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Archive for the ‘Paulo Gabriel – Para construir a vida’ Category

O texto abaixo foi escolhido pelo Bouquet de Cravos & Conchavos, em vista do “tempo do agora”, quando todos procuramos e necessitamos  construir ou reconstruir a vida baseados na ‘pluralidade’ e não na individualidade: – dos princípios humanos, – da preocupação com o tempo da casa-Terra, – das atitudes solidárias, – do abraço, do bom humor, do tempo partilhar, – das escolhas conscientes e refletidas no, agora, das eleições.

“…Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer”.

(Michèle – setembro/2010)

Post para construir a vida

Para construir a vida

Paulo Gabriel*

Tempo este,
em que 800 milhões de pessoas passam fome
e há no Zaire lágrimas no rosto de um milhão
de refugiados.
Desesperada,
sem pátria e sem destino,
a mão africana suplica por um prato de comida
que não chega.
Tempo este,
em que a bota neoliberal pisa no mundo
e há uma cerca invisível dividindo a terra.
Programada,
a morte bate à porta na América Latina.
Exclusão é a palavra!
Tempo este,
de balas perdidas ferindo a inocência
dos corpos no abraço —
Eldorado dos Carajás, Vigário Geral,
Anapu e Boa Vista —
o sangue derramado dói na consciência e clama!
Tempo este,
em que os olhos de um menino
abandonado e preso
denunciam a crueldade humana e incomodam.
Que perguntas ele faz com sua mirada?
Mas teimosa é a vida,
e Deus é a vida!
Frágil,
ele vem ao nosso encontro
e assume esta história feita de pranto e de sonho.
Com os olhos no horizonte,
realistas, exigimos o impossível!
Na esperança caminhamos.
Utopia.
Isaías anunciou uma era de paz e de ternura,
a vida explodindo pura no manancial da alegria.
Das lanças nasceriam enxadas
e arados das espadas.
Agora, porém,
é o momento de fabricar espadas
com as lâminas de arado que ainda restam
e desatar a vida
no útero do povo que renasce!

*Paulo Gabriel nasceu na Espanha em 1950. Em 1972 veio para o Brasil e após três anos conseguiu a naturalização brasileira. Religioso agostiniano, em 1975 ordenou-se sacerdote no Rio de Janeiro. Viveu em Belo Horizonte, fez jornalismo na PUC de Minas Gerais e atualmente reside em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso. Dentre os poetas que influenciaram sua poesia estão Juan Ramón Jiménez, Pablo Neruda, Ernesto Cardenal, Ferreira Gullar e Manoel de Barros.

(do livro “Em desnuda oração” Salmos da rua)

Paulo Gabriel

Apresentações:

Dorinha Soares: “Paulo Gabriel nasceu na Espanha, mas vive no Brasil desde 1973. Aqui se tornou cantor popular de histórias simples, construtor de fantasias, sonhador de um mundo novo, pedreiro de utopias. No Rio de Janeiro aprendeu que a vida é alegria, natureza, festa. O que importa é viver o presente com intensidade. Tudo é passagem! Foi em Minas onde descobriu o silêncio das coisas, o olhar emocionado e os segredos do coração humano. Há em Minas vestígios de eternidade. No Araguaia, trabalhando com Dom Pedro Casaldáliga, viu que a história é luta, sufoco, solidariedade e teimosia.”

D. Pedro Casaldáliga: “Paulo Gabriel é poeta, de fôlego maior, no meu entender amigo, e por isso mesmo, perdoavelmente suspeito. Literariamente, Paulo Gabriel é antes de mais nada, um lírico, sensivelmente humano, lavrador de intimidades. Literariamente é uma despojada retórica, um olhar descritivo, quase naturista por sua vez. Cinematograficamente seria neorrealista. Paulo Gabriel é religioso. Seus poemas são também religiosos. Dessa religião de Jesus Cristo, o Filho de Deus, o Filho do Homem, que se faz vida cotidiana, opção pelo Reino, parcialidade evangélica pelos pobres, serviço e riscos históricos.”…

O livro ‘Em desnuda oração’ – salmos da rua:

A obra traz uma coletânea de textos poéticos que exprimem a alma lírica do autor, sua admiração diante do mundo, sua relação com Deus, suas dores, alegrias e frustrações à vista dos problemas sociais e cotidianos. Revelam ainda a solidão que se apodera do ser humano em determinadas situações e como a natureza é capaz de despertar as emoções.

Com um estilo comum ao dos místicos cristãos, os poemas apresentam características próximas dos salmos, pois falam do amor cósmico, dos desejos da carne, da utopia de uma vida mais justa e levam à reflexão, pela beleza e profundidade de seus versos. A obra tem ainda apreciação de Dom Pedro Casaldáliga (bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia – MT) e prefácio de Leonardo Boff, duas personalidades importantes, que recomendam sua leitura.

“Obra recolhe e expressa, ora em um clamor, ora num tenso silêncio, todas as variantes vitais de um coração humano.”
Pedro Casaldáliga

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