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Quando mudar é preciso

Adriane Albuquerque Cirelli

Nada é mais difícil de realizar, mais perigoso de conduzir ou mais incerto quanto ao seu êxito do que iniciar a introdução de uma nova ordem das coisas, pois a inovação tem como inimigos todos aqueles que prosperam sob as condições antigas e como amigos todos aqueles que podem se dar bem nas novas condições.”

Niccoló Machiavelli

As mudanças acontecem na história de vida dos seres humanos desde a con­cepção com o aumento gradativo do número de células. O nascimento já marca a grande mudança do interior do corpo da mãe para o grande e desconhecido exterior.

Daí para frente, a vida pode ser encarada como uma sucessão de mudanças, do colo para o chão, do bebê que só recebe cuidados à criança exposta às regras e limites, do berço para a cama, da educação infantil para o ensino fundamental, da infância para a adolescência, do ensino médio à universidade, da vida de solteiro para a vida de casado.

Além das mudanças ligadas à idade cronológica, os pequeninos enfrentam desde cedo as mudanças de emprego dos pais, as mudanças de residências, de ci­dades, de chegada dos irmãos, de falecimento de pessoas queridas e tantas outras que compõem uma dinâmica de vida nada estática.

Nas mudanças perdemos e ganhamos em um dialético processo que envolve mortes e ressurreições. Deixamos algo para trás e adquirimos algo do novo que chega. Saímos de uma situação acomodada do costumeiro cotidiano para mergu­lharmos na escuridão do desconhecido.

Quando um jovem é aprovado no exame do vestibular, ganha uma vida uni­versitária, mas perde o ensino médio, os amigos que conviveu desde a infância, a escola tão conhecida, os professores tão admirados. Os pais comemoram a apro­vação do filho no tão concorrido e sonhado concurso, mas choram a ausência do filho na rotina familiar, o quarto vazio, o lugar à mesa desocupado.

Mudar significa acompanhar as transformações. Podemos imaginar a vida de uma empresa sem prever mudanças, adaptações, sem acompanhar as rápidas e profundas transformações mundiais? O mesmo acontece no indivíduo, que pre­cisa assumir novos desafios a cada momento.

Podemos mudar para uma proposta melhor, desafiadora, como uma nova fun­ção, uma nova cidade ou uma proposta de adaptação da realidade, a morte de um ente querido, a dificuldade financeira que trouxe uma casa menor, um carro mais antigo.

Mudança prevê resistência, competência, medo de desconhecido, enfrenta­mento da nova realidade, capacidade de criar alternativas, de fazer novos amigos, de andar por outros caminhos, de se comunicar de uma outra forma e a mais difícil e complexa das mudanças, a mudança interior.

O ser humano só muda se a mudança já aconteceu em seu interior, caso con­trário, a mudança será intelectualizada. As mudanças na maneira de sentir são as que alteram definitivamente o comportamento.

Se mudar é difícil, muito mais difícil é preparar os filhos para as mudanças, mesmo porque muitas vezes a mudança independe da nossa vontade. O grande segredo é a mudança interior, uma vez concretizada, todas as outras acontecerão com menos dor e mais prazer.

É válido lembrar que qualquer que seja a mudança há sempre o que permanece intacto, a nossa escala de valores.

Quando mudar é preciso, acreditar que a ressurreição nasce de um processo de cruz dá nova cor aos dias que virão. Enfrentar a mudança com coragem espi­ritual é o início do processo de vitórias. Afinal, não há energia mais eficiente para alimentar todas as mudanças que acreditar que essas mudanças são presentes de DEUS em nossas vidas.

 *Adriane Albuquerque Cirelli nasceu em São José do Rio Preto, SP. Sua primeira graduação foi em Letras pela UNESP e posteriormente Pedagogia pela UNORP. Aos dezesseis anos iniciou suas atividades como professora de música, e, além disso, também coordenou grupo de professores e foi diretora pedagógica. Foi, então, impulsionada a unir seu saber acadêmico à experiência de vida. Adriane já atuou como psicopedagoga hospitalar, clínica e institucional. É palestrante e escritora.
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