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                     LIBERTE (-SE)!

                Lêda Mello

Era o meu aniversário e, entre os presentes que recebi, havia um livro* da escritora americana Sue Bender. Um livro simples, não volumoso, mas que me trouxe, entre muitas outras, uma mensagem de vida que levo comigo para onde eu for. Na ocasião, escrevi essa mensagem em um cartão para que a pudesse reler tantas vezes quantas sentisse necessidade. Com o tempo, não mais precisei reler, porque havia decorado o que estava escrito. Mais do que decorado, eu havia colocado na minha vida aquelas regras de ouro. São regras básicas que funcionaram como um ponto de partida para a minha libertação interior. É uma experiência de muitos anos que quero compartilhar com você.

Estava escrito naquele cartão:
“Dê a si mesma a liberdade de ficar desapontada.”
“Dê aos outros a liberdade de não se interessarem pelo que
você está fazendo.

“Dê-lhes a liberdade de não a amarem.”
“Dê-se a si mesma a liberdade para ser quem é em todas
as oitavas, não apenas nas notas mais altas – em toda a     escala de você mesma.”

Quantas vezes nós nos sentimos prisioneiros! Não há grades visíveis, mas elas estão ali, no nosso interior, supostamente intransponíveis, de forma a não sabermos como sair da prisão. Da mesma forma que as grades, na nossa mente existem Mandatos, que também não vemos, em razão de estarem no modo “automático”.  “Em Análise Transacional (AT), as mensagens parentais, chamadas Mandatos, são as responsáveis pela formação do Argumento ou Script de Vida de cada indivíduo. As condutas verbais ou não verbais carregam em seu bojo as condutas gravadas dentro de cada pessoa. Isso significa que cada Mandato gravado corresponde a uma ação em potencial pronta a ser disparada, direcionando o estilo de vida de cada pessoa.” (Dr. José Silveira). A boa notícia é que o que foi escrito pode ser reescrito de outra forma.

“Dê a si mesma a liberdade de ficar desapontada.” – A verdade é que não aceitamos ficar desapontados. Ora, a surpresa, o sucesso desagradável e a decepção fazem parte do processo da vida e quase sempre nos sentimos presos para processar essas experiências. Não obstante isto, surpresas, decepções e acontecimentos desagradáveis acontecerão ao longo da nossa vida e nada, a não ser nós mesmos, nos impede de manifestarmos o nosso desagrado. Assuma o seu desapontamento, resolva-o e aproveite a oportunidade para encontrar dentro de si mesmo quanto você contribuiu para a situação. São excelentes momentos para praticar o autoconhecimento. Esta prática atua como importante exercício de bem estar, ocasionando resoluções produtivas e conscientes acerca de seus variados problemas.

“Dê aos outros a liberdade de não se interessarem pelo que você está fazendo.” – Você há de convir que seja o que for que você fizer está no âmbito do seu interesse. Portanto, é importante para você e não, necessariamente, para os outros. Você é livre para fazer o que quiser, desde que assuma a respectiva responsabilidade. Da mesma forma, as outras pessoas, próximas ou não, são livres para não se interessarem pelo que você faz. Minha filha, quando tinha a idade de 5 anos, deu-me uma lição que muito me tem servido. Certa ocasião, reclamei de algo que ela fizera e, como resposta, com a sabedoria própria das crianças, escutei-a dizer-me, calmamente: “Mãe, cada qual, cada qual.” Ao longo da vida, tenho constatado a utilidade desse raciocínio para muitas situações, inclusive para me libertar da necessidade de receber atenção para tudo o que eu fizer.

“Dê-lhes a liberdade de não a amarem.” – No período da infância, uma das primeiras coisas que aprendemos é a encontrar segurança pessoal no que interpretamos por “ser amado”. No mundo mágico da criança, o amor tem ligação com o sentimento de aprovação, o que a leva a estabelecer valorações e validações de si mesma. Uma correção expressa de forma inadequada, por exemplo, vinda de uma figura parental, pode levar a criança a não se sentir amada. Seus conceitos “Sou bom” e “Não sou bom” estão intimamente ligados a sentir-se aprovada, o que, para ela, significa ser ou não ser amada.

Inserido neste contexto está o sentimento de rejeição. Não é ensinado à criança, por exemplo, que quando ela escuta um “não”, a negativa não é para ela, pessoalmente, mas para o que ela fez ou disse. À medida que os “nãos” sem explicações adequadas vão se sucedendo, o sentimento de inadequação vai aumentando e, a uma certa altura, a criança começa a conhecer o sentimento de rejeição.

Levamos para a vida adulta as experiências vividas na infância e é assim que, sem sabermos como, nos sentimos péssimos quando percebemos que não somos amados por alguém. Levando em conta que as pessoas não estão obrigadas a nos amar, liberte-as desse hipotético compromisso. O que você precisa é se amar muito e bem. Libertando o outro é você quem será livre. Se acontecer de se sentir rejeitado, lembre-se disto: “Se você quer me amar, legal!!! Se você quer me desvalorizar, o problema é seu. Aprendi que somente eu posso me desqualificar.” (Dr. Roberto Shinyashiki)

“Dê-se a si mesma a liberdade para ser quem é em todas as oitavas, não apenas nas notas mais altas – em toda a escala de você mesma.”  – Você é, como todos nós o somos, cheio de virtudes e defeitos, e não precisa ficar o tempo todo querendo criar uma situação ilusória para o que você é. Ser você mesmo é conhecer as suas notas altas e baixas, e cuidar para ser – para você mesmo e não para os outros – o melhor que você puder ser. A aprovação e a amizade reais e verdadeiras são encontradas naqueles que nos aceitam e nos amam como nós somos.

Permita-se ser livre. Liberte o que existe no seu universo. Quanto mais você libertar pessoas, conceitos e coisas, mais livre você será. Liberte-se!

Lêda Yara Motta Mello
Psicoterapeuta Holística
CRT- 41601
Arapiraca (AL) – Brasil
ledayara@terapeutaholistica.com.br
http://ledayara.terapiaholistica.net
* * SOU BEM MAIOR DO QUE ISSO (Sue Bender) – Ed. Sextante
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