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Archive for the ‘Frei Claudio Van Balem – O mistério de Deus’ Category

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O   M I S T É R I O   D E   D E U S

Frei Claudio Van Balem

Se Deus existe ou não existe

– à luz da razão humana –

isto permanece

sob densa neblina.

Pela razão, não se pode “afirmar”,
e tampouco “negar”, que Deus exista.
Crente autêntico carece de uma dose de “ateísmo”;
pois, há de superar-se
todo conceito “fixo” relativo a Deus.
Ou Deus é essência e sustento de cada ser
ou se transforma em uma grandeza exterior
– C r i a d o r.
Na Bíblia,
o “Deus-conosco”
– dimensão interiorizada –
passou a ser
uma verdade “racional”,
cristalizada.
O Deus, solidário na caminhada do povo,
foi objetivado como um ser “transcendente”.
O “divino” a irromper
do “cotidiano” foi expatriado
da realidade “terrestre”
para uma realidade “celeste”.
“Onipotência” em Deus parece um equívoco.
É libertador crer em um Deus a depender da criação.
Deus “em tudo e todos”, “Deus-relação”,
essência da realidade;
mais que constatação, prova,
é amigo, enlevo, poesia.
“Pai” em presença, “Filho” em serviço,
“Espírito” em criatividade,
à luz da “encarnação”, Deus tem seu espaço
em nossa realidade.
Tudo que faz parte de nosso viver e experimentar
é herança divina. E, nisso, Jesus fez ecoar
o “silêncio” de Deus.

Quando Deus pousa…

é para levantar vôo…

Na cruz, o não intervencionismo de Deus
com a história humana.
Sua autoridade é a humana fragilidade
– autêntica libertação.
Deus é o que é pela criação
a emanar de seu mistério.
O poder de Deus é respiração: nada aprisiona.
Em todo o humano, em todo fazer na história,
Deus sempre “está no pedaço”.
Em Jesus, Deus insere
a humanidade na divindade,
o finito no eterno,
a derrota na vitória,
a morte na vida.
Mas isto é objeto de fé,
até mesmo a ressurreição de Jesus
e nosso desdobramento na vida eterna.
Essa riqueza nem é para ser provada.
Basta que seja
degustada
em confiante entrega.
Deus se aninha nas entrelinhas do existir,
dramáticas que sejam.
É isto: o tempo messiânico é todo “agora”.
Jesus não veio revelar a grandeza de Deus
e, sim, sua benevolência.
Segue tua natureza, teu caminho,
respira o tempo presente.

Deus-conosco. Caminho garantido.

DEUS EM NÓS

O Todo em um ‘fragmento”,
este também um ‘todo’,
– em corpo e espírito.
Corpo insere espírito
no cotidiano,
espírito eleva corpo
em matéria configurada.
Espírito aprisionado – rebelde;
corpo proibido – prostrado.
Espírito sufocado,
corpo desprezado.
Corpo e espírito conjugados
– recipiente do divino.
Ambos: servidor – devedor,
um do outro.
Corpo sem poder aquietar-se,
espírito impelido a transbordar.
Com poder enriquecido,
espírito eleva corpo.
Do espírito, corpo se faz templo.
Ambos divinizados, em mística união
a revelar dignidade
em mútua relação.
Em clima de harmonia,
com peculiar identidade.
Para ambos, Deus como Deus;
neles, revela-se o Outro.
Quem ganha é o ser humano.
Quem se autentica é Deus.
Sobriedade na abundância,
compaixão na humildade.
Humanização divinizada,
divinização humanizada.
Deus, morador na terra.
Ser humano, habitante do Céu.
Isso como possibilidade,
existe em forma de conta-gotas.
É o Reinado de Deus,
em meio a ensaios e intervalos,
com tropeços e acertos,
lágrimas e risos.
No lusco-fusco de nossa fé,
resta o sonho feito promessa
a dirigir nossos passos
Deus em nós,
cada um próximo do outro.

E torna a pousar

onde menos se espera

(Apresentação do autor por Maria do Carmo Junqueira Caetano – Carminha)
Frei Claudio Van Balem, holandês e carmelita nasceu em 26-9-33. Veio  da Holanda em outubro de 1950 com 17 anos, se instalando na cidade de Santos. Em 1966 veio  para Belo. Horizonte onde está há 43 anos. Aqui armou sua barraca e ajudou na construção do espírito que anima a vida na Paróquia Nossa  Senhora do Carmo. E nós, da comunidade, lhe devemos muito. Sem medo, poeta, corajoso e livre é um jeito gostoso de Deus sorrir pra este mundo velho sem porteira. Hoje, mais mineiro que holandês, é uma estrela a brilhar e iluminar a caminhada de tanta gente.
Deus conserve!
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