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Post_Suzana Carizza_A travessia do caminho

A Travessia do Caminho

Susana Carizza

Impossível atravessar a vida… sem que um trabalho saia mal feito, sem que uma amizade cause decepção, sem padecer com alguma doença.

Impossível atravessar a vida… sem que um amor nos abandone, sem perder um ente querido, sem se enganar em um negócio. Esse  é o custo  de viver.

O importante  não é o que acontece, mas,  como você reage.

Você cresce… quando não perde a esperança, nem diminui a vontade,  nem perde a fé. Quando aceita a realidade  e tem orgulho de vivê-la.

Você cresce… quando aceita seu destino,  e mesmo assim,  tem garra para mudá-lo. Quando aceita o que ficou para trás,  construindo o que tem pela frente  e planejando o que está por vir. Cresce quando  se supera,  se valoriza  e sabe dar frutos.

Cresce quando abre caminho, assimila experiências… E semeia raízes… Cresce quando se impõe metas sem se importar com comentários, nem julgamentos…  Cresce quando dá exemplos,  sem se importar com o desdém, quando você cumpre com seu trabalho. Cresce quando  é forte de caráter, sustentado por sua formação, sensível por temperamento…

E humano  por natureza! Cresce quando enfrenta o inverno mesmo que perca as folhas, Cresce quando colhe flores mesmo que tenham espinhos.  Cresce quando marca o caminho  mesmo que se levante o pó. Cresce quando é capaz  de lidar com resíduos de ilusões.

Cresce quando é capaz  de perfumar-se com flores…E elevar-se por amor! Cresce ajudando  a seus semelhantes, conhecendo a si mesmo e dando à vida  mais do que recebe.

E assim se cresce…

Bouquet de Cravos & Conchavos

Poema das mães__Alceu_2016
Imagem utilizada no desenho: pintura de Stanislaw Wyspianski/1904
 

HOMENAGEM

Dia Internacional da Mulher

 

 

 

 

Mulher,

Na tua beleza,

os encantos da Natureza;

No teu olhar,

duas meninas a brincar;

Nos teus cabelos,

a tua vaidade a pontificar;

Nos teus lábios,

a escolha do teu par;

No teu sorriso,

a felicidade a se alcançar;

Nos teus beijos,

o teu poder de amar;

No teu cenho,

o teu pudor a conflitar;

No teu abraço,

o teu espaço a conquistar;

No teu ventre,

o teu direito a procriar;

Nos teus seios,

a tua opção de amamentar;

Nas tuas mãos,

o teu prazer de afagar;

Nos teus passos,

a tua firmeza no caminhar;

Na tua voz,

a tua alegria a extravasar;

No teu choro,

a tua alma a purificar;

No teu silêncio,

o arrependimento e o perdoar;

No teu coração,

a porta aberta para Deus entrar.

Mulher,

Hoje é teu dia.

Mereces ao menos sonhar!

Jamais te conformar!

 

 

Poeta Alceu Sebastião Costa

08 de março de 2016

 

 

 

Ao poeta Alceu, meu coração agradecido. Valeu!

Querida Michèle,

Adianto-lhe o nosso poema para homenagear as mulheres no próximo dia 08 de março. Espero que goste.

Bjs.

Alceu

Post_LeilaFerreira_Obsessão

A OBSESSÃO PELO MELHOR

Leila Ferreira

Leila Ferreira é uma jornalista mineira

com mestrado em Letras e doutora em

comunicação em Londres,

que optou por viver uma vida

mais simples, em Belo Horizonte

Estamos obcecados com “o melhor”.

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do “melhor”. Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

Bom não basta.

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com “o melhor”.

Isso até que outro “melhor” apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante.

Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros…) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a140, preciso realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o “melhor chef”?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo “melhor cabeleireiro”?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o “bom” que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens “perfeitos”.

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo…

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na busca do “melhor” a gente nem percebeu?

“Sofremos demais pelo pouco que nos falta

e alegramo-nos pouco pelo muito que temos”.

Shakespeare

 

Post_Artur_da_Távola_Vc_sabe_receber_amor

ARTUR DA TÁVOLA

Você sabe receber amor?

Do ponto de vista de quem recebe, o amor ganha contornos bem diferentes daqueles existentes do ponto de vista de quem dá. E é tão raro o empate entre dar e receber! Há pessoas absolutamente incapazes de receber o amor. Outras há que filtram o amor recebido segundo a sua maneira de ser, reduzindo (ou ampliando) o afeto ganho através de suas lentes (existenciais) de aumento ou diminuição. Quem pode dizer com segurança que sabe avaliar o amor recebido? Outras há, ainda, que só conseguem amar quando recebem amor, não admitindo dar sem receber. Há, também, o tipo de pessoa que não dará (amor) jamais, pois só sabe receber. E existe aquela outra que quer e precisa receber, porém não sabe o que fazer quando (e quanto) recebe e transforma-se, então, numa carência viva a andar por aí, em todos despertando (por insuspeitadas habilidades) o desejo de algo lhe dar.

Receber o amor é como saber gastar (gostar?). Já reparou que há pessoas que não sabem gastar? Muitas sabem ganhar muito dinheiro, mas depois não o sabem gastar. Receber o amor é como saber gastar (gastar o amor de quem lhe está dando). É necessário fazer com que o investimento recebido renda frutos, juros e dividendos em que o recebe, para novos investimentos e lucros humanos. Há quem o saiba fazer (ou seja, saiba receber). Há quem não o saiba e gaste o (amor) recebido de uma só vez, sem qualquer noção do quanto custou para quem o deu.

O problema de receber o amor é fundamental, porque ele determina o prosseguimento ou não da doação.

O núcleo do problema está na forma pela qual cada pessoa recebe o amor, modelando-o.

De que valerá um amor maior do que o mundo, se a forma pela qual se o recebe é diminuta? Um amor de pequena estatura doado a alguém pode ser recebido como a dádiva suprema. Será (soará), então, enorme!

Daí que amor está também, além de dar, em saber receber. Saber receber, embora pareça passivo, é ativo. Receber, se possível avaliando a intensidade com que é dado e, se for mais possível, ainda, retribuir na exata medida. Saber receber é tão amar quanto doar um amor.

Se todos soubessem receber, não haveria a graça infinita dos desencontros do amor, geradores dos encontros.

Receber o amor é tão difícil quanto amar! É que amar desobriga e receber o amor parece que prende as pessoas, tutela-as e aprisiona-as quando deveria ser exatamente o contrário, pois saber receber é tão grandioso e difícil quanto saber dar.

Einstein - amor

Morris West_A verdade

Morris L. West* ( As Sandálias do Pescador )

A verdade

Tudo deveria nos estimular a sermos abertos e verdadeiros em relação a nós mesmos, a nossos pensamentos e emoções; deveria nos estimular a sermos honestos conosco e com os outros. Por outro lado, é absolutamente necessário compreender que nada disso me autoriza a julgar os outros.

Posso lhe dizer quem sou, comunicar-lhe minhas emoções com franqueza e honestidade, e esse é o maior bem que posso fazer a mim mesmo e a você. Mesmo se meus pensamentos e emoções não lhe agradam, continuam sendo o melhor que tenho para lhe dar; revelar-me de maneira aberta e honesta é o melhor que tenho para lhe oferecer. Até onde for capaz, vou tentar ser honesto comigo e me comunicar honestamente com você.

Outra coisa é me estabelecer como juiz de suas ilusões. Isso é brincar de Deus. Não devo querer ser o guardião de sua integridade e honestidade: essa é uma tarefa sua. Só posso esperar que minha honestidade comigo mesmo lhe permita ser honesto com você mesmo. Se eu puder lhe encarar e lhe dizer de minhas faltas e vaidades, minhas hostilidades e medos, meus segredos e vergonhas, talvez você seja capaz de admitir suas coisas para você mesmo e confidenciá-las a mim, se quiser.

É uma rua de mão dupla. Se você for honesto comigo, me contar suas vitórias e fracassos, sofrimentos e alegrias, isso vai me ajudar a encarar minhas próprias coisas e a me tornar uma pessoa inteira. Preciso de sua abertura e honestidade: você precisa da minha. Você vai me ajudar? Prometo que vou tentar lhe dizer quem sou de verdade. Mas, se eu lhe disser quem sou você pode não gostar de quem sou, e isso é tudo que tenho…

Custa tanto ser uma pessoa plena, que muitos poucos são aqueles que têm a luz ou a coragem de pagar o preço…
É preciso abandonar por completo a busca da segurança e correr o risco de viver com os dois braços.
É preciso abraçar o mundo como um amante.
É preciso aceitar a dor como condição da existência.
É preciso cortejar a dúvida e a escuridão como preço do conhecimento.
É preciso ter uma vontade obstinada no conflito, mas também uma capacidade de aceitação total de cada consequência do viver e do morrer.

*Morris West, nasceu na Austrália em 1916 e morreu aos 86 anos, em 1999, na sua mesa de trabalho, enquanto escrevia. Em 1937 graduou-se em matemática, pela Universidade de Melbourne. Morou na Austrália, Alemanha, Itália, Inglaterra e EUA. Começou a escrever quando morava na Itália, em 1950, onde publicou seu primeiro sucesso: Advogado do Diabo, traduzido para 27 idiomas, com mais de 160 milhões de livros vendidos. Cinco de seus livros foram adaptados para o cinema, sendo “Sandálias do Pescador” o ganhador de inúmeros prêmios do cinema.

Morris Westa_Verdade
Post_J_Bicca_Larré_Crianças_e_velhos

Crianças e velhos

Crônica | J. Bicca Larré

Se é verdade que as crianças um dia ficarão velhas, não é menos verdadeiro que, quando estiverem velhas, voltarão a ser crianças. A aurora se tornará crepúsculo e o anoitecer voltará a ser o despertar de um novo dia.

Nosso humor também é assim. Tenho andado triste e taciturno por efeito de indisposições intestinas. Não me refiro ao funcionamento dos intestinos. Refiro-me às tropelias que se situam mais acima. No coração e no cérebro, onde deveria, aos 81 anos, viger a paz do espírito.

Mas esses são os dias tumultuados que, exceção ou não, a todos nós acometem e nos deixam acabrunhados. Passarão. Tudo passa. O incômodo é que nunca nos preparamos para os dias tempestuosos. Ao contrário, estamos sempre prontos e desejosos de radiosos dias de sol e de amenas alegrias.

Ocorre, entanto, que o nosso humor oscila tão rápido que novamente nos sentimos envoltos na vertigem das “montanhas russas” da nossa infância. Havia a subida longa e alta dos carrinhos e, depois, a descida alucinante do despencar das alturas, no vácuo e sem aviso.

E nossas entranhas físicas e emocionais subiam aos píncaros do prazer e da alegria e de lá voltavam nos horrores do medo, dos terrores da queda livre e no pavor da síndrome de pânico. Aquela incômoda sensação de que o estômago subia à garganta e depois descia à pélvis.

Há que reagirmos a esses estados passageiros de desconforto espiritual, como me aconselha uma querida amiga que usa de e-mail para me dar carinho. Eu sei que é assim. Mas falo de dentro de uma dessas nuvens momentâneas. E não posso ignorá-la, nem passar por cima dela, incólume. Eu não seria eu mesmo nesses instantes que, às vezes, duram dias. Tenho de vivê-los, afinal, no limite sofrido das minhas emoções. Não sou de usar máscaras. Vivo todos os dias. Nesses maus dias, também. E, como dizia Veppo, “há certos dias que melhor seria dormi-los, já que não podemos morrê-los!”

Melhores dias virão. Eles sempre chegam. Depois das piores borrascas vem a calmaria. Beethoven descreveu esses momentos de forma primorosa na sua 6ª Sinfonia, denominada Pastoral. Ali, os pastores dançam a ciranda da alegria, ao depois da tempestade de trovões e aguaceiro, de ventanias e temores.

Fará sol de novo nos meus dias. Até que, enfim, chegue o fim. Mas sei que haverá nova luz no andar de cima.

6/11/2010 | N° 2653 – Diário de Santa Maria
Platão_sobre chd e velhos
Post_Luiz Maia_O sentido da vida

O sentido da vida

Luiz Maia

“Houve um tempo em que eu acreditei na possibilidade das pessoas serem mais solidárias. Apostei na esperança de ver uma humanidade mais feliz, melhor em todos os aspectos.  Talvez tenha sido isso o que de melhor ocorreu em toda minha vida.”

Ao andar nas ruas parece que vivemos num mundo irreal. Veem-se coisas que estão longe do alcance da maioria dos brasileiros. São prédios sofisticados dispondo de inúmeros confortos, automóveis de luxo, celulares e TVs de última geração, parafernálias eletrônicas que custam milhões, tudo isso misturado às crianças paupérrimas espalhadas nos semáforos a mendigar nas ruas.

O que dizer dos maltrapilhos caminhando sem destino, alheios à distância que os separa de uma realidade que eles desconhecem? Ou seria a realidade absurda, pretensiosa, a ponto de ser exclusivista apenas para uns poucos?

A humanidade parece esbarrar em questões cruciais, de fácil solução, mas que não foram ainda resolvidas. O mundo tornou os indivíduos cada vez mais materialistas. Mas será que a vida de muita gente está fadada ao esquecimento? Terá sido a vida de gerações de todo inútil? Melhor seria se os seres humanos vivessem com outras prioridades, valorizando as amizades, sem se sentirem obrigados a perseguir o dinheiro e muito menos o poder. Mas infelizmente não é isso que vemos.

Sei que ninguém pode mudar o mundo, quando muito poderá tentar mudar a si próprio. Nem mesmo os sonhadores o poderão fazer, a não ser semearem o desejo de ver algo novo brotar em cada coração.

Houve um tempo em que eu acreditei na possibilidade das pessoas serem mais solidárias. Apostei na esperança de ver uma humanidade mais feliz, melhor em todos os aspectos. Talvez tenha sido isso o que de melhor ocorreu em toda minha vida.

Nunca duvidei do poder que cada um tem de não se deixar abater na derrota, de voltar a sorrir mesmo tendo perdido. Pois eu creio que haverá um momento em que o homem vai saber aliar os avanços extraordinários da tecnologia à necessidade imperiosa de se olhar o outro como o real depositário desses benefícios.

Os aparatos de alta sofisticação, que nos colocam diante de uma tecnologia de ponta, não podem ignorar as necessidades de toda essa gente. É preciso, sobretudo compreender que o egoísmo é incompatível com uma sociedade solidária e justa. O verdadeiro sentido da vida está em buscar servir ao próximo, colocar-se em seu lugar sempre que possível, amando a todos sem discriminações.

Gandhi - Tolerância