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Além do olhar

Adriane Albuquerque Cirelli

A vida agitada e sofisticada do cotidiano nos leva a desprezar a simplicidade de tantos e tantos momentos e pessoas. Entre esses momentos está a contem­plação, o olhar nos olhos do outro que pode ser o ser amado, o filho, a esposa, o aluno, a professora.

Os olhos não mentem, diziam nossos antepassados. Porém, com o avanço tecnológico e o distanciamento das relações interpessoais, a simplicidade do pres­tar atenção nos olhos do próximo deixou de existir.

Qual é a mãe que já não olhou firmemente nos olhos do filho sapeca e per­guntou: o que você fez?

Qual é o namorado que já não fitou os olhos da amada e questionou: por que você está triste?

Qual é o professor que já não olhou nos olhos de um aluno e percebeu que não havia aprendido a lição?

Qual é a mulher que já não se sentiu denunciada pelos olhos molhados pelas lágrimas?

Qual é o bebê que não recebeu todo o carinho após olhar firmemente para alguém?

O olhar abre caminhos, denuncia o interior. Reprime e aprova sem que ne­nhum músculo do rosto se mexa.

O olhar dos curiosos inicia as investigações. O olhar dos cientistas inaugura as pesquisas. O olhar dos apaixonados incendeia um romance. O olhar de uma mulher abre sua infelicidade. O olhar de uma criança transborda energia.

Olhar abre ou fecha um relacionamento. Por que alguns professores têm olhares tão diferentes sobre um mesmo aluno? Será que o olhar é físico ou men­tal? Por que acontece de um pai olhar um filho tão diferente de uma mãe?

Por que algumas pessoas têm dificuldades em olhar nos olhos quando con­versam ou quando encontram alguém?

Evoluímos para a comunicação simultânea, avançamos distâncias e rompe­mos barreiras até universais. Utilizamos celulares, tablets, black berrys e muito mais, mas deixamos de utilizar um dos nossos órgãos dos sentidos.

A medicina evoluiu para os grandes exames diagnósticos, mas muitas vezes falta o olhar, o apertar a mão olhando nos olhos de quem sente dor.

Os professores levaram a multimídia para a sala de aula, mas não têm tempo de olhar nos olhos do aluno que não consegue aprender.

Os pais encheram as casas de televisores e computadores, mas se esqueceram de olhar nos olhos dos adolescentes que pedem orientação e apoio.

As mães estão correndo demais para olhar através dos olhos dos pequenos.

Os maridos estão estressados demais para olharem para os olhos das esposas que gritam pedindo atenção.

O olhar é a porta de entrada da alma. Somente os observadores e sensí­veis penetram neste infinito universo que é o ser humano. Alguns seres humanos passam a vida toda sem olhar para ninguém. Nasceram para o espelho. Algumas pessoas já sofreram tanto que nem mais levantam o olhar para a vida enquanto cegos enxergam pelo tom da voz, pelo compasso da fala.

Além do olhar encontramos muitas e muitas respostas que procuramos há algum tempo. Se soubéssemos ler os olhos, talvez nem precisássemos de palavras.

Se houvesse tempo e atenção para o olhar, talvez as pessoas fossem mais felizes!

Gandhi_mudar e mudar o mundo

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