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 Post_Letícia_Thompson_Amigos_Estações

Letícia Thompson

Amigos Estações

Meus amigos são todas as minhas estações.

Eles passam pela minha vida em ciclos e cada um traz consigo alguma coisa vital à minha sobrevivência.

Meus amigos primavera são as flores que enfeitam minha vida, perfumam também. Há aqueles, discretos, que preferem não perfumar muito, mas quanta beleza me passam!!! Os mais exuberantes chegam e irradiam tudo, tornando minha vida repleta.

Meus amigos verão são meus raios de sol. Eles me iluminam e, como se isso ainda não fosse suficiente, iluminam meu caminho, indo sempre adiante para evitar que eu me machuque nas estradas da vida! Eles trazem calor humano, tão essencial ao meu crescimento como pessoa!

Meus amigos outono são meus frutos maduros. Eles sempre, pela suas experiências, me ensinam alguma coisa. São aqueles que me dizem que às vezes é necessário se repousar um pouco, se dar um tempo, parar, respirar, ganhar novas forças. E são eles que me preparam para as rudezas da vida.

E meus amigos inverno? Esses são meu casaco, minhas luvas, meu chapéu! Eles me protegem contra as tempestades hostis e me apoiam quando eu mais preciso. Eles têm sempre uma mão bem quentinha para segurar a minha para que eu não sinta solidão, eles têm sempre um lenço de reserva para enxugar minhas lágrimas.

Finalmente na variedade das estações eu me encontro. Deus, que é perfeito e é tudo em si mesmo, sabia que eu não poderia viver sem as flores que me enfeitam, os raios que me aquecem, os frutos que me sustentam e os casacos que me protegem.

Os amigos_frase

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Post_Marhta Medeiros_O amor acaba

O amor acaba?

Martha Medeiros

Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba?

O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são substituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades.

O amor costuma ser amoldado à nossa carência de envolvimento afetivo, porém essa carência não é estática, ela se modifica à medida que vamos tendo novas experiências, à medida que vamos aprendendo com as dores, com os remorsos e com nossos erros todos. O amor se mantém o mesmo apenas para aqueles que se mantêm os mesmos.

Se nada muda dentro de você, o amor que você sente, ou que você sofre, também não muda. Amores eternos só existem para dois grupos de pessoas. O primeiro é formado por aqueles que se recusam a experimentar a vida, para aqueles que não querem investigar mais nada sobre si mesmo, estão contentes com o que estabeleceram como verdade numa determinada época e seguem com esta verdade até os 120 anos.

O outro grupo é o dos sortudos: aqueles que amam alguém, e mesmo tendo evoluído com o tempo, descobrem que o parceiro também evoluiu, e essa evolução se deu com a mesma intensidade e seguiu na mesma direção. Sendo assim, conseguem renovar o amor, pois a renovação particular de cada um foi tão parecida que não gerou conflito.

O amor não acaba. O amor apenas sai do centro das nossas atenções. O tempo desenvolve nossas defesas, nos oferece outras possibilidades e a gente avança porque é da natureza humana avançar. Não é o sentimento que se esgota, somos nós que ficamos esgotados de sofrer, ou esgotados de esperar, ou esgotados da mesmice.

Paixão termina, amor não. Amor é aquilo que a gente deixa ocupar todos os nossos espaços, enquanto for bem vindo, e que transferimos para o quartinho dos fundos quando não funciona mais, mas que nunca expulsamos definitivamente de casa.

Post__Elaine Lilli Fong__A irritação

A IRRITAÇÃO

Elaine Lilli Fong

Hoje é muito comum as pessoas dizerem: “Não fale comigo hoje, pois estou irritada (o)”, “Não aguento mais fulano(a)! Ele(a) me irrita”.

Afinal, onde começa a irritação? É o (a) outro (a) que te irrita ou é você que fica irritado?

Os seus sentidos se irritam, e não você. Enquanto você estiver identificado com os sentidos a irritação permanece. Os sentidos existem como veículos de captação de cada instante. Você está recebendo dezenas de informações de todas as partes a cada instante.

Saiba que o seus sentidos estão impregnados de crenças, regras, julgamentos e interpretações distorcidas da realidade. Seus sentidos estão totalmente poluídos por uma reprogramação constante do que é certo ou errado. Desde a infância os seus pais já diziam o que pode ou que não pode ser feito como se fossem buzinas intermináveis ressoando no seu aparelho auditivo. O seu cérebro mal se desenvolveu e você já foi programado para ser de um jeito.

A irritação é como um chiado de rádio fora da estação. É um mecanismo de defesa do ego. Os seus sentidos captam as informações do ambiente e das pessoas ali presentes e se o que você vê, escuta e sente não estiver dentro dos seus padrões de aceitação, possivelmente o sistema começará a sofrer estresse, gerando alteração do humor, desconforto físico e, consequentemente, muita irritação.

Esse mecanismo funciona através de duas palavras chaves: aceitação ou rejeição. Aceitação é igual a conforto. Rejeição é igual à tensão, desconforto.

Pare um pouco, e reflita: com o que você realmente está irritado? Com o outro ou com aquilo que você não aceita no outro? Com o ambiente ou com o visual não adequado que você acha do ambiente? A cidade é chata ou não está dentro dos seus padrões de conforto e diversão?

Portanto, se você se irrita constantemente, comece a rever os seus valores e princípios. É bem provável que eles estão saindo do padrão social e você queira mudar o que acontece a sua volta.

Quando a irritação surgir, faça uma pausa. Observe o dentro e o fora. Volte a sua atenção para os seus sentidos. Perceba-os. Reflita sobre o que está acontecendo? O que os seus sentidos estão captando que você não está dando conta?

Através dessas perguntas básicas você pode descobrir coisas que você não se dava conta. Não tente inibir a irritabilidade. Observe-a. Perceba-a e dialogue com ela.

É muito comum tentar sair imediatamente da situação quando se sentir irritada(o). Porém, isso não vai com que você se livre da irritação. Essa atitude apenas encobrirá a irritação fazendo com que a irritabilidade permaneça como pano de fundo, voltando ainda mais forte quando você se deparar com um novo estímulo.

Experimente praticar o silêncio e a observação. Não tome decisões precipitadas. Questione os impulsos, medite, descanse, fique sozinho quando puder.

E lembre-se que você não é irritado, mas você fica irritado.

Alceu_Dia das Mães_2016

SUBLIME PRIVILÉGIO

Alceu Sebastião Costa

 

 

Mulher,

Mais que o fulgor do raiar matinal,

Mais que os matizes do arco-íris divinal,

Mais que o festival de cores do reino vegetal,

Mais que a pureza do diamante no estado natural,

Mais que a doçura do mel no favo artesanal,

Mais que o vigor do impetuoso vendaval,

Mais que a suavidade do cântico angelical,

Mais que o espelho cristalino do leito fluvial,

Mais que as luzes estelares da abóbada celestial,

Por uma deferência especial

Do criador da nossa alma imortal,

O seu brilho a tudo transcende,

Pontificando o seu instinto maternal.

 

 

Mulher,

Deus não lhe deu, apenas lhe emprestou o dom da maternidade,

Pois como tudo que nos legou, dentro da sua infinita bondade,

Tem caráter transitório, como o corpo, sujeito à mortalidade.

 

 

Mulher,

Você, apesar de todos estes pendores,

Há que ter maturidade,

Saber o seu papel no processo da maternidade,

Que o direito tem limitação e o dever mais elasticidade,

Que à mãe cabe educar sem tolher do filho a liberdade,

Mostrar-lhe o bom caminho até sua efetiva entrega à Sociedade,

Despojada, agradecer o privilégio, mesmo sem dele possuir o certificado de propriedade.

 

 

Dia das mães – 8 de maio de 2016
Bouquet de Cravos & Conchavos
Post_Suzana Carizza_A travessia do caminho

A Travessia do Caminho

Susana Carizza

Impossível atravessar a vida… sem que um trabalho saia mal feito, sem que uma amizade cause decepção, sem padecer com alguma doença.

Impossível atravessar a vida… sem que um amor nos abandone, sem perder um ente querido, sem se enganar em um negócio. Esse  é o custo  de viver.

O importante  não é o que acontece, mas,  como você reage.

Você cresce… quando não perde a esperança, nem diminui a vontade,  nem perde a fé. Quando aceita a realidade  e tem orgulho de vivê-la.

Você cresce… quando aceita seu destino,  e mesmo assim,  tem garra para mudá-lo. Quando aceita o que ficou para trás,  construindo o que tem pela frente  e planejando o que está por vir. Cresce quando  se supera,  se valoriza  e sabe dar frutos.

Cresce quando abre caminho, assimila experiências… E semeia raízes… Cresce quando se impõe metas sem se importar com comentários, nem julgamentos…  Cresce quando dá exemplos,  sem se importar com o desdém, quando você cumpre com seu trabalho. Cresce quando  é forte de caráter, sustentado por sua formação, sensível por temperamento…

E humano  por natureza! Cresce quando enfrenta o inverno mesmo que perca as folhas, Cresce quando colhe flores mesmo que tenham espinhos.  Cresce quando marca o caminho  mesmo que se levante o pó. Cresce quando é capaz  de lidar com resíduos de ilusões.

Cresce quando é capaz  de perfumar-se com flores…E elevar-se por amor! Cresce ajudando  a seus semelhantes, conhecendo a si mesmo e dando à vida  mais do que recebe.

E assim se cresce…

Bouquet de Cravos & Conchavos

Poema das mães__Alceu_2016
Imagem utilizada no desenho: pintura de Stanislaw Wyspianski/1904
 

HOMENAGEM

Dia Internacional da Mulher

 

 

 

 

Mulher,

Na tua beleza,

os encantos da Natureza;

No teu olhar,

duas meninas a brincar;

Nos teus cabelos,

a tua vaidade a pontificar;

Nos teus lábios,

a escolha do teu par;

No teu sorriso,

a felicidade a se alcançar;

Nos teus beijos,

o teu poder de amar;

No teu cenho,

o teu pudor a conflitar;

No teu abraço,

o teu espaço a conquistar;

No teu ventre,

o teu direito a procriar;

Nos teus seios,

a tua opção de amamentar;

Nas tuas mãos,

o teu prazer de afagar;

Nos teus passos,

a tua firmeza no caminhar;

Na tua voz,

a tua alegria a extravasar;

No teu choro,

a tua alma a purificar;

No teu silêncio,

o arrependimento e o perdoar;

No teu coração,

a porta aberta para Deus entrar.

Mulher,

Hoje é teu dia.

Mereces ao menos sonhar!

Jamais te conformar!

 

 

Poeta Alceu Sebastião Costa

08 de março de 2016

 

 

 

Ao poeta Alceu, meu coração agradecido. Valeu!

Querida Michèle,

Adianto-lhe o nosso poema para homenagear as mulheres no próximo dia 08 de março. Espero que goste.

Bjs.

Alceu

Post_LeilaFerreira_Obsessão

A OBSESSÃO PELO MELHOR

Leila Ferreira

Leila Ferreira é uma jornalista mineira

com mestrado em Letras e doutora em

comunicação em Londres,

que optou por viver uma vida

mais simples, em Belo Horizonte

Estamos obcecados com “o melhor”.

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do “melhor”. Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

Bom não basta.

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com “o melhor”.

Isso até que outro “melhor” apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante.

Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros…) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos. Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a140, preciso realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o “melhor chef”?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo “melhor cabeleireiro”?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o “bom” que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens “perfeitos”.

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo…

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na busca do “melhor” a gente nem percebeu?

“Sofremos demais pelo pouco que nos falta

e alegramo-nos pouco pelo muito que temos”.

Shakespeare