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Archive for março \31\UTC 2012

PostTaoista_Sabedoria do silêncio interno

A sabedoria do silêncio interno

Fale apenas quando for necessário.
Pense no que vai dizer antes de abrir a boca.
Seja breve e preciso já que cada vez que deixas sair uma palavra,deixas sair ao mesmo tempo uma parte de seu ‘Chi’ (energia).
Desta maneira, aprenderás a desenvolver a arte de falar sem perder energia.

Nunca faças promessas que não possas cumprir.
Não te queixes, nem utilizes em teu vocabulário,palavras que projetem imagens negativas porque se produzirão ao redor de ti, tudo o que tenhas fabricado com tuas palavras carregadas de ‘Chi’.
Se não tens nada de bom, verdadeiro e útil a dizer,é melhor se calar e não dizer nada.

Aprenda a ser como um espelho: observe e reflita a energia.
O próprio Universo é o melhor exemplo de um espelho que a natureza nos deu,porque o universo aceita, sem condições, nossos pensamentos,nossas emoções, nossas palavras, nossas ações,e nos envia o reflexo de nossa própria energia através das diferentes circunstâncias que se apresentam em nossas vidas.

Se te identificas com o êxito, terás êxito.
Se te identificas com o fracasso, terás fracasso.
Assim, podemos observar que as circunstâncias que vivemos são simplesmente manifestações externas do conteúdo de nossa conversa interna.

Aprende a ser como o universo,escutando e refletindo a energia sem emoções densas e sem prejuízos.
Porque sendo como um espelho sem emoções aprendemos a falar de outra maneira.
Com o poder mental tranquilo e em silêncio,sem lhe dar oportunidade de se impor com suas opiniões pessoais e evitando que tenha reações emocionais excessivas,simplesmente permite uma comunicação sincera e fluida.

Não te dês muita importância, e sejas humilde,pois quanto mais te mostras superior,inteligente e prepotente,mais te tornas prisioneiro de tua própria imagem e vives em um mundo de tensão e ilusões.

Sê discreto, preserva tua vida íntima,desta forma te libertas da opinião dos outros e terás uma vida tranquila e benevolente, invisível, misteriosa, indefinível, insondável como o ‘TAO’.

Não entres em competição com os demais, torna-te como a terra que nos nutre, que nos dá o necessário.
Ajuda ao próximo a perceber suas qualidades,a perceber suas virtudes, a brilhar. O espírito competitivo faz com que o ego cresça e, inevitavelmente, crie conflitos.

Tem confiança em ti mesmo.
Preserva tua paz interior evitando entrar na provocação e nas trapaças dos outros.

Não te comprometas facilmente.
Se agires de maneira precipitada, sem ter consciência profunda da situação, vais criar complicações.
As pessoas não têm confiança naqueles que muito facilmente dizem “sim”, porque sabem que esse famoso “sim”não é sólido e lhe falta valor.

Toma um momento de silêncio interno para considerar tudo que se apresenta a ti e só então tome uma decisão.
Assim desenvolverás a confiança em ti mesmo e a Sabedoria.
Se realmente há algo que não sabes,ou não tenhas a resposta a uma pergunta que tenham feito, aceite o fato.
O fato de não saber é muito incômodo para o ego porque ele gosta de saber tudo, sempre ter razão e sempre dar sua opinião muito pessoal.
Na realidade, o ego nada sabe,simplesmente faz acreditar que sabe.

Evite julgar ou criticar.
O ‘TAO’ é imparcial em seus juízos, não critica a ninguém,tem uma compaixão infinita e não conhece a dualidade.
Cada vez que julgas alguém, a única coisa que fazes é expressar tua opinião pessoal,e isso é uma perda de energia,é puro ruído.
Julgar, é uma maneira de esconder tuas próprias fraquezas.
O Sábio a tudo tolera, sem dizer uma palavra.

Recorda que tudo que te incomoda nos outros é uma projeção de tudo que não venceu em ti mesmo.
Deixa que cada um resolva seus problemas e concentra tua energia em tua própria vida.

Quando tentas defender-te, na realidade estás dando demasiada importância às palavras dos outros, dando mais força à agressão deles. Se aceitas não defender-te estarás mostrando que as opiniões dos demais não te afetam,que são simplesmente opiniões,e que não necessitas convencer aos outros para ser feliz.

Teu silêncio interno o torna impassível.
Faz uso regular do silêncio para educar teu ego,que tem o mal costume de falar o tempo todo.
Pratique a arte do não falar.
Toma um dia da semana para abster-se de falar. Ou pelo menos algumas horas no dia,segundo permita tua organização pessoal.
Este é um exercício excelente para conhecer e aprender o universo do TAO ilimitado,ao invés de tentar explicar com palavras o que é o TAO.

Progressivamente, desenvolverás a arte de falar sem falar, e tua verdadeira natureza interna substituirá tua personalidade artificial, deixando aparecera luz de teu coração e o poder da sabedoria do silêncio.
Graças a essa força, atrairás para ti tudo que necessitas para tua própria realização e completa liberação.
Porém, tens que ter cuidado para que o ego não se infiltre…

O Poder permanece quando o ego se mantém tranquilo e em silêncio.
Se teu ego se impõe e abusa desse Poder. o mesmo Poder se converterá em um veneno,e todo teu ser se envenenará rapidamente.

Fica em silêncio, cultiva teu próprio poder interno.
Respeita a vida dos demais e de tudo que existe no mundo.
Não force, manipule ou controle o próximo.
Converta-te em teu próprio Mestre e deixa os demais serem o que são,ou o que têm a capacidade de ser.
Dizendo em outras palavras, viva seguindo a vida sagrada do TAO.

Três coisas agradam a todo o mundo: gentileza, frugalidade e humildade. Pois os gentis podem ser corajosos, os frugais podem ser liberais e os humildes podem ser condutores de homens.

Textos Taoistas¹

¹O taoismo, também conhecido como Daoismo, é uma religião que surgiu na China do século II (durante a dinastia Han) e originária de uma filosofia oriental conhecida como Tao (caminho). A origem do componente filosófico do taoismo é atribuída ao filósofo chinês Lao Tse, que viveu no século VI a.C. O pensamento taoista geralmente centra-se na natureza, na relação entre a humanidade e o cosmos, saúde e longevidade.

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Post Taça Inteira_Rubem Alves

Taça Inteira – Rubem Alves

Você que trabalhou, batalhou, criou os filhos, envelheceu…

Os filhos cresceram, saíram de casa, você se aposentou…

E agora o tempo se estende vazio à sua frente, pouco importa levantar-se cedo ou tarde, não faz diferença, os dias ficaram todos iguais, não há batalhas a travar, ninguém precisa de você…

Cada dia é um peso, é preciso matar o tempo, descobrir um jeito de não pensar, pois o pensamento dói, e vem uma vontade de beber, uma vontade de esquecer, uma vontade de morrer…

Chegou o momento da inutilidade, e é isso que você não suporta, pois lhe ensinaram (e você acreditou) que os homens e as mulheres são como as ferramentas, que só valem enquanto forem úteis.

Ensinaram- lhe que você é uma ferramenta que merece viver enquanto puder fazer. E agora que o seu fazer não faz mais diferença, você se coloca ao lado dos objetos sem uso. À espera que a morte venha colocá-lo no devido lugar, pois nada mais há que esperar. Você está sem esperança.

Mas lhe ensinaram mal, muito mal. Pois nós não somos ferramentas.

Não vivemos para ser úteis.

Dizem os textos sagrados que Deus trabalhou seis dias para plantar um jardim. Terminado o trabalho, já não havia nada mais para ser feito. E foi justamente então que Deus sentiu a maior alegria. Terminado o tempo do trabalho, chegara o tempo do desfrute. E o Criador se transformou em amante: entregou-se ao gozo de tudo o que fizera. Com as mãos pendidas (pois tudo o que devia ser feito já havia sido feito), seus olhos se abriram mais. Olhou para tudo e viu que era lindo. Pôs-se a passear pelo jardim, gozando as delícias do vento fresco da tarde. E, embora os poemas nada digam a respeito, imagino que o Criador tenha também se deleitado com o gosto bom dos frutos e com o perfume das flores – pois que razões teria ele para criar coisas tão boas se não sentisse nelas prazer?

Se há uma lição a ser aprendida desses textos, lição que é que não somos como serrotes, enxadas, alicates, fósforos e lâmpadas que, uma vez sem o que fazer, são jogados fora. A nossa vida começa justamente com o advento da inutilidade. Pois o momento da inutilidade marca o início da vida de gozo.

Nada mais preciso fazer.

Travei as batalhas que tinha de travar. Nada devo a ninguém. Estou livre agora para me entregar ao deleite.

Todas as escolas só nos ensinam a ser ferramentas.

Será preciso que você procure mestres que ainda não foram enfeitiçados por elas. Você deve procurar as crianças. Somente elas têm o poder para quebrar o feitiço que o está matando ainda em vida.

As almas dos velhos e das crianças brincam no mesmo tempo.

As crianças ainda sabem aquilo que os velhos esqueceram e têm de aprender de novo: que a vida é brinquedo que para nada serve, a não ser para a alegria!

Desde os seis anos tenho mania de desenhar a forma das coisas.

Aos cinquenta anos publiquei uma infinidade de desenhos.

Mas tudo o que produzi antes dos setenta não é digno de ser levado em conta.

Aos 73 anos aprendi um pouco sobre a verdadeira estrutura da natureza dos animais, plantas, pássaros, peixes e insetos.

Com certeza, quando tiver oitenta anos, terei realizado mais progressos, aos noventa penetrarei no mistério das coisas, aos cem, por certo, terei atingido uma fase maravilhosa e, quando tiver 110 anos, qualquer coisa que fizer, seja um ponto, seja uma linha, terá vida.

Vamos! A vida é bela.

Pare de namorar a morte!

Beba a taça até o fim!

Aperitivo (Rubem Alves)

A menininha de 9 anos me explicou como as crianças na sua escola aprendiam a ler: “Aqui na Escola da Ponte não aprendemos letras e silabas. Só aprendemos totalidades…“

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Post Lya Luft_a idade e a mudança

A IDADE E A MUDANÇA – Lya Luft

 

Mês passado participei de um evento sobre o Dia da Mulher. Era um bate-papo com uma plateia composta de umas 250 mulheres de todas as raças, credos e idades. E por falar em idade, lá pelas tantas, fui questionada sobre a minha e, como não me envergonho dela, respondi. Foi um momento inesquecível… A plateia inteira fez um ‘oooohh’ de descrédito. Aí fiquei pensando: ‘pô, estou neste auditório há quase uma hora exibindo minha inteligência, e a única coisa que provocou uma reação calorosa da mulherada foi o fato de eu não aparentar a idade que tenho? Onde é que nós estamos? ’

Onde não sei, mas estamos correndo atrás de algo caquético chamado ‘juventude eterna’. Estão todos em busca da reversão do tempo.

Acho ótimo, porque decrepitude também não é meu sonho de consumo, mas cirurgias estéticas não dão conta desse assunto sozinhas. Há outro truque que faz com que continuemos a ser chamadas de senhoritas mesmo em idade avançada.

A fonte da juventude chama-se “mudança”.

De fato, quem é escravo da repetição está condenado a virar cadáver antes da hora. A única maneira de ser idoso sem envelhecer é não se opor a novos comportamentos, é ter disposição para guinadas. Eu pretendo morrer jovem aos 120 anos. Mudança, o que vem a ser tal coisa?

Minha mãe recentemente mudou do apartamento enorme em que morou a vida toda para um bem menorzinho. Teve que vender e doar mais da metade dos móveis e tranqueiras, que havia guardado e, mesmo tendo feito isso com certa dor, ao conquistar uma vida mais compacta e simplificada, rejuvenesceu.

Uma amiga casada há 38 anos cansou das galinhagens do marido e o mandou passear, sem temer ficar sozinha aos 65 anos. Rejuvenesceu.

Uma outra cansou da pauleira urbana e trocou um baita emprego por um não tão bom, só que em Florianópolis, onde ela vai à praia sempre que tem sol. Rejuvenesceu.

Toda mudança cobra um alto preço emocional. Antes de se tomar uma decisão difícil, e durante a tomada, chora-se muito, os questionamentos são inúmeros, a vida se desestabiliza. Mas então chega o depois, a coisa feita, e aí a recompensa fica escancarada na face.

Mudanças fazem milagres por nossos olhos, e é no olhar que se percebe a tal juventude eterna. Um olhar opaco pode ser puxado e repuxado por um cirurgião a ponto de as rugas sumirem, só que continuará opaco porque não existe plástica que resgate seu brilho… Quem dá brilho ao olhar é a vida que a gente optou por levar.

Olhe-se no espelho…

As pessoas são responsáveis e inocentes em relação ao que acontece com elas, sendo autoras de boa parte de suas escolhas e omissões.”

Lya Luft

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Post_Você é_MarthaMedeiros

Você é

Martha Medeiros

Você é os brinquedos que brincou,

as gírias que usava,

você é os nervos a flor da pele no vestibular,

os segredos que guardou,

você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema,

você é o renascido depois do acidente que escapou,

aquele amor atordoado que viveu,

a conversa séria que teve um dia com seu pai,

você é o que você lembra.

Você é a saudade que sente da sua mãe,

o sonho desfeito quase no altar,

a infância que você recorda,

a dor de não ter dado certo,

de não ter falado na hora,

você é aquilo que foi amputado no passado,

a emoção de um trecho de livro,

a cena de rua que lhe arrancou lágrimas,

você é o que você chora.

Você é o abraço inesperado,

a força dada para o amigo que precisa,

você é o pelo do braço que eriça,

a sensibilidade que grita,

o carinho que permuta,

você é as palavras ditas para ajudar,

os gritos destrancados da garganta,

os pedaços que junta,

você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo,

você é o que você desnuda.

Você é a raiva de não ter alcançado,

a impotência de não conseguir mudar,

você é o desprezo pelo o que os outros mentem,

o desapontamento com o governo,

o ódio que tudo isso dá,

você é aquele que rema,

que cansado não desiste,

você é a indignação com o lixo jogado do carro,

a ardência da revolta,

você é o que você queima.

Você é aquilo que reinvidica,

o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta,

você é os direitos que tem,

os deveres que se obriga,

você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca,

você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste.

Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê.

Você é o que ninguém vê.

Clarice Lispector

 Foto original: Michèle Christine

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