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Archive for the ‘Luiz Maia – No banco do carona’ Category

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No banco do carona

Luiz Maia*

Às vezes sou levado pelas mãos da nostalgia para viver momentos especiais. Nesse instante coloco as lembranças no banco do carona e sigo viagem. Só agora começo a olhar de forma mais amorosa para a história de minha família, isso há pouco mais de seis meses.

Confesso que somente hoje percebo com mais clareza a necessidade que temos de se prestar mais atenção em nossos pais, irmãos, irmãs, tios e avós. Saber como estão, onde moram, o que sentem e o que fazem.

Após ter vivenciado algumas experiências amargas é que passei a lembrar com saudade da convivência que tive e tenho com minha avó paterna, irmãos, mãe, pai, tias e tios queridos.

De todos eu soube extrair lições de bondade e sabedoria, pois tinham muito a nos ensinar. Como eu queria estar agora ao lado deles a conversar na varanda de casa. Mas há que se compreender que nem sempre o melhor caminho é mais aconselhável para seguirmos viagem. Às vezes é preciso conhecer a dor para dar valor ao que já foi tangível um dia.

Vou pensando enquanto escrevo e nem percebo que sem querer remexo na parte mais delicada de meu ser, mas não posso deixar de expressar um tempo que passou, mas que deixou saudade. Os momentos mais delicados são as datas comemorativas. Aí não tem como não pensar nos que partiram para nos aguardar adiante.

No meu recente aniversário eu voltei no tempo e me vi de calças curtas defronte de um bolo de chocolate. Viajei e vi a sala cheia, muitos parentes felizes a festejar meus sete, oito, nove anos de idade. Hoje tudo parece longe demais.

Por onde andam meus tios, primas, meu pai e irmãos que não os vejo mais?

Por que me presenteiam com suas ausências, se ao menos não me foi dado o poder de esquecer? Hoje eu os trago comigo no banco do carona.

Grande é a alma das pessoas que enxergam a beleza que há nas entrelinhas de um sentimento por mais simples que seja, mesmo que tenha sido vivido num momento de muita saudade por pessoas que eventualmente tenham nos deixado para trás, como as estrelas errantes que sem nos avisar deixam de repente de brilhar.

 
*Luiz Maia: www.luizmaia.blog.br
É Autor dos livros “Veredas de uma vida”, “Sem limites para amar”, “Cânticos”, “À flor da pele” e “Tamarineira – Natureza e Cidadania. Recife-PE.
 
(sugestão de Vera Mussi)
 
 
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