tudo isso significa, ao menos implicitamente, que é preferível ser menos que mais; melhor ainda, não ser absoluto.

Os brincalhões (ou os foliões)

Para estes homens da segunda espécie, é melhor ser que não ser. Mas, estejamos atentos, “ser” tem um sentido todo particular. Ser, viver, para os discípulos desta escola, não é agir, mas curtir o presente. Curtir cada momento e cada coisa zelosamente, sem perder nada, e, sobretudo sem se preocupar em mudar atitude: nisto consiste a sabedoria. Não se arrisca nada pelo futuro, a menos que para um excesso de refinamento. Não se envenena apreciando o risco pelo risco, para provar o prazer de ousar ou sentir a emoção do medo.

Assim é para nós, de uma forma simplificada, o antigo hedonismo pagão de Epicuro. E não muito tempo atrás, nos círculos literários, esta era a mesma tendência de Paul Morand, ou de um Montherrant, ou mais sutil, de um Gide, pelo qual o ideal da vida é beber sem nunca acabar com a própria sede. Não para retomar a forma, mas para estar pronto a curvar-se mais e rapidamente sobre qualquer nova fonte.

Os fervorosos

Aqui me refiro àqueles pelos quais a vida é uma subida e uma descoberta. Para os homens que formam esta terceira categoria não somente é melhor ser que não ser, mas é sempre a possibilidade – e é a única que interessa – de se tornar alguma coisa a mais. Para estes conquistadores apaixonados de aventura, o ser é inesgotável – não à maneira de Gide, como uma joia de mil facetas, que se pode girar em todos os versos sem nunca se cansar, mas como um fogo de calor e de luz, ao qual é possível aproximar-se sempre mais. Pode-se importunar estes homens, tratá-los de ingênuos ou achá-los chatos. Mas depois de tudo são eles que nos fizeram e que preparam a Terra do Amanhã.

Bouquet de Cravos & Conchavos, abril/2019
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