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Na foto: meu avô, meu pai, meu irmão  (pais) — Godefroid

Pai e filho, filho e pai.

José Luiz Tejon*

11/08/2014 – Revista Exame

Uma coisa fundamental de um pai para um filho é ensinar a ele coragem, porque sem coragem nós vamos ficar debilitados em quase tudo na vida. Meu pai Antonio, meu pai adotivo, me levava na praia de Santos, onde eu nasci, e me ensinou a nadar e um dia me levou numa rocha no mar, em que as ondas batiam e me disse assim: “filho, a única forma de você não morrer em uma pedra onde as ondas batem é você aprender a mergulhar nelas, antes que elas cheguem em você em cima da pedra. Meu pai me ensinou coragem.

E uma outra coisa muito importante que um pai precisa ensinar a uma criança é que ela guarde e preserve dentro de si, eternamente, aquela mesma criança que ela foi um dia.

O pai que fica é o pai invisível. Quando meu pai morreu, trabalhando como cobrador da portuguesa santista, com sua bicicleta no centro da cidade de Santos, a força de seus valores como nunca, dentro de mim, viveu. O meu choro era o de ficar sem o meu melhor e o maior amigo.

Meu pai Antonio era o meu amigo Nº1. E senti a saudade do grande amigo. As lembranças eternas das conversas sobre a 2ª Guerra Mundial, do futebol, do cantar ao desafio como nas aldeias portuguesas. Senti saudades dos seus ensinamentos sobre as lutas de pau, e o saber se defender nas ruas.

Essa força eterna da vida de um homem fica para o infinito, pois quanto mais o tempo passa, e hoje eu já avô, os legítimos valores e a essência da presença dele seguem cada vez mais vivas, em mim. E guardo a sensação e a esperança de que na hora do meu desenlace, quando a finitude da nossa vida for se conectar à infinitude do plasma universal, lá possa estar com os braços abertos, esse meu querido pai adotivo.

E quem é o legítimo pai? Aquele que acolhe. O poder do acolhimento, o esforço da educação, a orientação para nossa convivência e inserção na sociedade e a libertação. Isso faz o pai.

Nobre missão: preparar para libertar. Pais que amam filhos, libertam. Pais que amam a si mesmos, aprisionam. Portanto, pai e filho e filho e pai, coragem e a preservação eterna da criança que precisa viver dentro de nós para todo o sempre.

Nota: Minha homenagem ao Dia dos Pais
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